domingo, 7 de outubro de 2012

Deu Branco em Mim


Há anos venho me traindo. Sim. Eu que tanto prezo pela coerência. Que tanto cobro por mudança (começando por mim mesmo). Que tanto me desafio para ser alguém melhor. Venho, sim, me traindo. Mas hoje tomei uma decisão para acabar com isso. E me traí novamente para acabar com as minhas autotraições. Explico.

Ainda votante em Olinda (PE), não consegui encontrar um candidato que merecesse o meu voto. Tentei fazer o que vinha fazendo antes. Votando no “menos ruim em potencial”. Deu não. Eu vinha, sim, me traindo a cada pleito eleitoral, excluindo os péssimos e votando nos “menos ruins”, sem a menor convicção. Traição.

Hoje, todavia, acordei e decidi fazer diferente. Não escolhi ninguém. Ninguém mereceu o meu voto. Assim, evitei a autotraição já referida. Mas a traição perdurou. Meu voto em branco não foi um protesto, mas uma incapacidade de valorizar capazes. E nessa atitude traí-me também por me excluir do processo de gestão da cidade nos próximos quatro anos.

Arrependido? Sim. E não. Decepcionado? Com certeza. Enquanto os projetos políticos tiverem como base a ocupação do poder – e não o interesse da maioria – permanecerei me traindo, quer votando nos “menos ruins”, quer passando em branco.

O voto é fundamental para o processo democrático, mas não se deve perpetuar a lamentável situação política do país. Algo precisa ser feito – e não acredito que votar em branco seja a solução (e não me pergunte qual é, então, porque ainda não sei a resposta). Pois é. Deu branco em mim...

domingo, 12 de agosto de 2012

Pais. País. Em mim...



Pai. Palavra adormecida. Vitimada pela irresponsabilidade e descaso de alguns. Mas não abandonada.

No meu dicionário é presença. Apoio. Exemplo. Carinho. Amor. Dedicação. Esforço. Responsabilidade.

Palavra viva. Enaltecida pelo meu próprio pai. Acentuada pelo amor gigante ao meu filho. Perpetuada pelo meu esforço em ser um filho grato e amoroso e um pai em iguais termos.

Guardo em mim a imagem de quando criança. Meu herói. Espelho. Meta. E continua assim.

Tenho em mim esse reflexo brilhando em meu filho. Minha cria. Motivação. Esteio. E miro esse perpetuar em mim.

Nessas linhas simples, homenageio o meu pai, José Luiz, e o meu filho, Victor Hugo. E homenageio, enfim, também a mim. Sim. Afinal, somos um. Simples assim...

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Uma Nova Etapa...


"A Grande Ilusão" saiu do forno. Será lançado amanhã (sábado 04) em São Paulo e dia 23 desse mês em Recife. Ganhará o Brasil a partir de setembro. É a largada para uma nova etapa. O trabalho continua!

Nesse processo natural, algumas novidades surgirão - aliás, já estão surgindo e vou noticiando-as quando for pertinente. De momento quero tão somente exibir o novo visual deste blog e publicar o teaser do livro, já divulgado pelas redes sociais (assista abaixo).

Vamos que vamos!!!


sexta-feira, 29 de junho de 2012

O Traço e o Risco



Traço um traço,
Risco e me arrisco
Nesse riscado,
Escrevo
E me atrevo a escrever.


Pena que a pena
Que agora me serve às ideias
É esferográfica...


E a tinta acabou.


(poesia publicada no meu primeiro livro, "O Que Importa é o Caminho", de 2004)

quarta-feira, 23 de maio de 2012

A Ilusão da Mídia (e dos Famosos)


Escândalos. Sensacionalismo. Manipulação. Hipocrisia. Eis alguns dos adjetivos mais certeiros para aquilo que chamamos de mídia. Uma pobreza só...

Um dia, a atriz que nunca aceitou proposta para posar nua, tem fotos pessoais sem roupa vazadas na internet (se tirava fotos nua em casa é porque tinha vontade não?). E, tirando a questão da extorsão e da invasão de privacidade, a popularidade da moça sobe (sabe-se lá o que realmente aconteceu!).

