terça-feira, 11 de maio de 2010

O Que é o Amar...


Um dia todos sentem. Furor que invade o peito e faz qualquer ser perceber que tem, de fato, um coração. Sentimento que chega ainda miúdo, em forma de paixão, mas que, com o passar do tempo, é capaz de assumir formas sublimes.

Em seus galopes mágicos os ponteiros seguem. E nós, deuses acreditando-se mortais, vamos ‘experienciando’ o que chamamos de amor. A paixão amadurece. E as relações duradouras vão-se tornando fortes elos. Mas... O que realmente os fortifica? O que é, então, o amar?

Para entendê-los é preciso ir além, onde habita a inexistência do bem e do mal. E os relacionamentos, tão repletos dessas duas poções, provam que os verdadeiros elos que os compõem são fortalecidos, dia a dia, por erros e acertos, falhas e virtudes, quebras e redenções.

Eis os ingredientes. Há, mesmo assim, quem pense que o que se quebra não se renova. Quem queira acreditar que as falhas e erros são mais contundentes que as virtudes. Enfim, que o que “divide” fala mais alto do que o que une. Pois bem: a essas pessoas o coração sempre diz: “estou aqui”.

Amar, assim, torna-se muito maior do que o conceito limitado desenvolvido através dos tempos pela nossa sociedade. Amar transcende o lado humano. Torna-nos cada vez mais divinos. Faz, enfim, que dois seres se unam, se multipliquem e, assim, exerçam o mais sublime dom, que é mesmo amar.

Não importa o tipo de relacionamento. A verdade é que, quem ainda não encontrou ‘o par’, que espere. Quem já encontrou, que não perca. E quem acha que já perdeu, que se anime: tudo no universo se renova – e essa alquimia se dá exatamente através do amor...

terça-feira, 13 de abril de 2010

A Sede e a Vontade de Beber


Um numeral

Escrito por extenso

Não deixa de ser um numeral.

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Um ser vivo

De carne, sangue e osso

Não deixa de ser espiritual.

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E eu?

Numeral de carne e osso

Escrevendo minha vida por extenso...

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O que sou, afinal?

quinta-feira, 8 de abril de 2010

A Massa

A fila do banco estava pequena. À minha frente um senhor de idade aguardava atendimento preferencial. Seu Biu era como o chamavam. E estava danado a resmungar. “Todo mundo quer dinheiro de qualquer jeito... Querem saber nem de onde o danado vem!”. E emendou: “Eita cambada de aboio!”.

Seu Biu. Roupa simples, jeito matutão, sabedoria aparente. “Cada povo tem o governo que merece!”, complementou. Eu, até agora, não sei a razão dos resmungos dele, contudo, sou obrigado a concordar. Nosso povo vive alheio à realidade – como se esta fosse imutável. Submissão perigosa, que acaba colocando a maioria no rol da “cambada de aboio” de Seu Biu. Boa definição.

Seu Biu é analfabeto. Tem 79 anos de idade. E, segundo ele mesmo, nunca vendeu o voto, não assiste televisão e gosta mesmo é da conversa ao pé do ouvido. Vive dizendo que muitos o consideram meio doido. Mas – disse-me ele – “doida é a massa”. E é essa simplicidade irreverente que muito bem define a nossa sociedade.

A massa. Maioria capaz de viver completamente alheia à maior capacidade humana: a de transformar a realidade. Tão afeita a rótulos dos mais variados. Tão comum. Tão igual. Tanto que sequer percebe o próprio poder mágico interior, capaz de fazer a mais difícil alquimia da vida – ser maior e melhor a cada dia, individual e coletivamente.

Pois é... Seu Biu tem mesmo razão. Melhor ser considerado doido, mas autêntico, do que ser apenas integrante dessa massa infeliz. Pois é...

quinta-feira, 25 de março de 2010

Comoção Nacional?

"Não se deve tachar a televisão de anticultura: cada povo tem o programa que merece".

(Júlio Camargo)



Tantas novelas de níveis questionáveis. Reality Shows deprimentes (será isso um pleonasmo?). Programas de entretenimento de péssimo gosto. Notícias produzidas com intenções duvidosas. E uma participação cada vez maior na vida dos brasileiros, induzindo “tendências” e manipulando o gosto da massa. Eis a Televisão brasileira.

A volta do Caso Nardoni que o diga. Novamente, foco de boa parte da audiência televisiva. Tanto que, dia desses, uma matéria na TV tentava encontrar os porquês de tanta gente se comover em casos como esse... Quanta petulância! Lógico que tudo não passa de produto dessa indução televisiva.

