terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Dona Portuga Foi Molestada!


Dona Portuga foi molestada! A bela senhora portuguesa teve a língua reformada. Cortaram o seu trema. Mexeram nas suas acentuações. E também no seu hífen. Com prefixos e sufixos remexidos, restou-lhe chegar a 2009, assim, invadida em suas intimidades.

Há, contudo, quem a considere melhor agora, ‘amaciada’, cheia de novidades quentes no seu ir e vir. Outros preferiam a senhora ‘virgem’ de outrora, boa, velha, cheia de charminhos. Certo, porém, é que andaram mexendo no ‘imexível’.

Pois é. Uma das mais complexas línguas do mundo está dando trabalho até para quem já era íntimo dela. Absorver suas novas particularidades é um desafio, tão apaixonante quanto antes, quando se buscava saciar o insaciável. Talvez seja essa reforma o acentuar de uma relação, que vai ganhando assim tons mais ardentes.

Mas, fique tranquila, Dona Portuga! Manter-me-ei fiel a ti! Ainda que molestada, continuas bela, atraente, apaixonante. Tua língua é a minha, não duvideis. E assim seguiremos em frente...

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

E Haja Cocô!!!


Caucaia, no Ceará, anda merecendo o título de ‘capital nacional do cocô’. Isso porque, nessa semana, o novo prefeito da cidade (recém empossado) deparou-se com um depósito abarrotado com 290 mil rolos de papel higiênico. Mais que absurda, a compra foi realizada pela prefeita que deixou o cargo – e a preços salgadíssimos.

As autoridades agora estão tentando provar o óbvio: a existência de irregularidades na compra dos produtos. Coisas de Brasil. Onde não se sabe fazer política. Onde não se sabe administrar com responsabilidade. Onde papel higiênico tem prioridade ante tantas outras ‘necessidades básicas’.

Oito mil e quatrocentos quilômetros de papel higiênico para uma população de cerca de 250 mil habitantes. É... E haja cocô!!!

quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

O Que é um Ano Novo?


31 de dezembro. Dia mundial da touca no cabelo (nunca vi tanta mulher ‘toucada’!!!). Também, dia de desejar um ‘feliz ano novo’ pra quem quer que seja. Mas... O que é um ano novo?

O desejo só é mesmo válido quando seguido de um esforço consciente em torno da pretensa mudança. O que mudamos do ano passado pra cá? O quanto temos nos esforçado para fazer dos anos entrantes realmente novos?

Da superficialidade de palavras voantes, espero um ano efetivamente novo para mim - novo de boas novas, fruto de uma ação consciente. E também para você, meu caro amigo e leitor. Um ano composto por 365 dias de efetivos esforços para se alcançar um ano realmente novo e feliz.

Eis o meu mais profundo desejo, a toda humanidade. Que assim seja, então...

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Natal em Nós

“Se quer ser amado, comece por amar aqueles que necessitam do seu amor”.
(Paramahansa Yogananda)




Nosso Natal é um fiasco, espelho da pobreza moral que (ainda) nos compõe. Tantos necessitando de amor, diuturnamente, e nós nos descabelando por presentes, brigando por produtos em lojas e supermercados, ignorando a realidade das nossas existências: amar.

Nesse período marcado pela hipocrisia, desejo (a nós!) o exercício permanente de paciência e boa vontade para com os nossos, de respeito e autoconhecimento para conosco mesmos e, acima de tudo, de amor para com o nosso planeta e semelhantes.

Quem sabe assim, um dia, lembremos em vida da grandeza do mestre aniversariante. E, como seus semelhantes mais fiéis (como o próprio Yogananda), aprendamos a nos preocupar mais em amar do que em receber amor.

Que o Natal seja um movimento constante em todos os dias da nossa vida...

Sidney Nicéas

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Alegria Concreta? Materialismo abstrato!


É natal! A paz reina na terra! Época de alegria em que crimes não acontecem! Fome não há! As famílias se entendem e se confraternizam sem o menor rancor! Tristeza não existe! O que importa é o amor – dinheiro não!

(Cai o véu)

Shoppings lotados. Gastança desenfreada de um lado. Cobiça inevitável de outro. Desequilíbrio. Hipocrisia familiar acentuada. Multiplicação da bebedeira – alegria confundida com embriaguez. O símbolo pueril do Papai Noel cada vez mais desgastado. Mas não importa... É natal!

