sexta-feira, 29 de junho de 2012
O Traço e o Risco
Traço um traço,
Risco e me arrisco
Nesse riscado,
Escrevo
E me atrevo a escrever.
Pena que a pena
Que agora me serve às ideias
É esferográfica...
E a tinta acabou.
(poesia publicada no meu primeiro livro, "O Que Importa é o Caminho", de 2004)
quarta-feira, 23 de maio de 2012
A Ilusão da Mídia (e dos Famosos)
Escândalos. Sensacionalismo.
Manipulação. Hipocrisia. Eis alguns dos adjetivos mais certeiros para aquilo
que chamamos de mídia. Uma pobreza só...
Um dia, a
atriz que nunca aceitou proposta para posar nua, tem fotos pessoais sem roupa
vazadas na internet (se tirava fotos nua em casa é porque tinha vontade não?). E,
tirando a questão da extorsão e da invasão de privacidade, a popularidade da
moça sobe (sabe-se lá o que realmente aconteceu!).
Noutro dia, uma famosa apresentadora faz entrevista exclusiva para falar da vida íntima. Com uma imagem
de “inocência” incompatível com a idade, fez carinha boba o tempo todo e
revelou ter sofrido abusos sexuais na infância (por que não tocou no assunto do
filme em que aparece nua na cama com um garoto de 12 anos?). E, tirando a
gravidade do fato passado, a popularidade da moça sobe.
Essa semana
um vídeo de uma jornalista baiana se multiplicou na web, a loirinha humilhando
o bandido negro acusado de estupro, protagonizando imagens absurdas ao usar do
sarcasmo seguidas vezes para ilustrar a ignorância de linguagem do rapaz (bandido
também é gente e acusado não é criminoso – até que se prove o contrário). E,
tirando o fato das imagens serem de uma matéria “jornalística”, a popularidade
da emissora cresce (nesse caso, à base da negatividade – mas mídia é mídia!).
Não bastassem esses exemplos, uma revista de grande circulação tem seu nome
envolvido no lodo que permeia a política nacional. O poder como meta, não
importa o preço a se pagar. E, tirando a veracidade da denúncia (nessa hora não
dá pra saber quem é mais sujo e quem quer aparecer mais), a popularidade da
revista sobe (também de forma negativa).
“Fale bem ou
mal, mas fale de mim”: artistas, famosos e veículos de comunicação andam de mãos
dadas para gerar audiência a qualquer preço. Os objetivos de manipular a
opinião pública vão cada vez mais percorrendo caminhos menos nobres e mais
mesquinhos. E, tirando a infeliz aculturação geral da massa, continuamos
aumentando as suas popularidades.
Escândalos. Sensacionalismo.
Manipulação. Hipocrisia. Eis alguns dos adjetivos mais certeiros para aquilo
que chamamos de mídia. Uma pobreza só...
sexta-feira, 11 de maio de 2012
Eu Tive Uma Ideia!
Achei que tinha
achado
Algo que perdi
Foi quando me veio a ideia:
Quero achar algo que não perdi!
Foi quando me veio a ideia:
Quero achar algo que não perdi!
Tudo isso causou estranheza
Não perdi por que não achei
Ou não achei por que não perdi?
Não perdi por que não achei
Ou não achei por que não perdi?
Agora estou eu confuso
Perdido no que não achei
Querendo saber como me perdi...
Mas se perdido estou
No que eu não achei
Recorro à quinta estrofe
Que trará a solução!
No que eu não achei
Recorro à quinta estrofe
Que trará a solução!
Foi-se a rima.
Foram-se as ideias.
Adeus, então...
(Sidney Nicéas e Albanizia Diniz)
quinta-feira, 26 de abril de 2012
De Chico a Januários
O
momento musical nosso é pobre. Pouco se faz do novo. Pouco se ousa. Muito se
banaliza. O mercado dita as regras da mesmice e os formatos pré-concebidos se
perpetuam.
Nesse “mar”
sonoro, vez por outra alguém mexe no “caldo”. Chico Science foi um desses.
Misturou um monte de coisas e adicionou novo tempero. Deu oxigênio à música
nacional lá pelos meados dos anos 90. E, de lá pra cá, têm surgido alguns
interessantes projetos inspirados nesse conceito de renovação.
A banda
pernambucana Januários faz parte desse time. Na estrada desde o início desse
ano para tal fim (pois já existia tocando Rock’n Roll), uniu o peso do Rock ao
baião de Luiz Gonzaga e trouxe algo inusitado. “Isso dá rock, velho?”, você
pode se perguntar. Para as cerca de 2000 mil pessoas presentes no show de
estreia, na concha acústica da UFPE, dá sim. E com a verve irreverente que o
velho Lua tinha como marca.
Após
seis meses de laboratório e gravações, a banda está divulgando o primeiro CD e
agendando shows por onde der pra tocar. E tem dado rock, sim senhor, com a
sensibilidade de Luiz Gonzaga soando com voz rouca e guitarra afiada puxando o “fole”.
Ponto pros caras.
De
Chico a Januários há, claro, uma grande diferença de proporções – aqui não cabe,
nem caberia, qualquer tipo de comparação. E talvez você questione o porquê de
rock com baião e que esse tipo de mistura não é lá tão novidade. Pode ser. Mas
que ouvir Gonzagão ao som de guitarras é pra lá de interessante, isso é. Ponto
pros caras.
sexta-feira, 13 de abril de 2012
Sexta-Feira 13. Escureço...
"Capa" do "livro" escrito por um dos assassinos (imagem do JC Online)
A sexta-feira é 13. O dia poderia ser como qualquer outro, mas essa sexta, em particular, reservou-me a escuridão. Deparo-me com mais detalhes sobre os canibais de Garanhuns (PE). Escureço.
Matar. Retirar a pele. Esquartejar. Enterrar os restos. Congelar a carne. Comê-la. Utilizá-la como recheio de salgados que eram vendidos na rua. Escrever um livro relatando com detalhes todos os crimes. Tratar as vítimas como “adolescentes do mal”. Ritual macabro.
Duas mulheres vitimadas por três insanos (um homem e duas mulheres). Que afirmaram “ouvir vozes” ordenando a matança. Que, após os crimes, fizeram compras com o cartão de crédito de uma das vítimas. Mulheres. Atraídas pela oferta de emprego. Assassinadas como se nada fossem.
Com tantos ingredientes, fácil se revoltar. A população saqueou a casa e a incendiou. De nada adianta. Os acusados confessos estão presos. Serão julgados. Condenados. São monstros... Ou apenas seres humanos?
Fácil se revoltar. Mas vale refletir o quanto temos de insanos como os tais assassinos. Uns talvez mais, outros provavelmente menos. Acusar é fácil. Pegamo-nos quantas vezes raivosos, desejando o mal (ainda que não o pratiquemos)? Os pensamentos, contudo, voam. São ações não materializadas. Desejamos a maldade que não temos coragem de fazer (isso quando não a fazemos). Isso é tão ruim quanto, não duvideis – guardadas as justas proporções.
O mal é escuridão – ausência de luz. Somos todos duais. Antes de qualquer raiva ou julgamento dos acusados, sinto compaixão. Lamento pelos atos loucos e malignos tanto quanto pela vida das vítimas. Compartilho a dor dos familiares e ponho-me no lugar deles. Choro por dentro. Escureço...
sábado, 7 de abril de 2012
(in)JUSTIÇA(do)
Eu sou a sede de justiça do mundo. Tu és o dedo acusador da humanidade. Por que se apontar para mim, então?
Está bem. Não sou santo. Nem demônio. Aliás, sou santo e demônio. Assim como tu. Permeando tudo. E todos. A acusação, contudo, não é justa. E se aqui o mal é necessário, ai daquele que o comete.
Saio, então, consciente disso. Não sou vítima. Nem algoz. Aliás, sou vítima e algoz. Assim como tu. Permeando tudo. E todos. A ação consciente, contudo, não é minha. E se agora assim o fazes, colherás.
Torno-me o dedo acusador do mundo. Eu sou a sede. Beba-me...
quarta-feira, 4 de abril de 2012
EGO
"Conhecer os outros é inteligência, conhecer-se a si próprio é verdadeira sabedoria; controlar os outros é força, controlar-se a si próprio é verdadeiro poder".
(Lao-Tse)
O poder de poder nos persegue. Vem da nossa ânsia em querer mais. Do nosso apego às sensações, que nos força a limitação, que gera uma ânsia sem fim. Nunca estamos, assim, satisfeitos. E, nesse jogo, o ego surge imponente.