Noutro dia, uma famosa apresentadora faz entrevista exclusiva para falar da vida íntima. Com uma imagem de “inocência” incompatível com a idade, fez carinha boba o tempo todo e revelou ter sofrido abusos sexuais na infância (por que não tocou no assunto do filme em que aparece nua na cama com um garoto de 12 anos?). E, tirando a gravidade do fato passado, a popularidade da moça sobe.

Essa semana um vídeo de uma jornalista baiana se multiplicou na web, a loirinha humilhando o bandido negro acusado de estupro, protagonizando imagens absurdas ao usar do sarcasmo seguidas vezes para ilustrar a ignorância de linguagem do rapaz (bandido também é gente e acusado não é criminoso – até que se prove o contrário). E, tirando o fato das imagens serem de uma matéria “jornalística”, a popularidade da emissora cresce (nesse caso, à base da negatividade – mas mídia é mídia!).

Não bastassem esses exemplos, uma revista de grande circulação tem seu nome envolvido no lodo que permeia a política nacional. O poder como meta, não importa o preço a se pagar. E, tirando a veracidade da denúncia (nessa hora não dá pra saber quem é mais sujo e quem quer aparecer mais), a popularidade da revista sobe (também de forma negativa).

“Fale bem ou mal, mas fale de mim”: artistas, famosos e veículos de comunicação andam de mãos dadas para gerar audiência a qualquer preço. Os objetivos de manipular a opinião pública vão cada vez mais percorrendo caminhos menos nobres e mais mesquinhos. E, tirando a infeliz aculturação geral da massa, continuamos aumentando as suas popularidades.

Escândalos. Sensacionalismo. Manipulação. Hipocrisia. Eis alguns dos adjetivos mais certeiros para aquilo que chamamos de mídia. Uma pobreza só...

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Eu Tive Uma Ideia!



Achei que tinha achado
Algo que perdi
Foi quando me veio a ideia:
Quero achar algo que não perdi!
Tudo isso causou estranheza
Não perdi por que não achei
Ou não achei por que não perdi?

Agora estou eu confuso
Perdido no que não achei
Querendo saber como me perdi...

Mas se perdido estou
No que eu não achei
Recorro à quinta estrofe
Que trará a solução!

Foi-se a rima.
Foram-se as ideias.
Adeus, então...

(Sidney Nicéas e Albanizia Diniz)


quinta-feira, 26 de abril de 2012

De Chico a Januários



O momento musical nosso é pobre. Pouco se faz do novo. Pouco se ousa. Muito se banaliza. O mercado dita as regras da mesmice e os formatos pré-concebidos se perpetuam.

Nesse “mar” sonoro, vez por outra alguém mexe no “caldo”. Chico Science foi um desses. Misturou um monte de coisas e adicionou novo tempero. Deu oxigênio à música nacional lá pelos meados dos anos 90. E, de lá pra cá, têm surgido alguns interessantes projetos inspirados nesse conceito de renovação.

A banda pernambucana Januários faz parte desse time. Na estrada desde o início desse ano para tal fim (pois já existia tocando Rock’n Roll), uniu o peso do Rock ao baião de Luiz Gonzaga e trouxe algo inusitado. “Isso dá rock, velho?”, você pode se perguntar. Para as cerca de 2000 mil pessoas presentes no show de estreia, na concha acústica da UFPE, dá sim. E com a verve irreverente que o velho Lua tinha como marca.

Após seis meses de laboratório e gravações, a banda está divulgando o primeiro CD e agendando shows por onde der pra tocar. E tem dado rock, sim senhor, com a sensibilidade de Luiz Gonzaga soando com voz rouca e guitarra afiada puxando o “fole”. Ponto pros caras.

De Chico a Januários há, claro, uma grande diferença de proporções – aqui não cabe, nem caberia, qualquer tipo de comparação. E talvez você questione o porquê de rock com baião e que esse tipo de mistura não é lá tão novidade. Pode ser. Mas que ouvir Gonzagão ao som de guitarras é pra lá de interessante, isso é. Ponto pros caras.

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Sexta-Feira 13. Escureço...

