segunda-feira, 10 de março de 2008

Interrogação

O presente
É o futuro do passado.
O futuro
É o hoje do amanhã.
O passado é pretérito,
Hoje do ontem,
Ontem do hoje e do amanhã.

O que tens feito
Com o teu tempo, então?

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Ontem passou e nada postei. Não foi questão de mera ociosidade, apenas um domingo regado a trabalho, utilizado para ‘cobrir’ pendências não concluídas durante a semana. Isso me trouxe a questão do viver, do viver bem e do viver melhor (o que fazer do próprio tempo). Não seria o primeiro dia da semana de total descanso? Teria eu infringido tal ‘lei’? O que é mais produtivo, então?

Eis o foco de hoje: o tempo, o ser e a produtividade.

Estamos ‘presos’ num ciclo temporal - passageiro, é verdade, mas não menos aprisionador. O que é mais ‘correto’, então? Ser rigidamente disciplinado ou buscar mais liberdade? Viver as regras do jogo ou infringi-las quando bem entender? Ser ou ter? Qual a melhor interrogação?



Para realçar os questionamentos acima e acirrar as opiniões, deixo a lembrança do genial Ray Charles: cego, independente, livre, original. Ainda que tenha ‘quebrado’ muitas regras, viveu aprisionado a um trauma de infância; ainda que negro, uniu um povo racista através da música; ainda que cego, marcou a história de um mundo que teima em não enxergar. Talvez seja essa a receita, unir os opostos e abrir a cabeça, fazer o que deseja e manter uma certa disciplina, ser antagônico quando todos são iguais. Somos regidos por inúmeras leis, mas podemos ser livres...

O que estamos fazendo com o nosso tempo, então?

sábado, 8 de março de 2008

Distorções de um Mundo Dividido

“E assim Deus criou a mulher”...
(ecos sobre a fantástica alegoria de Adão e Eva)

- Dizem que a expulsão do paraíso aconteceu após a primeira TPM de Eva - Adão que o diga!

- Dizem que o pecado original surgiu da zoofilia – Adão não agüentou o breve jejum sexual, quando Eva menstruou pela primeira vez, e créu (!) no pobre do burrinho...

- Dizem que Adão foi o primeiro ‘corno’ do mundo... (claro que foi o burrinho que ‘chifrou’ ele, né???)

- Agora, falando sério, dizem que Deus criou a mulher para ser tudo o que Ele É... (por isso elas são tão maravilhosas...)



08 de março, Dia Internacional da Mulher. Inevitável enaltecer a força do sexo feminino no mundo. A sensibilidade nata no foco preciso - maravilhosamente expressa no inquestionável sexto sentido -, o dom materno, a sensualidade, a delicadeza, a absoluta habilidade em se dividir sem perder a própria unidade; a capacidade de ser atraente e sexy sem ser vulgar - a não ser quando quer -, o tino administrativo aguçado, a beleza única em todo universo... Eis, aqui, o meu olhar sobre o fantástico e intrigante sexo feminino.

Olhando por esse prisma, evidente que a data se fundamenta - até porque ela se originou em homenagem a centenas de operárias americanas, massacradas em meados de 1800. Contudo, esse festejar internacional revela a ainda fragilidade nas relações sociais humanas. A sociedade engatinha na questão da justiça e da igualdade: patina na relação homem e mulher, escorrega feio na questão da homossexualidade e ainda se machuca pra valer nas relações inter-raciais.

Nesse contexto, desnecessário é dizer que o Dia Internacional da Mulher será, um dia, dispensável - assim como todas as outras datas surgidas em nome da igualdade e da justiça. Não tenho dúvidas que, no amanhã, quando entendermos enfim o que é viver em coletividade, esses festejos perderão vez. Aí não teremos mais esses dias comemorativos, recheados das distorções do nosso mundo dividido; seremos justos e iguais todos os dias com o nosso semelhante: homens, mulheres, homossexuais, negros, brancos, adultos, crianças, ricos, pobres...

