segunda-feira, 13 de abril de 2009

O Que é Estar Vivo, Afinal?


Nascer... Morrer. E nesse hiato vivente - indeterminado e sob circunstâncias das mais diversas - estamos nós, seres humanos, confinados nesse corpo morrente. O que estamos fazendo aqui? O que é real e o que é ilusão nesse contexto? Sob que “verdades” vivemos? O que é estar vivo, afinal?


PROMOÇÃO
Essa é a primeira promoção do Blog De 2 em 2, que está completando 01 ano de vida, e que vai ofertar como prêmios 01 par de convites para assistir a qualquer filme no Cine Rosa e Silva + 01 exemplar do livro “O Que Importa é o Caminho”, de Sidney Nicéas, com dedicatória do autor.

Para participar, bastar responder ao questionamento proposto acima ("O Que é Estar Vivo, Afinal?") e enviar por e-mail para: snoliii@gmail.com (não valerão os comentários postados aqui). A resposta mais interessante levará o prêmio. A promoção tem validade até 30 de abril de 2009.

O objetivo da promoção é comemorar o aniversário de 01 ano do Blog, estimular a reflexão a respeito do tema e, principalmente, promover uma maior interação com o público leitor desse espaço.

Vamos lá! Já que o Blog tem recebido tantos e-mails e comentários interessantíssimos... Não custa nada participar, né? E ainda concorrer aos prêmios... Mãos a obra!

terça-feira, 7 de abril de 2009

O Lado B(om)



Fulano perdeu o vôo. Cinco minutos o separaram da aeronave que o levaria a uma importante reunião de negócios. Sem o avião (e a conseqüente viagem), as possibilidades de insucesso para a empresa em que trabalhava eram inevitáveis – e as conseqüências para si, idem. Nervoso, brigou, discutiu, foi até contido por seguranças no aeroporto. E a sua ira só foi atenuada minutos depois, com a confirmação da queda da aeronave pouco após a decolagem...
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Cicrano não sentiu lágrima nos olhos. Somente o peito apertado, coração atônito, descompassado. A rudeza daquele homem que agora estava sendo enterrado – seu pai – ia ruindo sob a terra fria; a austeridade de um homem bom que em sua vida não mais estava. O sepultamento, assim, não alterou os hiatos existentes naquela relação, mas, ao menos, trouxe à tona a lembrança do amor que, por tortuosas linhas, permeou a convivência entre pai e filho. E eis que uma única e abundante lágrima rolou dos seus olhos...
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Beltrano caminhava pela rua portando uma arma na cintura. Mirando as poucas pessoas que por lá transitavam, tentava ‘encontrar’ a ‘vítima perfeita’. Concentrado, percebeu a velha senhora que atravessava a via. Presa fácil. Alvo ideal para a ação pretendida. Decidido, colocou a mão sob a camisa e agarrou o cabo do revólver. Antes de tomar a iniciativa, viu a senhora se aproximar e fitá-lo com um imenso sorriso no rosto. Surpreendentemente intimidado, pensou: ‘Meu Deus! Parece com a minha falecida avó!”. E vacilou. E sentou no meio fio. E, chorando, sentiu-se o mais vil dos homens...
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Nada é certo. Nada é errado. TUDO na vida tem um lado B. TODOS nessa vida têm um lado bom. Alguém duvida disso?

segunda-feira, 23 de março de 2009

Arabela


Chagas. Eis a alcunha do ex-noivo tatuada na mão direita. Tiras de tinta que não se tira – nem da pele, nem do coração. E lá se foi o laser invadindo a tez como se fosse isso lazer.

Pele queimada, Chagas se foi. E deixou nela uma última chaga: cicatriz na mão direita, dor no coração que não se endireita mais.

A beleza de Arabela acinzentou. Cinzas descamadas sobre a cama. O sorriso refletiu a ironia de um pensamento: “Só rindo mesmo”... Pó em grão. Sol e não. Solidão.

Onde está o teu amor agora, Arabela? Na mão? Ou no coração?
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(Da Série "Os Dedos Por Trás da Língua", de Sidney Nicéas)

quinta-feira, 19 de março de 2009

Venhamos e Convenhamos!


Aborto. Excomunhão. Máquina de lavar. Preservativo. Essas foram as palavras mais pronunciadas pelo mundo católico nas últimas semanas. E me fizeram lembrar do papel da religião na vida humana (não somente da católica, mas de todas elas espalhadas pelo globo terrestre) – qual é mesmo?