"Capa" do "livro" escrito por um dos assassinos (imagem do JC Online)



A sexta-feira é 13. O dia poderia ser como qualquer outro, mas essa sexta, em particular, reservou-me a escuridão. Deparo-me com mais detalhes sobre os canibais de Garanhuns (PE). Escureço.

Matar. Retirar a pele. Esquartejar. Enterrar os restos. Congelar a carne. Comê-la. Utilizá-la como recheio de salgados que eram vendidos na rua. Escrever um livro relatando com detalhes todos os crimes. Tratar as vítimas como “adolescentes do mal”. Ritual macabro.

Duas mulheres vitimadas por três insanos (um homem e duas mulheres). Que afirmaram “ouvir vozes” ordenando a matança. Que, após os crimes, fizeram compras com o cartão de crédito de uma das vítimas. Mulheres. Atraídas pela oferta de emprego. Assassinadas como se nada fossem.

Com tantos ingredientes, fácil se revoltar. A população saqueou a casa e a incendiou. De nada adianta. Os acusados confessos estão presos. Serão julgados. Condenados. São monstros... Ou apenas seres humanos?

Fácil se revoltar. Mas vale refletir o quanto temos de insanos como os tais assassinos. Uns talvez mais, outros provavelmente menos. Acusar é fácil. Pegamo-nos quantas vezes raivosos, desejando o mal (ainda que não o pratiquemos)? Os pensamentos, contudo, voam. São ações não materializadas. Desejamos a maldade que não temos coragem de fazer (isso quando não a fazemos). Isso é tão ruim quanto, não duvideis – guardadas as justas proporções.

O mal é escuridão – ausência de luz. Somos todos duais. Antes de qualquer raiva ou julgamento dos acusados, sinto compaixão. Lamento pelos atos loucos e malignos tanto quanto pela vida das vítimas. Compartilho a dor dos familiares e ponho-me no lugar deles. Choro por dentro. Escureço...

sábado, 7 de abril de 2012

(in)JUSTIÇA(do)




Eu sou a sede de justiça do mundo. Tu és o dedo acusador da humanidade. Por que se apontar para mim, então?

Está bem. Não sou santo. Nem demônio. Aliás, sou santo e demônio. Assim como tu. Permeando tudo. E todos. A acusação, contudo, não é justa. E se aqui o mal é necessário, ai daquele que o comete.

Saio, então, consciente disso. Não sou vítima. Nem algoz. Aliás, sou vítima e algoz. Assim como tu. Permeando tudo. E todos. A ação consciente, contudo, não é minha. E se agora assim o fazes, colherás.

Torno-me o dedo acusador do mundo. Eu sou a sede. Beba-me...

quarta-feira, 4 de abril de 2012

EGO

"Conhecer os outros é inteligência, conhecer-se a si próprio é verdadeira sabedoria; controlar os outros é força, controlar-se a si próprio é verdadeiro poder".
(Lao-Tse)






O poder de poder nos persegue. Vem da nossa ânsia em querer mais. Do nosso apego às sensações, que nos força a limitação, que gera uma ânsia sem fim. Nunca estamos, assim, satisfeitos. E, nesse jogo, o ego surge imponente.

O ego é o nosso maior inimigo. E também pode ser o nosso maior amigo. Nossa relação com essa personagem meramente humana aponta para o sucesso ou o fracasso em vida. O segredo está na forma como aprendemos a encará-lo e, acima de tudo, de nos relacionar com ele.

Do mendigo miserável que pena na rua ao Presidente dos Estados Unidos, todos somos iguais em essência – uns mais conscientes disso, outros menos. A escala social em nada anula a nossa composição humana. Nossa capacidade de nos conhecer e nos combater, sim.

Não somos o ego. Estamos com ele. Dominá-lo é a meta. De nada adianta amealhar dinheiro, domínio, regalias. Nada disso satisfaz. Dominar-se, sim, é a felicidade. Trabalheira. Exercício permanente. Desafio. É preciso, assim, escolher esse caminho.

E enquanto a maioria dos seres que habitam esse planeta mergulha nas efemeridades da vida, com suas muletas e consolos temporários, há os que buscam a razão. Entre “corrupções”, “bundas” e “violência” há espaço para pensar. Agir. Mudar. É só uma questão de escolha.