domingo, 12 de outubro de 2008

Tire o Dedo do Nariz!


O semáforo avermelhado é o sinal. Basta parar o veículo e procurar com atenção que a visão de algum motorista descuidado futucando as ventas se fará real. E tome dedo atolado no nariz!

Crente que não está sendo observado, o motorista melequento mexe e remexe na ânsia de atingir aquele volume de sujeira mais distante (e que tanto está incomodando). Entre entradas e saídas da cavidade nasal, eis que o dedo vitorioso se encontra com outro que à espera está, a fim de, num prazeroso esfregão, entregar ao léu a recente conquista... A catota!

Catota: “meleca; secreção nasal ressequida”. Essa é a definição clássica do dicionário e que muito bem podemos aplicar ao próprio ser humano. Melequento. Que esconde em si as sujeiras mais recônditas, disfarçando-se como se fosse uma sumidade de limpeza (e considere isso além da questão da sujeira física).

Por isso mesmo, afirmo que a conquista da sujeira escondida é um troço comum aos terráquios. Quem aqui nunca tirou uma catotinha do nariz e negou isso com veemência (e ainda nega)? Pois é. Até nisso vocês são hipócritas...

Sendo assim, então, só me resta finalizar reproduzindo a letra ‘profunda’ de uma canção ‘infantil’ (que Dona Roseana cantava para seus filhos e sobrinhos quando estes eram crianças - pra divertir, é claro!), dentro dessa temática ‘apaixonante’:

“Tire o dedo do nariz
Se você quer ser feliz
E depois bote na boca
Sinta o gosto de catota
E depois cheire chulé
Você vai ver como é bom”...

Sorriam e boa semana a todos (se puderem, terráquios melequentos)!!!

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Eu Tenho Caráter!


Caráter: “firmeza de atitudes (...) retilineidade nas ações”. Ter caráter é vigiar os próprios atos para que os mesmos não traiam a noção individual do que é correto. É persistir numa tendência reta de valores - honestidade, respeito, compreensão. Enfim, é talvez o atributo interior e individual que mais se aproxime da justiça.

Eu tenho caráter. Longe da perfeição, vejo-me em constantes embates interiores, buscando uma “firmeza de atitudes” e uma “retilineidade nas ações”. Apesar da minha caturrice (“teimosia (...) atributo de pessoa que enxerga defeito em tudo”), faço valer a minha consciência (“atributo de quem julga a sua própria realidade”). Isso faz parte de mim. Caráter. E eu posso afirmar com veemência que o tenho.

Coincidência ou não, hoje é o Dia do Vereador. Aquele potencial ‘agente de transformação’ eleito pelo voto popular. Ocupante de um cargo que exige, sim, caráter e consciência para legislar, mas que tanto anda em extinção.

Coincidência ou não, ontem tivemos eleições para vereador (e também para prefeito) em todo país. Pleito que exige do eleitor o mesmo caráter e consciência para exercer seu direito cívico - eleitor esse que anda um tanto desacreditado.

Coincidência ou não, ontem eu votei em branco. Eu, que tenho caráter e consciência. Não enxerguei tais atributos nos concorrentes disponíveis. Traí a minha noção democrática branqueando meu voto, um branco de protesto, reflexo do meu desânimo enquanto cidadão. Reconheço minha momentânea fraqueza (pois é, amigo Paulo Carvalho), mas confesso que tudo fiz conscientemente. Com caráter - ainda que também com caturrice.

Contudo, passado o pleito eleitoral, a vida segue. Alheio ao Dia do Vereador e à minha atuação enquanto eleitor, sigo em frente. Persistindo na minha noção de caráter. Valendo-me da minha consciência. Acreditando que amanhã eu poderei ser melhor que hoje, afinal, democracia é isso mesmo. Viver, também.

sábado, 4 de outubro de 2008

Justo Veríssimo Vive!


“Eu odeio pobre! Eu quero que o pobre se exploda!”. Quem não lembra do personagem de Chico Anísio, genial caricatura dos políticos brasileiros? Pois é. Justo Veríssimo vive! E é nele que eu vou votar!

Juro que tentei pensar diferente. Olhei atentamente para as propagandas, busquei informações na internet, tente descobrir um que fosse no horário eleitoral gratuito. Em vão. Eleitor em Olinda e defensor do voto como ferramenta de transformação pelo cidadão, curvo-me à falta de opções para votar com coerência.

Perdoem-me os possíveis bons políticos (seria isso um paradoxo?) que aí estão pleiteando vaga no poder público, mas ocultar-me-ei nessas eleições. Vou amarelar - aliás, branquear. E tudo por não enxergar o perfil sério, honesto e trabalhador que esses cargos demandam, afinal, votar em branco soa mais ‘justo’ que eleger quem não considero ideal. Por isso mesmo reafirmo: Justo Veríssimo vive! E é nele que eu vou votar!

É isso. Vou dar a ele o meu voto. Branco. Da cor do preconceito social que ele pregava e que tão bem refletia (e ainda reflete) a classe política brasileira. Branco neles! E os políticos, então, “que se explodam”!

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Dúvida Literal


Olhei para ele
Com uma interrogação na cabeça,
Pontuação que refletia
Uma dúvida literal:

Quem o escraviza sou eu
Com meus anseios pueris,
Ou é ele que me mantém preso
Em tenros braços paginais?

Antes que tivesse a mente um curto
E eu uma reação descomunal,
Ousei agir com mãos vazias
E encerrei a questão com um ponto final:

Fechei o livro.

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

O Sem Nome


O homem velho barbado já morreu. Assim como Zeus, foi confundido. Badalado em cada sinagoga, permanece como símbolo de uma ignorância manipuladora, objeto supremo das religiões.

Deus... Que já foi visto como guerreiro... Que ainda é temido... Que sempre foi humanizado... ‘Imagem e semelhança’ do fracasso humano...

Deus não é um nome próprio. Muito menos um rótulo. Ele é um 'sem nome', um complexo extraordinário de natureza desconhecida. Não é o santo dos santos. Nem o pai que a humanidade tanto anseia. Muito menos alguém cujos maiores atributos é ser ‘bom’, ‘justo’ e ‘fiel’, como tanto apregoam - isso eu tento ser. Ele apenas É.

Então, d’onde vem a pretensa onisciência e onipresença dessa extraordinária força? Vem de nós mesmos. Nós somos a experiência carnal de Deus. Somos Seus olhos e ouvidos. A Sua consciência. E vivemos com a missão (ignorada pela maioria) de tornar esse planeta mais divino.

Deus... O que estamos fazendo com o reino teu? Vale a pena a reflexão. Boa semana a todos...

sábado, 27 de setembro de 2008

Sonhar é Preciso

Ontem sonhei
Assim como hoje
Amanhã sonharei
Esperança é doce
Criança ainda sou
Amanhã sonharei...



Eu sou um sonho. E continuo a sonhar. À noite. Ao dia. A todo instante. Sonho que sou um homem bom. Sonho que o meu trabalho vale a pena. Sonho que escrever é a minha realidade - ainda que muitos persistam em me ignorar. Apenas sonho.

O universo onírico é real. Combustível para os loucos amantes da vida. Visão palpável. Antídoto. Solução para aqueles que acreditam que o mundo não é um inferno - apesar dos ‘demônios’ que por aqui vagueiam.

Onírico. Assim é o planeta Terra e toda essa vida transitória e fugaz. Onírico eu sou. E persistirei nessa busca pela minha própria realidade. Afinal, sonhar é preciso...

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

O Bonitinho


O bonitinho é primo do feinho. O bonzinho é afilhado do ruinzinho. Inveja boa é desculpa de amarelo. Sentir pena é comer barro. Eita mundinho...

Diminutivo é graça. Piadinha de gosto duvidoso para justificar a besteira nossa de cada dia. Afinal, desejar o que é do outro nunca é bom - inveja é o disfarce do ‘bonitinho’. Assistencialismo é pena disfarçada de caridade - é o 'bonzinho' em ação.

A gente é o cão chupando limão. Travestido de bonzinho. Com cara de bonitinho. De ‘inho’ em ‘inho’ a gente vai ficando cada vez mais diminutivo, levando nossa vidinha nesse mundinho.

E por conta desse post legalzinho, alguém pode até argumentar que ‘inho’ + ‘inho’ = ‘ão’. Hum! Enraçadinho...

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

A Saúde Vai Mal...


As duas pernas quebradas. O estômago dorido. O coração taquicárdico. A cabeça a ponto de explodir. É... A saúde vai mal...

No Recife (e em muitas cidades do país) as filas crescem. Faltam profissionais. Óbitos aumentam. O caos consome o que deveria ser o maior ‘bem’ humano. É... A saúde vai mal...

E enquanto aos mais abastados resta alguma indignação (ou, para a maioria desses, indiferença), os menos afortunados sucumbem diante da ineficácia do sistema público de saúde - e da incompetência daqueles que o gerem.

É... A saúde vai mesmo mal...

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Tem Gente Que Pensa...

Eu não pensava
Que tu pensavas.
Ele não pensava também.
E nós pensávamos
Que vós não pensáveis.
Eles, não.

É...
Tem gente que pensa...
.
.

Tem gente que pensa que é grande - mas sequer prevê o tamanho da queda. Tem gente que pensa que pensa - e sequer raciocina as próprias ações. Tem que gente que pensa que é gente - quando ainda não aprendeu o que é ser humano.

Anteontem, no bairro do Curado, no Recife, o segurança da subestação de energia da Celpe, Edmílson Lisboa (43), morreu eletrocutado ao tentar retirar uma pipa que ficara enganchada nos fios de alta tensão. Na boa vontade de ajudar, pensou que era grande... E não previu o tamanho da queda...

Ontem, a desempregada Taciana dos Anjos foi presa no Recife com 535 gramas de cocaína prensada, escondida numa embalagem de absorventes. Os R$ 500,00 que receberia em troca do transporte da droga ficaram para trás, assim como a própria liberdade. No intuito de trilhar o caminho mais ‘fácil’, pensou que pensava... E não raciocinou as conseqüências das suas ações...

Hoje, o traficante Marcos Santana, mais conhecido como Coringa, um dos mais procurados do Rio de Janeiro, foi preso na capital pernambucana. Após cometer vários crimes por lá, estabeleceu-se por aqui e abriu uma loja de artigos de festas. Acreditando estar acima de tudo (e de todos), pensou que era gente... Quando sequer aprendeu o que é ser humano...

Pois é... Pensar é bom. Raciocinar é melhor. Aprender a viver, contudo, é fundamental...

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

O Planeta Que 'Desce Redondo'

O carro corre.
A bicicleta anda.
O celular vibra.
A câmera vê.
O CD toca.
A noite cai.
A palavra fere.
A mente engana.
O planeta clama.
O homem desanda...
.
.
.
.
O globo terrestre não é mais redondo. A globalização anda longe de unir todos os extremos. A coletividade não consegue ser una. O planeta Terra anda mesmo fragmentado.

Breve exemplo: enquanto engenheiros ingleses estão desenvolvendo o ‘Projeto Floresta Sahara’, que visa combinar tecnologias para transformar imensas áreas desérticas em terrenos férteis (sabe-se lá que interesses estão por trás disso), a ONU tentou recentemente arrecadar 30 milhões de dólares para amenizar a fome na Etiópia, mas só conseguiu 01 milhão e 600 mil das nações mais ricas.

É. O globo terrestre não é mais redondo. Aqui, tudo pende para os extremos. Movido a poder. A dinheiro. A ilusão. E na Terra em que a propaganda é a ‘alma’ (do negócio), nada melhor do que ilustrar esse breve post com o planeta que ‘desce redondo’.

(E não tem ‘Lei Seca’ que dê jeito)...