(de quem mesmo?)

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Assertiva Sobre o Silêncio

Onde jaz?

Quando a escuridão rasga a luz
E a noite invade o espaço diurno
E o passar das horas silencia o mundo
E o sono impera ante a conturbação...
Silêncio me torno.

Madrugada em mim.
Quietude sem fim.
O que sou, enfim.

Mas, eis que o sol de novo surge
E o mundo inquieto retorna
E o homem ansioso acorda
E a vida competitiva novamente urge...
Silêncio me falta.
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Onde jaz?


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Vivemos e deixamos a mente tudo comandar. Somos escravos do que pensamos. Subjugados pela avidez mental. Impulsivos. Ansiosos. Cerebrais.

Dominar a mente. Deixar fluir o silêncio. Ouvir o ‘vazio’ interior. Eis o desafio em vida. Ser equilíbrio ao invés de agitação. Discernir. Ser consciente de si. Menos cérebro. Mais coração...

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Fé Demais Não Cheira Bem


Pedir. Querer. AGIR. Acreditar... Obter e achar que o ‘milagre’ vem ‘de fora’. Interessante a noção de fé do ser humano.

A ignorância da massa cria uma aura milagrosa em torno da crença. O viver ‘de fora para dentro’ faz do homem escravo da própria ignorância, um ser alheio aos poderes milagrosos que possui. Quando entenderemos, enfim, que nós somos a expressão divina? Que depende de cada um a realização dos milagres de cada dia? Que ter fé é tão somente acreditar no poder que há em si - e assim ‘remover montanhas’?

Inevitável não tocar nesse assunto quando aqui, no Recife, o povo mostra sua face mais humana ante os festejos em homenagem a Nossa Senhora da Conceição, cujo feriado municipal aconteceu na segunda-feira (08). Lágrimas, joelhos feridos, pagamentos de promessas dos mais variados, uma entrega cega a uma tradição popular. Enquanto cultura, vejo esse um movimento rico do nosso povo. Enquanto crença religiosa, ainda que muito respeite, enxergo uma distorcida noção do que é ter fé.

O velho (e sempre atual) Jesus já dizia há uns dois mil anos atrás: “Vós sois deuses”. E o homem, que nunca acreditou em si, recheou suas crenças com outros homens transformados em santos (igualmente deuses, só que conscientes dessa perene condição), transferindo a estes suas responsabilidades, escondidas sob o véu da incapacidade.

Nós somos deuses, sim! E ao invés de nos expormos criando e pagando promessas em nome de santos rotulados por nós mesmos, deveríamos dedicar toda essa energia e disposição para sermos melhores no dia-a-dia. Deveríamos, diariamente, criar e pagar as promessas de sermos pessoas menos egoístas, mais generosas, mais pacíficas. E, assim, assumirmos uma condição mais digna de ‘deuses’.

‘Fé Demais não cheira bem’, título de uma comédia cinematográfica dos anos 90, talvez muito bem resuma a nossa fé: farta de atitudes eloqüentes, escassa de razão e consistência. Até quando?

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Falando Nisso...


Vamos fazer amor? Não “aquilo” que todo mundo confunde com “isso”, mas amor como real amar; amor de dar e receber, não “daquele” jeito que se faz na hora “h”, mas sim de como se deve fazer em todas as horas do viver.

Fazer “aquilo” é bom, bom mesmo se feito com amor, esse “isso” que compensa tudo, seja “naquilo”, seja lá como for. Comer? Coma com amor, mas não “comer” como “naquilo”, que faz “isso” ter até sabor, mas faça do ato um momento de louvor, fazendo da comida o extrair do seu real sabor. Mas não “daquele” jeito, tal... Você esta me entendendo.

Nesses “issos”, “aquilos” e “eticeteras” também está o amor, esse vintém inesgotável que embala pais e filhos e segue intacto, geração após geração, desde que o tempo é tempo, mesmo com todos os poréns. E justo nesses poréns, de tão simples o amor banalizou-se, passou a viver banido do coração dos homens, maquiado em véus de paixão e sexo, escondido entre a liberdade e a libertinagem finita.