Independentemente da crueldade que permeia o caso, será que teríamos essa “comoção nacional” em crimes que acontecem frequentemente contra crianças aqui em Pernambuco, por exemplo? Será que se a TV não fizesse tanto alarde nesse caso Nardoni, teríamos toda essa repercussão?

É a tal anticultura sugerida por Júlio Camargo, que se encaixa muito bem aqui. O tribunal onde acontece o julgamento do pai e da madrasta de Isabela Nardoni anda lotado de anônimos - todos estes que compõem “o programa que merecem”.

Comoção nacional... Hum! É brincadeira...

sexta-feira, 19 de março de 2010

Divagações de um Beija-Flor

É possível parar no ar - e no tempo - e sentir-se livre - e voando?

É possível invadir a flor - e a vida -, ter o seu mais doce sabor e não despedaçá-la?

É possível ser pequeno e ao mesmo tempo grande? Ser frágil e ao mesmo tempo forte? Ser nada e ao mesmo tempo tudo?

Sim. É possível.

Ando mesmo me sentindo como um beija-flor...

terça-feira, 16 de março de 2010

Apenas Coisas de Hoje em Dia...

Macacos me mordam! Estão acabando com os elefantes na África! E, pior ainda, boa parte desse extermínio é somente para comercialização de marfim...

Pelo cajado de Netuno! Estão acabando com os tubarões no Japão e em Moçambique! E, pior ainda, a maior parte dessa matança é apenas para comercialização das barbatanas...

Pelas barbas do profeta! Estão exterminando as focas, baleias, golfinhos, gorilas, tigres, vacas, frangos, peixes (e uma lista que não tem mais fim)! E, pior ainda, todo esse genocídio é apenas para satisfazer a ganância humana...

Pelas pregas de Odete! Estão acabando com o planeta! E, pior ainda, toda essa volúpia só serve para afetar um idiota como eu, incomodado inane, ousando escrever essas palavras...

É... São apenas coisas de hoje em dia...

segunda-feira, 8 de março de 2010

O Dia

Não há festa. Nem comemoração. O dia é de valorização. Reconhecimento. Reflexão. Um dia como outro qualquer, mas repleto de um simbolismo ímpar. Um dia internacional, assim como a própria ‘causa’ o é...

O dia é das mulheres. Daquelas que há mais de um século atrás morreram queimadas nos EUA após uma manifestação pacífica por melhores condições de trabalho. Daquelas queimadas vivas nas ‘santas’ fogueiras há tanto tempo atrás, apenas por serem, digamos, diferentes. Das que lutaram e lutam contra o machismo social ainda vigente. Das de todas as cores, ideologias, crenças, nacionalidades...

O dia das que são filhas, mães, esposas. Das solteiras, avulsas, lésbicas, celibatárias. Das que já não dividem mais este mundo conosco. Daquelas íntegras por inteiro e das que se prostituem (quer pela fama, quer pelo prazer, quer por dinheiro). Daquelas conscientes do próprio papel feminino e das que se deixam expor como produtos de consumo masculino (e também feminino). Enfim, das fiéis, infiéis, vítimas, algozes, paraplégicas, enfermas, saudáveis, intelectuais, analfabetas, trabalhadoras, do lar...

Hoje é o dia. E que as palavras e homenagens dos homens não camuflem a urgente revisão dos seus paradigmas, nem ‘maquiem’ o senso de consciência das elogiadas. Oxalá, um dia, os pretensos respeito e igualdade se estabeleçam plenamente, amparados pelos mais elevados conceitos humanos, colocando a mulher, definitivamente, no patamar divino a ela destinado na Terra. Oxalá...

terça-feira, 2 de março de 2010

Apocalypse Now

Os limites imperceptíveis aos olhos se fazem presentes. Terror. Morte. Destruição. Os quatro cantos do globo cada vez mais próximos, untados pelas inevitáveis conseqüências das ações humanas.

A terra sacode. O mar se enerva. O vento se enfurece. Num lado, o calor derrete. Noutro, o frio congela. Os raios solares invadem o invisível com furor. E a vida vai ficando por um fio. Quem reconhece o início do fim?

As imagens das ruínas em cidades diversas, de sobreviventes saqueando lojas, brigando por comida, sofrendo pelas inúmeras perdas – aliadas aos ‘problemas de sempre’, tais como a fome, a miséria e os inúmeros desvios morais – remetem a essa ideia de final.