O ego é o nosso maior inimigo. E também pode ser o nosso maior amigo. Nossa relação com essa personagem meramente humana aponta para o sucesso ou o fracasso em vida. O segredo está na forma como aprendemos a encará-lo e, acima de tudo, de nos relacionar com ele.
Do mendigo miserável que pena na rua ao Presidente dos Estados Unidos, todos somos iguais em essência – uns mais conscientes disso, outros menos. A escala social em nada anula a nossa composição humana. Nossa capacidade de nos conhecer e nos combater, sim.
Não somos o ego. Estamos com ele. Dominá-lo é a meta. De nada adianta amealhar dinheiro, domínio, regalias. Nada disso satisfaz. Dominar-se, sim, é a felicidade. Trabalheira. Exercício permanente. Desafio. É preciso, assim, escolher esse caminho.
E enquanto a maioria dos seres que habitam esse planeta mergulha nas efemeridades da vida, com suas muletas e consolos temporários, há os que buscam a razão. Entre “corrupções”, “bundas” e “violência” há espaço para pensar. Agir. Mudar. É só uma questão de escolha.
quinta-feira, 22 de março de 2012
(Do Virtual ao Real)
A internet é apenas uma extensão da vida social humana.
Nada mais.
Nela, o virtual faz-se cópia do que definimos ser real.
Belo. Feio. Crime. Solidariedade. Hipocrisia. Acusação. Pornografia. Fofoca. Amizade. Falsidade. Amor. Paixão. Curtição. Futilidade. Pensamento em ação (do virtual ao real).
A sociedade humana é apenas a materialização do mundo interior individual.
Nela, o material faz-se cópia do que definimos ser imaterial.
Belo. Feio. Crime. Solidariedade. Hipocrisia. Acusação. Pornografia. Fofoca. Amizade. Falsidade. Amor. Paixão. Curtição. Futilidade. Pensamento em ação (do virtual ao real).
A internet é o invisível palpável da sociedade humana.
O mundo material é o visível do nosso mundo imaterial.
Real e virtual se misturam. Lá e cá. Nós e vós. Eu e você.
Eis a verdadeira conexão. Quer se acredite, quer não.
Somos todos conectados.
Nada mais...
sexta-feira, 16 de março de 2012
"A Grande Ilusão"
Uma adolescente.
Um padre.
Uma confissão.
Uma história inacreditável para os ouvidos de uma garota.
Um inesperado desfecho para um padre temente.
Surpreenda-se com ‘A Grande Ilusão’...
*
Com uma narrativa sagaz e repleta de sensualidade, Sidney Nicéas vai fundo na alma de um padre atormentado pela sua própria natureza sexual, frente a frente com uma adolescente virgem decidida a tê-lo como “o primeiro” da sua vida.
Existe homem santo?
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Esse texto deverá fazer parte da contra-capa do meu novo livro, o romance "A Grande Ilusão". Aguardem...
quinta-feira, 8 de março de 2012
Por um Mundo Mais Efeminado
“A mulher que inspira a humanidade com amor maternal está concedendo a maior bênção que tem”. (Paramahansa Yogananda)
Mulher submissa já era. O mundo masculino já deu. É chegada a hora de efeminar...
Chega da truculência masculina no poder. O mundo masculino rui. E vem ruindo dia a dia, perdido na ânsia pelo poder. Nesse ruir, outro mundo começa a surgir. Menos raivoso. Mais efeminado. Mas há de se ter cuidados.
O mundo não precisa de mulheres masculinizadas. Tatcher, Merkel, Condoleezza, Dilma (?)... Nada de protótipos masculinos de saia. É preciso que a força da sensibilidade e da afetividade invada o globo.
O planeta não precisa de mulheres-homens. Bêbadas. Drogadas. Promíscuas (como muitas que têm surgido por aí). É preciso que o charme e a retilinidade feminina norteiem a nossa tão atribulada vida social.
Não importa o sexo, nem a opção sexual. Importa que a força da mulher se contraponha ao machismo que sempre vigorou e, daí, surja o equilíbrio entre essas forças que aqui habitam. Eis, para mim, o maior significado desse dia de hoje, o Dia Internacional da Mulher.
Mulher submissa já era. O mundo masculino já deu. É chegada a hora de efeminar...
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* Parabéns, mulheres!
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* Parabéns, mulheres!
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