Enquanto as religiões apregoam suas ‘filosofias’, os ‘fiéis’ agem na contramão. Afinal, num planeta onde a maioria dos bilhões de habitantes afirma ser seguidora de alguma seita, por que vivemos mergulhados na inferioridade moral? Condena-se o aborto e o número deles só cresce; rejeita-se o preservativo e o seu uso é cada vez maior – ainda bem, embora por trás disso muito se estimule a promiscuidade; repudia-se a violência e ela impera nos quatro cantos do mundo. Qual o sentido disso tudo?

Ao invés da fé raciocinada vemos manipulações. Interesses institucionais sobrepõem-se aos espirituais e morais. Homens falíveis apresentam-se como santidades. Filosofias são forjadas para captar dinheiro. O poder corrói as intenções. E o verdadeiro sentido do ‘religare’ se perde nessas vãs filosofias.

Jesus. Buda. Krishna. Gandhi. Madre Teresa. Yogananda. Irmã Dulce. Chico Xavier. Dom Hélder Câmara... Homens extraordinários. Pregadores do amor como verdadeira religião, sem rótulos nem bandeiras segregadoras. Seres de diferentes regiões, conectados não pelo propósito institucional, mas sim pela essência divina do homem, tão ignorada por todos.

Venhamos e convenhamos! Qual o papel das religiões em nosso mundo, afinal? Vale a pena a reflexão...

sábado, 14 de março de 2009

Homofobola


Já passou o tempo em que assumir a própria homossexualidade era algo catastrófico (será mesmo?). A verdade é que o mundo hoje é bem mais ‘colorido’. E não há segmento que se exclua. Nem mesmo o mundo do futebol.

Das aventuras de Ronaldo com travestis ao jeito nada másculo de Richarlyson, o universo da bola, sempre tão ‘masculino’, esconde o seu lado mais gay. Bom, pelo menos escondia...

Na rodada da última quarta-feira pelo Campeonato Pernambucano, um lance em especial chamou a atenção. E não foi o gol de Mondragon, goleiro do Sete de Setembro, nem o petardo de Igor, do Central. A cena mais marcante – e praticamente ignorada pela mídia – foi o selinho de Anderson Lessa em Adriano Magrão, na comemoração do primeiro gol do Náutico contra o Salgueiro.

Beijinho na boca entre dois marmanjos em pleno campo de jogo? Pois é. Eu vi. E ainda que isso não seja fato isolado nesse planeta, não deixa de chamar a atenção, especialmente pelo fato de que o futebol tem sido associado, desde sempre, a coisa de ‘macho’. Ainda mais aqui em Pernambuco.

Tem gente dizendo por aí que os dois citados atletas são bastante íntimos. Outros, que tudo não passou de uma infeliz coincidência – os lábios se encontrarem. Bom: a verdade é que ninguém tem nada a ver com isso, afinal, o que danado interessa a opção sexual dos outros?

É... Talvez isso seja o que eu poderia definir como ‘homofobola’ – a homofobia ainda tão acentuada no universo da bola. E enquanto a humanidade vai quebrando suas barreiras, o mundo do futebol persiste nesse ‘esconde-esconde’ – será mesmo?

quinta-feira, 12 de março de 2009

Entrevista com o 'Dom'


- Aborto é crime, Dom?
- Claro que sim!
- Certo. Mas, e o caso da menina de nove anos que...
- Excomungada!
- E os médicos?
- Excomungados!
- Mas eles fizeram isso para salvar a vida dela...
- Excomungados!
- Mas a lei permite...
- Excomungados, oras!!!

Breve silêncio.

- Mas os pais dela o senhor também...
- Excomungados! Todos eles!!!

Novo silêncio no recinto. Desta feita, o entrevistador tenta usar sua habilidade.

- Está certo. Mas o senhor poderia explicar melhor essa coisa da excomunhão?
- Você não sabe?
- Sei, sim. Mas é que...
- Excomunhão, ora (!), é a punição máxima dada pela igreja católica. Estão todos perdidos!
- Mas Jesus não pregou a misericórdia e...
- Por mim, vão queimar no inferno!
- Mesmo que se arrependam depois?
- Aí posso até negociar, no máximo, um purgatoriozinho...

O silêncio retorna.

- Dom, e o padrasto que abusou da menina? Ele também foi excomungado?
- Não...
- Por quê?
- Bom... Ele não matou ninguém, não feriu as normas da igre...
- E pedófilo estuprador entra no reino do céu?
- Mas é que ele ainda pode se regenerar e...
- E por que o senhor não o excomunga também???

O silêncio precedeu a resposta do arcebispo.

- É isso aí! Está Excomungado!
- Mas ele disse que é evangélico...

O Dom ficou sem ação. O entrevistador ‘caiu’ em cima.

- Que punição é essa, hein, Dom? Ou deveria dizer... deus?

Cara avermelhada e olhar enfezado, o arcebispo retrucou:

- Se o senhor não sair daqui agora, também estará excomungado!

O entrevistador se levantou e, caminhando em direção à saída, deixou suas últimas palavras:

- Está bem então, Dom. Como eu também não sou católico... Vejo o senhor no quinto dos infernos!!!
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(Sidney Nicéas)

sexta-feira, 6 de março de 2009

Quem Quer Viver Para Sempre?

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Pálpebras cerradas. Membros enrijecidos. Matéria inerte. Aqui jaz um cadáver. Corpo agora ‘oco’, em decomposição, iniciando a ‘volta ao pó’. Para onde fostes, ser vivo?

Lágrima nos olhos, eis os ‘ficantes’. Aprisionados pela sensação de perda material. Confundindo o ‘ser’ com o ‘corpo’. Agora, sim, lembrando do lado bom daquele que se foi – ignorando que mais defeitos viam quando o indivíduo outrora vivo estava.

Outro ceifou. E outro. Mais outro. E assim é a cada segundo nesse plano. Morrer é uma constante. Tola, contudo, é a crença humana que desfaz a lógica ao acreditar que a vida é finita – e que a morte é uma perda irreparável.

Apreensão... Novo choro é ouvido. Lágrimas, agora, só de alegria. E enquanto uns partem, outros chegam. As gerações se sucedem. O ciclo vital se perpetua. A humanidade se renova. E o plano do (ainda) desconhecido permanece a mover as engrenagens da vida nesse intrigante planeta chamado Terra...
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Lembrança, companheira inefável daqueles que ficam. Hoje lembrei do meu irmão caçula, dos meus avós paternos, da minha ex-cunhada – todos já se foram, mas continuam vívidos em mim. Daí, olhei para o meu filho, hoje com 11 anos de idade. Pensei na minha sobrinha, ainda bebê. Da minha vizinha que ontem mesmo deu a luz... E esse paralelo se fez presente.

Pois é... Quem quer viver para sempre?

domingo, 1 de março de 2009

O País de Um Eixo Só - Parte 2


Corroborando com a postagem do dia 30/10/08 (LEIA AQUI) e, claro, completando-a, eis que a Rede Globo, mostrando o seu sentido mais avesso de ‘nacionalidade’, ‘jogou’ o futebol carioca Nordeste adentro.

Agora, Pernambuco e os demais estados nordestinos não possuem mais um bloco exclusivo do ‘Globo Esporte’. As notícias esportivas locais são veiculadas dentro do noticiário estadual (aqui, o NETV). No horário outrora destinado às afiliadas, o nordestino tem ‘empurrado goela abaixo’ as notícias do futebol carioca...

O que somos? Cariocas, por acaso?

Essa é só mais uma peça pregada pela Globo. Uma peça bairrista e mesquinha. E não me venham falar de auto-preconceito (e que a emissora alterou seu quadro por outras ‘razões’ – se houvesse alguma ‘razão’ para tal, o espaço poderia muito bem ser preenchido com notícias realmente nacionais). Não bastasse ter o eixo Rio-São Paulo inundando a programação ‘nacional’ da emissora, agora vem mais essa.

Hoje, domingo, 1º de março de 2009, liguei a TV pretendendo assistir ao jogo do Campeonato Pernambucano, Vitória x Sport. Ainda passava o famigerado Domingão do Faustão. E eis que o apresentador anunciou, ignorando outros diversos jogos que seriam transmitidos pelas afiliadas Brasil afora: “Você vai conferir agora Santos e São Paulo e a final da Taça Guanabara entre Resende e Botafogo”.

O que somos? Paulistas e cariocas, por acaso?

Enquanto o futebol do Rio de Janeiro sobrevive graças a esquemas milionários escusos, a maior emissora do país mostra que dessa lama faz parte - e ignora o ‘todo’ para enfatizar única vertente. Alimenta essa ânsia de fazer os clubes do citado eixo (não só os cariocas) cada vez maiores – o resto que se dane. Enfim, acentua as enormes diferenças desse Brasil gigante. E olhe que estou me referindo aqui apenas ao futebol...

O que somos? Idiotas???

Deixar de assistir o canal não é solução (afinal, a TV é gratuita e tem obrigação de ser nacional). É preciso mostrar que não somos trouxas. Que somos o berço dessa nação e que merecemos, sim, respeito, igualdade e valorização. Quer saber como? Basta divulgar isso e enviar um montão de e-mails para lá externando, com toda a educação peculiar ao povo nordestino, que não somos idiotas:

Webmail do Globo.com: webm@redeglobo.com.br
PE360 Graus: http://pe360graus.globo.com/pe360graus/faleconosco.aspx
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OBS.: a imagem não é criação minha - ela já existe há algum tempo e vive rolando pela web...

sábado, 21 de fevereiro de 2009

Carne e Cultura


Na calçada, o homem permanecia sentado. Quase paralisado. Cabisbaixo. Olhar perdido rumo ao calçamento. Camisa de bloco dependurada no ombro esquerdo. Bêbado. Acabado naquele momento de ressaca após o (fugaz) êxtase. É carnaval...

Eis que retorna ao nosso calendário a ‘festa da carne’. Folia pagã de longa data – há alguns séculos também inserida nos conceitos canônicos da igreja católica. Festança que, no Brasil, multiplicou ainda mais a sua riqueza enquanto manifestação popular. Também, ganhou contornos peculiares em cada região desse vasto território, proporcionando em larga escala momentos em que a carne e a cultura se misturam, formando um antagonismo irônico.

Há pelo menos dez dias o país ferve com os festejos pré-carnavalescos. Em Recife e Olinda Blocos, troças, shows, bailes, desfiles. E o início da chamada folia de momo começa mesmo no sábado de Zé Pereira, indo até a quarta-feira de cinzas.

Aí começa uma infinidade de ritos e cores. Folclore e alegria sem idade. Focos de animação (quase) sem fronteiras sociais. Música e dança com variações regionais das mais diversas. Bebida alcoólica em excesso. Embriaguez e êxtase. Crimes e violência em multiplicidade. Sexo desvairado. Ilusão. Ressaca... Carne e cultura.

Que o diga o homem de meia idade sentado na calçada, conforme narrado no início: folião outrora entusiasmado; assaltado no meio da folia; provável assassino após uma briga com um dos meliantes; embriagado; traído pela mulher (ainda sem saber de nada); ressacado; e agora um tanto anônimo. Personagem real desses tempos de folia. Sem dúvida, exemplo perfeito do antagonismo representado pela carne e cultura.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Futebol Sem Magia


Aos 33 anos, vejo que a magia acabou. E não se trata da constatação de um adulto ante a infância finda, mas, como o título revela, da decadência moral que virou o jogo no mundo do futebol.

Ainda peguei a fase final de um tempo em que se jogava por amor – ao clube, a si próprio, a nação da bola... Mas não ao dinheiro. O tempo em que torcer era algo prazeroso – paixão saudável, familiar, alegria e tristeza como parte do espetáculo. Uma época em que o futebol e a sua magia formavam um casal em tanto. Aonde tudo isso foi parar?

Não bastasse o aumento escancarado das sabotagens, dos roubos explícitos de resultados e cifras, do superdimensionamento dos salários dos atletas, do surgimento das estrelas que brilham mais do que valem, dentre tantos outros deméritos, o futebol agora é sinônimo de violência, insanidade, assassinato.

Torcedores adversários agora são inimigos. Ir ao estádio representa perigo de morte. Usar a camisa do seu clube de coração pode ser um risco fatal. Até um grito de gol, momento mais sublime de uma peleja, pode resultar em crime. Eis o futebol sem magia, semeado nos quatro cantos do Brasil - e do mundo.

E enquanto o planeta bola explode, os cartolas enriquecem. Empresários do ramo multiplicam seus dividendos. Autoridades pouco fazem para coibir tais abusos. Torcedores são tratados como subproduto. E a magia segue em extinção, deixando quase nenhuma sensação de esperança àqueles que, como eu, um dia conheceram o verdadeiro sabor desse esporte.

‘Até que a morte os separe’: o casamento entre futebol e magia está findando com a ironia desse sacramento. O bom senso se foi. A morte nos estádios está sepultando essa magia que um dia existiu. A separação, assim, é inevitável. E lá se vai o ‘felizes para sempre’...