O fim. Ou reinício. Ponto de “refluxo”. A etapa atraída pelo coletivo, como um desejo inconsciente pelo caos, movido por uma maioria desatenta à verdadeira realidade.

Estamos, sim, mergulhando no caos. O ‘Apocalypse now’. E quem sabe tocaremos com os pés lá no fundo, tomando o impulso renovador para um novo começo? Quem sabe...

Enquanto isso, faço coro a fantástica missionária indiana, Amma, que dedica sua vida a ajudar o próximo: “Nós esquecemos que trabalhar para a restauração da paz e união nesse mundo é o primeiro e mais importante dever de todo ser humano”. Pois é...

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Os Raios e a Questão Homossexual

Pernambuco e Uganda estão mais próximos do que podemos imaginar...

Aqui no Nordeste do Brasil, os raios teimam em cair. Três mortes já foram registradas nos últimos dois meses. Lá na África, uma lei contra o homossexualismo está prestes a ser votada. E, nela, se prevê até pena de morte para a denominada “homossexualidade agravada”.

Aqui, pessoas ameaçadas por um fenômeno natural; lá, pessoas ameaçadas pelas suas preferências sexuais. Mortes ocasionadas por queda de raios acontecem em qualquer lugar do mundo; leis anti-homossexualismo e pena de morte para gays, não – mas, infelizmente, elas existem em algumas nações da Terra.

Os raios em Pernambuco são exemplo contundente das verdadeiras leis (naturais) que regem nosso planeta. O projeto de lei em Uganda vai na contramão, ferindo a liberdade individual e as verdadeiras leis (naturais) que norteiam os seres humanos.

É. Pernambuco e Uganda estão mais próximos do que podemos imaginar...

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Para ajudar a pressão internacional contra a lei em Uganda, assine o protesto mundial movido pela AVAAZ: acesse http://www.avaaz.org/po/uganda_rights/?fr e participe!

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E vale a observação: crime é crime, opção sexual não...

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Mais Um, Menos Um...

“Quando você olhar para o relógio e ele estiver marcando ‘mais um... mais um’..., na verdade ele estará lhe dizendo: ‘menos um... menos um’...

A frase acima pertence ao Sr. Ferreira, personagem do filme Abril Despedaçado, de Walter Salles, película inspirada no livro homônimo de Ismail Kadaré. E embora na obra ela abranja uma situação específica, a sua aplicação na vida humana é contundente. O tempo passa. Os ponteiros seguem. E é nesse ‘mais um, menos um’, que construímos a nossa vida.

A ilusão do tempo foi a ferramenta perfeita encontrada pelo ‘desconhecido’ para ajustar o passo humano. A crença no imediatismo como remédio se desfaz ante o conta-gotas retilíneo e incisivo do andar do relógio. É cura. Experiência. Êxito. Tudo a longo prazo.

Nós, brasileiros, estamos vivendo um tempo marcado pela cobiça. A corrupção é a palavra de ordem – física, moral, intelectual. Uma maioria praticante, que acredita ser esse tempo definitivo. Que ignora a eternidade. Que se esquece do verdadeiro poder – esse sim, imperecível.

Em ano de eleições, a baixaria e a manipulação já invadem as caixas de e-mail. Notícias inverossímeis ou moldadas para tendenciar a opinião alheia. É a tropa querendo conduzir a manada. Camuflando as reais intenções por trás de tudo isso. Gente de ‘lados opostos’, mas de intenções afins quando o assunto é a regalia do poder e a mamata nas fartas tetas do poder público. Gente que anda esquecendo que o relógio anda - quer com chuva, sol, tempestade, terremoto, tsunami...

Estou atento. Olhando para o relógio. Ligado no que me cabe enquanto ser vivente ainda atrelado aos ponteiros. Mas não duvideis: estou fora dessa esculhambação toda. Sigo alheio ao cinismo dessa famigerada classe política. E assim continuarei (ainda que atento para fazer a minha parte no contexto cívico), repetindo a frase do Sr. Ferreira como um mantra em minha mente, direcionando-a para os protagonistas dessa ainda lastimável cena política tupiniquim:

“Quando você olhar para o relógio e ele estiver marcando ‘mais um... mais um’..., na verdade ele estará lhe dizendo: ‘menos um... menos um’...

E o conta-gotas retilíneo do tempo um dia vai me dar razão. Ah, vai...