terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Boas Festas? Pra Quem?


Todo final de ano é assim: festejos, bebedeira, uma pseudo-felicidade que invade as pessoas. Um desejo de “boas festas” que acaba transgredindo a realidade nossa. Não. Não estou sendo negativo.

O cotidiano permanece conturbado. As pessoas se esforçam cada vez mais para perpetuar o individualismo em detrimento do coletivo. As famílias cada vez menos se entendem. Pessoas morrem de fome. De ignorância. De falta de amor. Guerras são absurdamente movidas em nome de Deus e do poderio egocêntrico humano. E todo final de ano essa onda de euforia ignora tudo isso. E as pessoas querem ficar ricas, saudáveis e felizes sem sequer fazerem o devido esforço para tal.

Está bem. Claro que a intenção conta, mas fraternidade e bem-aventurança são cultivos diários – e não contos natalinos. Claro que desejar o bem é bom, mas limitar isso a um breve período do ano é, no mínimo, hipocrisia – e uma forma pueril de viver. Claro que união e energias positivas são bem-vindas no final de ano, mas isso deve ser algo mais rotineiro – e menos sazonal. Claro que ter uma visão positiva das coisas é sempre bom, mas não com essa parcialidade egoísta – e como um “ópio” para atenuar as nossas mazelas.

O mundo gira sem parar – isso mesmo, sem parar. A cada segundo temos a oportunidade de sermos melhores. De fazermos as coisas de uma maneira mais divina. A cada noite dormimos e, pela manhã, renascemos para um novo dia. Isso, sim, é (ou deveria ser) renovação. Rotineira. Verdadeira. E não travestida de uma euforia míope.

Está bem. Desejar um “feliz ano novo” não é nada demais – ainda que a grande maioria das pessoas ignore que esse “novo” se dá diariamente -, mas... Boas festas? Pra quem??? (não. Não estou sendo negativo...)

sábado, 24 de novembro de 2012

Estou Morrendo!


O diagnóstico é preciso: estou morrendo. Tenho alguns dias de vida. Imprecisos, mas o certo é que não estarei por tanto tempo assim nesse mundo.

O relógio apressa o passo. Cada vez mais os ponteiros parecem querer tão somente me contrariar. Contudo, ao invés de lamentar o tempo que me faltará, tentarei enaltecer os dias que me restam. São eles que devem nortear meu prumo. São eles que me fazem ser – ao menos aqui nesse plano.

Recebi esse diagnóstico há 37 anos. Quando cá cheguei. O mundo me tratou com festa, ignorando que o meu chegar tinha prazo de validade. Impuseram-me a pecha de pobre mortal e pecador. Cresci. E descobri que nada disso é verdade – exceto pelo infalível tempo de estada. Hoje, espero a minha sentença: a morte!

Eis a nossa sentença. Perdemo-nos nas nossas próprias hipocrisias. Tropeçamos nas nossas autolimitações. Tememos a morte. Preocupamo-nos tanto com ela que esquecemos como devemos realmente viver.

O mais engraçado nisso tudo é que essa tal morte faz parte da vida. Estou vivo. E após partir estarei... Vivo! Não sou pecador. Nem um pobre mortal. Apenas sou. “Vivo” ou “morto”, apenas sou. E estou mesmo morrendo... Graças a Deus!

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Sábado, 01/12, 18h, performance e Noite de Autógrafos de "A Grande Ilusão" na Saraiva do Riomar Shopping!

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Rio




Rio...
Águas que me fazem
Expor os dentes.
Rio dos córregos
Que me margeiam.
Rio do riso cristalino.
Rio do rio
Que em mim percorre.
Rio de mim,
Rio de ti,
Rio de nós...


(poesia minha que abre o meu novo romance, "A Grande Ilusão")
Compre o seu aqui!
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domingo, 7 de outubro de 2012

Deu Branco em Mim


Há anos venho me traindo. Sim. Eu que tanto prezo pela coerência. Que tanto cobro por mudança (começando por mim mesmo). Que tanto me desafio para ser alguém melhor. Venho, sim, me traindo. Mas hoje tomei uma decisão para acabar com isso. E me traí novamente para acabar com as minhas autotraições. Explico.

Ainda votante em Olinda (PE), não consegui encontrar um candidato que merecesse o meu voto. Tentei fazer o que vinha fazendo antes. Votando no “menos ruim em potencial”. Deu não. Eu vinha, sim, me traindo a cada pleito eleitoral, excluindo os péssimos e votando nos “menos ruins”, sem a menor convicção. Traição.

Hoje, todavia, acordei e decidi fazer diferente. Não escolhi ninguém. Ninguém mereceu o meu voto. Assim, evitei a autotraição já referida. Mas a traição perdurou. Meu voto em branco não foi um protesto, mas uma incapacidade de valorizar capazes. E nessa atitude traí-me também por me excluir do processo de gestão da cidade nos próximos quatro anos.

Arrependido? Sim. E não. Decepcionado? Com certeza. Enquanto os projetos políticos tiverem como base a ocupação do poder – e não o interesse da maioria – permanecerei me traindo, quer votando nos “menos ruins”, quer passando em branco.

O voto é fundamental para o processo democrático, mas não se deve perpetuar a lamentável situação política do país. