terça-feira, 2 de março de 2010

Apocalypse Now

Os limites imperceptíveis aos olhos se fazem presentes. Terror. Morte. Destruição. Os quatro cantos do globo cada vez mais próximos, untados pelas inevitáveis conseqüências das ações humanas.

A terra sacode. O mar se enerva. O vento se enfurece. Num lado, o calor derrete. Noutro, o frio congela. Os raios solares invadem o invisível com furor. E a vida vai ficando por um fio. Quem reconhece o início do fim?

As imagens das ruínas em cidades diversas, de sobreviventes saqueando lojas, brigando por comida, sofrendo pelas inúmeras perdas – aliadas aos ‘problemas de sempre’, tais como a fome, a miséria e os inúmeros desvios morais – remetem a essa ideia de final.

O fim. Ou reinício. Ponto de “refluxo”. A etapa atraída pelo coletivo, como um desejo inconsciente pelo caos, movido por uma maioria desatenta à verdadeira realidade.

Estamos, sim, mergulhando no caos. O ‘Apocalypse now’. E quem sabe tocaremos com os pés lá no fundo, tomando o impulso renovador para um novo começo? Quem sabe...

Enquanto isso, faço coro a fantástica missionária indiana, Amma, que dedica sua vida a ajudar o próximo: “Nós esquecemos que trabalhar para a restauração da paz e união nesse mundo é o primeiro e mais importante dever de todo ser humano”. Pois é...

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Os Raios e a Questão Homossexual

Pernambuco e Uganda estão mais próximos do que podemos imaginar...

Aqui no Nordeste do Brasil, os raios teimam em cair. Três mortes já foram registradas nos últimos dois meses. Lá na África, uma lei contra o homossexualismo está prestes a ser votada. E, nela, se prevê até pena de morte para a denominada “homossexualidade agravada”.

Aqui, pessoas ameaçadas por um fenômeno natural; lá, pessoas ameaçadas pelas suas preferências sexuais. Mortes ocasionadas por queda de raios acontecem em qualquer lugar do mundo; leis anti-homossexualismo e pena de morte para gays, não – mas, infelizmente, elas existem em algumas nações da Terra.

Os raios em Pernambuco são exemplo contundente das verdadeiras leis (naturais) que regem nosso planeta. O projeto de lei em Uganda vai na contramão, ferindo a liberdade individual e as verdadeiras leis (naturais) que norteiam os seres humanos.

É. Pernambuco e Uganda estão mais próximos do que podemos imaginar...

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Para ajudar a pressão internacional contra a lei em Uganda, assine o protesto mundial movido pela AVAAZ: acesse http://www.avaaz.org/po/uganda_rights/?fr e participe!

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E vale a observação: crime é crime, opção sexual não...

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Mais Um, Menos Um...

“Quando você olhar para o relógio e ele estiver marcando ‘mais um... mais um’..., na verdade ele estará lhe dizendo: ‘menos um... menos um’...

A frase acima pertence ao Sr. Ferreira, personagem do filme Abril Despedaçado, de Walter Salles, película inspirada no livro homônimo de Ismail Kadaré. E embora na obra ela abranja uma situação específica, a sua aplicação na vida humana é contundente. O tempo passa. Os ponteiros seguem. E é nesse ‘mais um, menos um’, que construímos a nossa vida.

A ilusão do tempo foi a ferramenta perfeita encontrada pelo ‘desconhecido’ para ajustar o passo humano. A crença no imediatismo como remédio se desfaz ante o conta-gotas retilíneo e incisivo do andar do relógio. É cura. Experiência. Êxito. Tudo a longo prazo.

Nós, brasileiros, estamos vivendo um tempo marcado pela cobiça. A corrupção é a palavra de ordem – física, moral, intelectual. Uma maioria praticante, que acredita ser esse tempo definitivo. Que ignora a eternidade. Que se esquece do verdadeiro poder – esse sim, imperecível.

Em ano de eleições, a baixaria e a manipulação já invadem as caixas de e-mail. Notícias inverossímeis ou moldadas para tendenciar a opinião alheia. É a tropa querendo conduzir a manada. Camuflando as reais intenções por trás de tudo isso. Gente de ‘lados opostos’, mas de intenções afins quando o assunto é a regalia do poder e a mamata nas fartas tetas do poder público. Gente que anda esquecendo que o relógio anda - quer com chuva, sol, tempestade, terremoto, tsunami...

Estou atento. Olhando para o relógio. Ligado no que me cabe enquanto ser vivente ainda atrelado aos ponteiros. Mas não duvideis: estou fora dessa esculhambação toda. Sigo alheio ao cinismo dessa famigerada classe política. E assim continuarei (ainda que atento para fazer a minha parte no contexto cívico), repetindo a frase do Sr. Ferreira como um mantra em minha mente, direcionando-a para os protagonistas dessa ainda lastimável cena política tupiniquim:

“Quando você olhar para o relógio e ele estiver marcando ‘mais um... mais um’..., na verdade ele estará lhe dizendo: ‘menos um... menos um’...

E o conta-gotas retilíneo do tempo um dia vai me dar razão. Ah, vai...

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Vamos Acabar com a Sacanagem?

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Agora não tem desculpa. A decisão é sua. Tirar o "nariz de palhaço" e fazer estardalhaço está um tantinho mais fácil. Explico...
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Para quem ainda não recebeu algo do gênero por e-mail, vai o link da AVAAZ (clique e confira), organização sem fins lucrativos e que encampou de forma decidida e inteligente um movimento pela aprovação do intitulado projeto da "Ficha Limpa", que, se aprovado, promete impedir que políticos com ficha suja se candidatem a qualquer cargo público no Brasil.
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"Avaaz.org é uma organização independente sem fins lucrativos que visa garantir a representação dos valores da sociedade civil global na política internacional em questões que vão desde o aquecimento global até a guerra no Iraque e direitos humanos. Avaaz não recebe dinheiro de governos ou empresas e é composta por uma equipe global sediada em Londres, Nova York, Paris, Washington DC, Genebra e Rio de Janeiro. Avaaz significa "voz" em várias línguas européias e asiáticas" - trecho publicado no site avazz.org.
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Eu estou cansado de ser tratado como palhaço e já aderi à camapanha. E você? Clique, mande sua mensagem e saiba todos os detalhes... Participe!
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Olha o link completo:

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Futebol x Espetáculo

Uma partida de futebol é um espetáculo. As equipes são as atrações. O torcedor, público pagante. Os clubes são os agentes fidelizadores. Os torcedores, seus principais clientes. Os estádios, palcos seguros e confortáveis para eventos memoráveis.

No Brasil, esses ingredientes nunca foram realidade. A começar pelas agremiações, geridas com uma falta de visão inacreditável. “Empresas” com um potencial incrível, mas que não sabem lidar com a paixão de seus clientes, transformando isso num negócio realmente rentável e de sucesso. O recente ranking de devedores do futebol nacional atesta a incapacidade de gestão dos dirigentes brasileiros.

Em Pernambuco (assim como em todo o país), mais que cases de insucesso dos clubes, os torcedores podem ser considerados as maiores vítimas da falta de profissionalismo e de visão de dirigentes míopes. Clientes tratados como subprodutos. Cidadãos expostos aos mais absurdos procedimentos. Gente que contribui mensalmente com seus clubes, paga ingresso e, em troca, não desfruta de organização, segurança, conforto ou, ao menos, de benefícios concretos.

Falta profissionalismo – dos clubes, das federações, de todos os agentes envolvidos nesse espetáculo chamado futebol. Mudar esse quadro não é nenhum bicho de sete cabeças. Contudo, para fazê-lo, é preciso vontade. Profissionalizar a gestão. Deixar de lado o arcaísmo da insossa mistura de política com futebol. Fazer o óbvio. Trazer ao contexto futebolista a receita que permeia as grandes empresas de qualquer ramo de negócio.

A fórmula repetida e desgastada do nosso futebol tem provocado o afastamento do público. Os ‘clientes’ estão acordando. Os clubes e federações, não. E se o ritmo permanecer, o futebol, símbolo maior desse país gigante, tornar-se-á arena de batalhas nada espetaculares – se é que já não se tornou...

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Vida 'Sem Vida'

Sri Yukteswar Giri, falecido mestre indiano, famoso por entrar em samadhi

Essa semana, na Polônia, um agente funerário abriu o caixão de um cadáver que estava prestes a ser enterrado. Seu objetivo era retirar o relógio do defunto, a pedido da esposa do mesmo. Para sua surpresa, o pulso do homem de 76 anos de idade estava ativo. Ou seja: o defunto estava vivo!

O mistério do senhor que foi dado como morto horas antes do fato acima descrito ainda não foi esclarecido. “Não havia sinais de vida quando sua mulher chamou a ambulância. Um médico constatou que o paciente não estava respirando, não tinha batimentos cardíacos e o corpo estava frio, todas as características de morte”, declarou o agente funerário.

O ‘enigmático’ caso do polonês (que após uma semana no hospital, retomou sua vida normalmente) pode parecer bizarro. Mas não é. Ainda que tenha explicações médicas (até o momento não reveladas), é preciso entender que o corpo nada mais é que um instrumento do espírito para a vivência terrena. E o seu domínio é possível, sim (embora, ao que parece, não seja essa a questão do polonês).

Engana-se quem pensa que só vive quem respira. A literatura indiana é riquíssima em casos de iogues avançados que entram em samadhi (estado em que a consciência do homem se funde com a divina), permanecendo imóveis e sem pulso ou respiração. Mas vivos, evidentemente, voltando à consciência quando bem desejam (Sri Yukteswar foi prova disso).

A nossa mediocridade, refletida nos ínfimos 10% do cérebro que utilizamos, causa uma cegueira absurda. Faz-nos acreditar que somos fracos. Faz-nos ignorar a própria natureza divina. Impele-nos a seguir um caminho obscuro, fazendo-nos taxar de “misteriosos” ou “paranormais” fenômenos que o próprio Jesus Cristo, há cerca de 2000 anos, mostrou-nos ser normais e possíveis.

O polonês não é nenhum iogue. O seu caso, muito provavelmente, será explicado com argumentos médicos verazes. Contudo, é melhor não ignorar o que intitulo de “vida ‘sem vida’”. Ela existe. Quem quiser comprovar, que descubra seus caminhos.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

180


Não é nenhum número cabalístico. Nem um quantificador do que quer que seja. 180 é, na verdade, o número do serviço da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, que orienta vítimas da violência. Um número fundamental, especialmente por conta do momento atual.

Para se ter uma idéia, a cada 15 segundos uma mulher é agredida em todo o mundo. No Brasil, cada vez mais casos ganham repercussão na mídia – vide o recente assassinato de uma cabeleireira pelo seu ex-marido em Minas Gerais, crime flagrado pelas câmeras do salão de beleza em que ela trabalhava.

Segundo pesquisa do IBOPE, encomendada pelo Instituto Avon, que entrevistou 2000 pessoas com mais de 16 anos de idade, em todo Brasil, no ano de 2008, 56% dos entrevistados acreditam que a violência doméstica contra as mulheres é o problema que mais preocupa a brasileira; 56% não confiam na proteção jurídica e policial; 51% defendem a prisão como punição aos agressores.

A pesquisa também identificou que 39% dos que conhecem uma vítima de violência tomaram alguma atitude de colaboração com a mulher agredida. E esse é um dado fundamental, pois em muitos casos o medo e o ‘amor’ pelos agressores fazem a mulher não gerar nenhum tipo de denúncia, o que torna a ajuda de terceiros indispensável.

O número de denúncias de agressões contra mulheres vem crescendo, é verdade. Mas ainda está muito aquém da realidade violenta, mesmo com a Delegacia da Mulher. Denunciar os agressores, cobrar das autoridades providências e se informar sobre como proceder em momentos de ameaças e agressões é fundamental.

O número 180, assim, não é nenhum número cabalístico. Nem um quantificador do que quer que seja. É, sim, uma ferramenta de suma importância para ajudar a acabar com essa covardia masculina.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

A longa Distância Entre o Falar e o Fazer


O tempo passa. E por mais que divida - épocas, ciclos, situações - também soma. Adiciona experiências. Aprendizados. Conhecimentos. E nessa andança as pessoas amam, sofrem, erram, acertam... Vivem.

As relações humanas, assim, passam pelas palavras e pelas ações. Palavras que agregam, irritam, felicitam, ferem. Ações que unem, separam, salvam, machucam, matam. E eis que uma longa distância existe entre o falar e o fazer - ainda que, juntos, ações e palavras possam causar uma revolução.

Cada família é um projeto de vida. E a maior parte das experiências humanas se dá no seio familiar. Onde se acerta. Onde se erra. Onde se vive. Onde, com o passar do tempo, pode-se fazer a vida valer a pena (ou não).

Contudo, o nosso tempo é agora. O que falamos pode não ter sido a intenção. O que fizemos não pode ser mudado, mas transformado. O amanhã, portanto, será fruto dessas escolhas. Lá chegando, olharemos para trás e perceberemos de verdade essa real distância entre o falar e o fazer. E, aí, saberemos se o que foi dito e feito realmente valeram a pena...

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

O Haiti Não é Aqui

O Haiti não é aqui. Nem ali. É um resto de mundo ignorado pelo próprio mundo. Resto... Resto de que, se quase nada resta mais por lá?



É preciso uma tragédia, dessas sem precedentes, para fazer o mundo olhar de verdade para países como o Haiti. Uma das nações mais pobres do mundo – agora, possivelmente a mais miserável. Que, ao que parece, nada tem de interessante para mostrar ao resto do mundo (nem pela sua rica cultura, sua literatura, sua pintura). Que ocupa as manchetes dos noticiários mundiais somente em momentos calamitosos.

Agora se fala em ajuda humanitária. Em investimentos para reconstrução do país. Como se essas coisas fossem novidade. O Haiti, há muito assolado por catástrofes naturais, sempre foi uma nação miserável e esquecida. Será que o país já não precisava de ajuda humanitária e de investimentos?

Ontem, no blog de Tatiana Nascimento, do Diário de Pernambuco, a jornalista publicou um relato contundente de um estudante da UNICAMP que está por lá (junto com um grupo de graduandos em Ciências Sociais dessa universidade), Otávio Calegari: “O que vimos pela cidade hoje e o que ouvimos dos haitianos é: estamos abandonados” (confira o texto completo AQUI).

A voz dos haitianos, percebida pelo estudante, ficou também evidenciada na colocação do Cônsul Geral haitiano em São Paulo, George Samuel Antoine, de que “a desgraça foi boa para nós porque nos dará mais visibilidade”. Essa é uma verdade incômoda. E aos meus ouvidos soou como uma espécie de ‘alívio’ – ‘enfim estão olhando para nós’!



O Haiti não é aqui. Nem ali. É um resto de mundo ignorado pelo próprio mundo. Resto... Resto de que, se quase nada resta mais por lá?

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Nordestão Tremendo...

Foi no Rio Grande do Norte. O tremor de terra que se espalhou para outros estados nordestinos. O que teria provocado esse abalo sísmico? Foi o Nordestão!

Pois é. Estranho a terra tremer por essas bandas de cá. Terra do sol forte e de um povo trabalhador. Terra onde o futebol reina, mas onde a bola rola e o ‘lado de lá’ finge que não vê. Onde os clubes de futebol - e de outras tantas modalidades - lutam uma luta desigual contra os ‘gigantes’ forjados pela mídia ‘nacional’. Onde jogador só é bom quando vai pra ‘lá’ e dá certo.

Pois é. Estranho a terra tremer justamente quando há uma mobilização para trazer de volta o Campeonato do Nordeste - o Nordestão. Quase que numa sincronia incomum com o tremor, a Liga dos Clubes de Futebol do Nordeste convocou as principais agremiações da região para discutir o possível retorno dessa competição. Essa mesma que muitos, como eu, enxergam como solução para o fortalecimento do nosso futebol.

Pois é. Para quem sonha com o futebol do Nordeste um tanto “independente”, o tremor de terra parece um sinal dos céus. Daqueles que prenunciam algo bom após a 'tremedeira'. E caso haja coragem, vontade política e um calendário organizado e compatível com as competições nacionais, poderemos ter um ‘final feliz’ nesse ‘balança mais não cai’.

A tremedeira não provocou nenhum dano sério. A reunião da Liga ainda não aconteceu. Sabe-se lá o que vai rolar daqui pra frente. Pois é...