Por isso hoje é mais fácil fazer a dor do que amor, “ficar” do que amar, matar do que dar amor. A preguiça nossa de cada dia, que nos impede de labutar o correto e nos impele a faturar por rápidas vias, acaba por fazer do amor distante. Acha-se melhor comprar pronto do que fazer, ignorar do que agir, acomodar-se a ajudar. Daí a real felicidade e o verdadeiro bem-estar nunca surgirem da ociosidade ou da inércia forçada, focada na obtenção de vantagens por caminhos curtos e egocêntricos; vem mesmo é da vontade e da disciplina, que move o esforço para amar, doar e dar sem nada querer receber.

Falando nisso, que tal fazer amor? Você já sabe que é “isso” e não “aquilo”... Então? Capacidade intrínseca tem todo ser, não há desculpas para dizer que não pode. Um “sorriso” a um estranho; um “obrigado” simpático ao empregado da padaria; o “desculpa” ao colega de trabalho; o gostoso “brincar”, ainda que breve, com o filho ou filha; o profundo “eu te amo” para a esposa ou marido... Isso é amar, é viver com a alegria de estar aqui e de ter a oportunidade de sorrir e fazer com que o outro se sinta melhor.

Experimente amar mais vezes durante o dia. “Isso” vai fazer você se sentir tão bem quanto fazer “aquilo”. Não é tão difícil e é simples. E, depois, sei que você vai sempre afirmar: “é... Foi bom pra mim”...
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Texto publicado no livro "O Que Importa é o Caminho", de Sidney Nicéas. Pedidos: snoliii@gmail.com

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Homens Urubu

(Continuação do post 'Homens Vira-Lata')
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Não! Não estou me referindo aos viventes em lixões, produtos não-recicláveis da paupérrima sociedade humana – cidadãos sem cidadania. Reporto-me, sim, aos aproveitadores de plantão. Gente que se diz gente, mas que vive de olho no que há de mais podre. Usurpadores. Normalmente, auto-intitulados ‘marginais sociais’, queixosos quanto aos ‘sanguessugas’ do poder, mas que não perdem uma oportunidade sequer de fazer igual (ou pior) – cidadãos que desconhecem o que isso significa.

São os homens urubu. Domingo eles se revelaram sem pudores no Recife. Aproveitando-se de uma tragédia – a queda de um bimotor num bairro da cidade – e do conseqüente caos, partiram para o ataque ao invés de socorrer as vítimas. Os sobreviventes do acidente relataram que, ainda feridos na aeronave recém-caída, tiveram seus bolsos revirados e pertences subtraídos por curiosos que se amontoaram no local, antes mesmo de qualquer socorro. Eles, a carniça, vítimas dos homens urubu.

Que vergonha de ser humano... E enquanto o mundo gira nessa carniça toda, continuo a questionar: aonde essa geração vai nos levar?

domingo, 23 de novembro de 2008

Homens Vira-Lata


Não! Não me refiro aqui aos andarilhos maltrapilhos que vagueiam pelas grandes cidades, desafortunados ‘sem rumo e sem dono’ - cidadãos sem pátria. Reporto-me, sim, aos sem educação, sem cultura e sem civilidade, que desbravam a noite como se sozinhos estivessem nesse vasto planeta - cidadãos que desconhecem o que isso significa.

São os homens vira-lata. Normalmente têm posses, acesso, pais... Mas não têm educação. Desfilam sem o menor estilo, muitos deles com suas roupinhas de grife e com seus carrinhos de estimação, sempre à caça do sexo (igual ou oposto). Costumam beber sem limites. Desrespeitam os horários de descanso dos outros. Usam a madrugada para mostrar que não têm pedigree: aumentam o som dos carros em volumes exagerados, gritam, brigam, urinam em qualquer lugar nas vias públicas, assim como fazem sexo em lugar qualquer (e com parceiro qualquer).

Quem mora perto de bar ou boate sabe muito bem identificar essa espécie humana. Homens e mulheres que não conhecem (ou ignoram) o que significa limite e respeito. Iguais entre si, como uma massa de moribundos que não sabe o que é ser gente. Pensam que são responsáveis (porque trabalham ou porque podem sair sozinhos à noite), mas não passam de crianças brincando de vida adulta, ainda que tenham faixas etárias variadas.

Os homens vira-lata são aqueles filhos cujos pais não têm noção do futuro que os aguarda. Preocupam-se com o planeta que deixarão para eles no amanhã, mas esquecem que filhos estão deixando para esse mesmo planeta.

Pois é... Aonde essa geração irá nos levar?