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O ‘a’ penado.
O ‘e’ brioso.
O ‘i’ limitado.
O ‘o’ culto.
O ‘u’ fanado.
Há paradoxos em ti.
Única sílaba em vós.
Há antagonismos em mim.
Muitas vogais em nós...
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Somos seres interessantes. Cultuamos o belo e adoramos o trágico. Enaltecemos o morto e desvalorizamos os que dividem a vida conosco. Amamos e odiamos. Levamos tempo para construir o ‘bom’ e em segundos jogamos tudo para o alto.
Nas manchetes dos jornais de hoje (e também de todos os dias), encontramos o curioso antagonismo que nos preenche: o taxista preso envolvido com o tráfico de drogas; o padre afastado por abuso sexual; as meninas anoréxicas em busca da beleza; mãe e filho envolvidos em assassinato; alunos em passeata pela paz. Aonde queremos chegar? Quando entenderemos o que realmente somos? Quando escolheremos ser mais?
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Você deve estar se perguntado do por que da imagem que ilustra esse post. Pois bem. Nada melhor do que esse forte retrato do nosso Brasil para realçar a noção de antagonismo aqui explorada: a gestante buscando no lixo o alimento (seu e do ainda feto); a degradação de uma grande e marginalizada parcela da população; a nossa ação ou inanição ante a vida coletiva. Sim, não tenho dúvidas: há muitas vogais em nós...


O JC de hoje traz matéria interessante sobre as pessoas nascidas e registradas em 29 de fevereiro, que aniversariam de 4 em 4 anos. Quando a li já tinha escrito o texto postado acima, ainda assim, não pude deixar de perceber o quanto a nossa vida social é frágil. E essa fragilidade está bem representada na foto abaixo: um homem palestino enterrando seu filho de 6 meses, morto ontem após um ataque israelense na Faixa de Gaza. Triste realidade...