Mas, enquanto essa época não chega, sigamos nos esforçando, hoje, para estender a idéia de cada comemoração em nosso dia-a-dia, tratando todo e qualquer ser humano com respeito, dignidade e igualdade. Por isso mesmo, façamos das mulheres companheiras de jornada, como na verdade são, indispensáveis para o mundo que queremos ter.

E obrigado, ‘deusas na carne’, por assim existir...

sexta-feira, 7 de março de 2008

Desiguais

Somos diferentes
Mas com idêntica fonte,
Idêntico Pai,
Essências reais.

O que nos põe em confronto?
O que nos impele a atritar?
O que nos faz desiguais?



Brasil

A Super Interessante de março traz matéria de capa contundente: um olhar miúdo sobre as prisões brasileiras. Não bastassem tantas desigualdades numa sociedade hipócrita, o texto revela o submundo do crime no seio do sistema carcerário do país. Assusta ver o que acontece com quem entra em ‘cana’, especialmente os chamados ‘piolhos’ - gíria para os iniciantes nos delitos. Nas cadeias e prisões nacionais, questões como a homossexualidade, as visitas das parceiras, os preços pagos para comer e dormir, o comando do crime via celular, as extorsões... Tudo isso é revelado com olhar honesto.

Marcante também é a constatação da triste realidade nos presídios femininos, principalmente em relação à homossexualidade. Isso porque, quando a mulher é presa, normalmente é abandonada pelo parceiro e fica à mercê das lésbicas. Muitas transformam os próprios conceitos e preconceitos para não ficarem entregues à solidão.

Quanta desigualdade... Para quem ainda não consegue sequer se socializar, falar em re-socialização parece utopia. Quando aprenderemos o que é justiça e o que é humanidade?


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Mundo

Outra interessante matéria da revista traz ‘mudanças’ nos mapas do mundo, tendo como foco o comparativo econômico entre Estados, Países e Continentes. Através desse olhar, Pernambuco é tão rico quanto o Camboja; a Bahia é tão rica quanto o Kwait; São Paulo é tão rico quanto a Argentina. Sob outro prisma, as vendas da Nike são do tamanho do PIB da Níger; as da Nokia equivalem à riqueza de Camarões; as riquezas do Banco do Brasil superam as de Mali. Seguindo ainda com novo foco, o Estado da Califórnia tem o PIB do Brasil; o Texas, o da Coréia do Sul; Nova Iorque o de todo o México.

São exemplos curiosos que revelam o quanto nosso mundo é desigual - em renda, em ideais, em justiça.

quinta-feira, 6 de março de 2008

Genialidade...

Até onde
O intelecto meu
Conduzir-me-á?

Crio-me e recrio-me;
Sou e faço ser;
Testo e atesto-me
Em todas as instâncias minhas.

Mas,
Até onde o intelecto meu
Realmente conduzir-me-á?

(Poesia "O Gênio", integrante do livro "O Rei, a Sombra e a Máscara - Parte III: A Moral da Moral", de Sidney Nicéas - ainda a ser lançado)

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Existem gênios? Quem pode ser considerado acima da média nesse quesito? O que faz de nós gênios? Em Goiânia, um garoto de 8 anos passou no vestibular para cursar Direito. João Victor (foto) quer ser Juiz Federal e é considerado um aluno exemplar – para sua mãe, ele é apenas “interessado e motivado”. João já se matriculou e quer fazer o curso em concomitância com a escola. Sorte? Genialidade?

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Na novela global das 18 horas, um ator vem ‘roubando’ a cena. Portador da Síndrome de Down, André Varella, além de ator, é poeta e toca alguns instrumentos musicais. Ainda que com uma certa limitação por conta da Síndrome, André tem desenvoltura e atua com naturalidade. Inclusive, será a estrela de um espetáculo produzido por Lima Duarte, ainda sem data de estréia. Genialidade?

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Exemplos na história do nosso planeta não faltam: Jesus, Aristóteles, Mozart, Disney, Pelé... Descartando as circunstâncias de época, o que foram eles? Homens com grande capacidade intelectual? Pessoas que nasceram com sorte? Figuras espertas que aproveitaram suas oportunidades? Estudiosos? Gênios?
E você, acha que poder ser mais???

quarta-feira, 5 de março de 2008

Limites

Tenho como divisa a virtual linha que define o meu e o seu direito. Somos todos um, é bem verdade, mas ainda dispostos numa condição social e humana que não nos permite ignorar isso...


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Porter é um garoto americano, uma das estrelas de um time de basquete de Utah. Ele também é titular de uma equipe de basebol e tornou-se uma das sensações da sua escola, considerado pela maioria como um exemplo a ser seguido. Tudo isso seria ‘comum’ se se referisse a uma estrela de Hollywood, ou até mesmo a alguém superdotado. Mas, não. Estamos falando de um jovem rapaz que perdeu o braço direito num acidente de carro, quando era criança. Isso mesmo. Ainda que com apenas o braço esquerdo, joga muito e mostra a todos o quanto é possível superar limites. “As dificuldades aparecem ao longo da vida e o segredo é enfrentá-las” – frase do vencedor...


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O exemplo do jovem americano é só mais um nesse vasto mundo. Contudo, ele deixa uma sensação paradoxal: por que, na maioria das vezes, precisamos ‘perder’ algo para nos superar? Nascemos numa sociedade limitadora, fundamentada no medo e na não-aceitação. Crescemos temendo um Deus que pune, sendo educados com um excesso de ‘não’s, acreditando que somos ‘pecadores’, pobres e fracos. A cada dia descubro que sou mais, que podemos ir muito além do que somos, que Deus faz parte de mim – e vice-versa – e que a vida é uma ilusão necessária, um tempo em que se deve explorar os limites de nós mesmos. Quando, enfim, libertaremos esse ser poderoso que em nosso âmago habita? Até quando permaneceremos amiudados?

terça-feira, 4 de março de 2008

Vogais em Nós...


O ‘a’ penado.
O ‘e’ brioso.
O ‘i’ limitado.
O ‘o’ culto.
O ‘u’ fanado.

Há paradoxos em ti.
Única sílaba em vós.
Há antagonismos em mim.
Muitas vogais em nós...


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Somos seres interessantes. Cultuamos o belo e adoramos o trágico. Enaltecemos o morto e desvalorizamos os que dividem a vida conosco. Amamos e odiamos. Levamos tempo para construir o ‘bom’ e em segundos jogamos tudo para o alto.

Nas manchetes dos jornais de hoje (e também de todos os dias), encontramos o curioso antagonismo que nos preenche: o taxista preso envolvido com o tráfico de drogas; o padre afastado por abuso sexual; as meninas anoréxicas em busca da beleza; mãe e filho envolvidos em assassinato; alunos em passeata pela paz. Aonde queremos chegar? Quando entenderemos o que realmente somos? Quando escolheremos ser mais?


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Você deve estar se perguntado do por que da imagem que ilustra esse post. Pois bem. Nada melhor do que esse forte retrato do nosso Brasil para realçar a noção de antagonismo aqui explorada: a gestante buscando no lixo o alimento (seu e do ainda feto); a degradação de uma grande e marginalizada parcela da população; a nossa ação ou inanição ante a vida coletiva. Sim, não tenho dúvidas: há muitas vogais em nós...

segunda-feira, 3 de março de 2008

Diga-me se sou Deus

Sim! Meu Deus sou eu!

Porque se posse atingir a felicidade
Com as minhas próprias pernas...
Se posso alçar a minha mente
Para além do planeta Terra...
Se posso fazer valer a minha força
Para ter a vida eterna...

Sim, sou Deus!

Deus está em mim,
Está aqui, ali,
Em cima, embaixo,
Onde procurar eu acho.

Deus não é alguém.
Deus não é ninguém.
Deus apenas É
E eu sou também...


Hoje li duas matérias que me chamaram a atenção, ambas veiculadas na BBC Brasil e ligadas à visão humana de espiritualidade. A primeira, revela que uma garotinha nepalesa de 11 anos, Sajani Shakya, decidiu se aposentar. É que a menina era considerada, desde os seus dois anos de idade, uma Kumari - ou deusa viva - e, após a família decidir que ela passaria por um casamento simbólico (ritual comum na infância), ela abdicou do título. Hoje, teme não ser bem aceita socialmente por não ostentar tal honraria.

A outra notícia veio da índia e refere-se a um transexual inglês, Stephen Louis Cooper, que há pouco mais de dois meses vive em Becharaji e, lá, é considerado por milhares de adoradores como um mensageiro de Bahuchar Mata – deusa dos eunucos indianos. Adotando o nome de Pema, Cooper pretende ficar por lá, se possível, o resto de sua vida. “As pessoas aqui têm sido muito amáveis. Eles tocam meus pés e, quando eu toco suas cabeças, sinto amor e alegria - pura e imaculada", declarou.

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A poesia-título (publicada no meu primeiro livro, “O Que Importa é o Caminho”), remete-nos a condição de ser Deus. Quem duvida disso? Não foi Jesus um homem extraordinário - Deus na carne? Pois bem. As notícias aqui comentadas trouxeram à lume a visão que o ser humano tem do que é divino. Continuamos buscando Deus fora de nós, em outrem, numa transcendência utópica. Deus é como nós. Nós somos como Deus. E por isso devemos ser mais alegres, mais gratos, mais amorosos, mais humanos... Eis uma verdade indubitável, que habita nosso interior e espera o nosso despertar. Alguém duvida disso?

domingo, 2 de março de 2008

O Dia Seguinte...

Hoje é domingo. Inevitável a lembrança do dia seguinte. Segunda-feira... Que tem demais? Segundo dia da semana (claro, domingo é o primeiro), este dia ficou estigmatizado na sociedade humana. É o dia de retorno ao trabalho, a volta de um domingo de descanso, o reinício da batalha cotidiana...

Segundo estudo realizado no mercado financeiro pela Fundação Getúlio Vargas, até o pregão da Bolsa de Valores sofre nesse dia, em média, com um índice de ganhos 0,7% menor que os demais dias da semana. E esse índice é semelhante em outros países.

Mas há outras considerações a se fazer sobre essa questão. Primeiro, o foco do ser humano, sempre curto, enxergando um dia como outro qualquer como vilão. Ora, o tempo terreno é feito de ciclos e a vida humana, idem. É preciso aprender a recomeçar. Isso se chama oportunidade, não sacrifício.

Também, vale o registro da tendência ao ócio. Culturalmente, aprendemos que o paraíso é um mar de ociosidade, prêmio para os ‘bons’, que passarão a eternidade tocando harpa e trocando idéias com anjos gordinhos, especialistas na arte de não fazer nada. Balela! O trabalho é bênção. O que seria do homem sem ocupação? O que seria da vida sem doação? O que seria do universo sem ação produtiva?

Finalizando minhas considerações, chego no ponto ‘G’: o medo, o temor nosso de cada dia em fazer valer nossa individualidade ante uma vida social coletiva. Somos, sim, adeptos do medo. Tememos perder o emprego, mas odiamos a segunda-feira; tememos a falta de dinheiro, mas trabalhamos queixosos; reclamamos das atitudes alheias, mas insistimos em machucar as pessoas. Não somos filhos do medo, mas agimos com subjugo em relação a ele. Quando aprendermos a ser a rica essência que verdadeiramente somos, talvez olhemos para a segunda-feira com alegria, aproveitando a oportunidade de ser mais.

Mas, enquanto não chegamos lá, vamos nos solidarizando com o velho Garfield, que vive dizendo que a segunda-feira é um péssimo dia, ‘o dia da torta na cara’. Será mesmo?

sábado, 1 de março de 2008

Prateleira

Longe da estante
Vi o porta-retratos
Tua foto, um instante
Meus olhos pegos num flagrante
Distantes da imagem real.

Pego-me sem saber quem sou...

Eu, tu, a foto e o porta-retratos:Quem somos nós, afinal?



São Paulo vive momento intrigante. De acordo com matéria da ISTOÉ, luzes têm aparecido no céu nas madrugadas paulistas, além de grandes marcas nos canaviais têm sido encontradas nas manhãs seguintes (foto). Essas cidades do interior estão virando centro das atenções de ufólogos e curiosos, ávidos para comprovar a existência dos OVNI’s e, mais ainda, de vida extraterrena.

Pois bem. Não tenho dúvidas de que não estamos sozinhos nesse vasto universo. Ainda que a vida humana seja feita de um complexo extraordinário, sei o quanto o ser humano deixa a desejar, especialmente no aspecto moral. Seria muita pretensão acreditar sermos únicos num universo infinito, ‘homenzinhos beges’ (em contraponto com os que batizamos de ‘homenzinhos verdes’), que não utilizam nem 10% de sua capacidade real.
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Nesse aspecto particular, vejo o céu como uma imensa prateleira, reunindo todas as verdades que para nós ainda são mistério. “Quem somos nós, afinal?”.

sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

O Dia Que Nunca Existiu

Hoje não acordei. Não sonhei, não babei a fronha do travesseiro, nem sequer abri os olhos, enxergando-me numa sexta-feira de trabalho e sentindo o cansaço da semana em meus ombros doridos.

Hoje não levantei da cama. Não senti o calor matinal, nem ouvi o cantar dos pássaros, nem parei para olhar a vida lá fora pela janela. Não senti o sol queimando minhas escamas ressequidas do ontem, nem o vento que varria a saudade do dia anterior e balançava as folhas das árvores - fiéis, graciosas, aprisionadas.

Hoje não comi. Não escovei os dentes. Não esvaziei a bexiga. Não briguei com ninguém, nem fiz amor, nem sexo. Não falei, não andei, não desejei nada. Não sorri, não chorei, não cantei, não me decepcionei. Não falhei, nem acertei. Não fui vítima, nem algoz. Não me preocupei com a violência. Não temi o desconhecido. Não pedi dinheiro emprestado. Não rasguei cartas de amor, nem fiquei emocionado. Nada.

Hoje não fui eu. Hoje nem sequer foi hoje, 29 de fevereiro, data alheia aos últimos quatro anos. Eis um dia que nunca existiu. Quem sabe esse dia que não vivi tenha sido o mais feliz de todos os tempos? Quem sabe tenha sido uma amostra utópica do que é viver? Quem sabe nem tenha sido? Quem sabe?

Hoje não acabou. E se daqui a quatro anos eu ainda for, quem sabe esse hoje esteja lá, vívido em mim? Aí terei eu conquistado a mestria de viver com o doce gostinho da felicidade...

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O JC de hoje traz matéria interessante sobre as pessoas nascidas e registradas em 29 de fevereiro, que aniversariam de 4 em 4 anos. Quando a li já tinha escrito o texto postado acima, ainda assim, não pude deixar de perceber o quanto a nossa vida social é frágil. E essa fragilidade está bem representada na foto abaixo: um homem palestino enterrando seu filho de 6 meses, morto ontem após um ataque israelense na Faixa de Gaza. Triste realidade...



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Mas, pra não ficar só no lado trágico da vida, deixo um vídeo excelente (um pouco longo, mas que vale a pena conferir!), pra lá de positivo, que pode ser visto através do link: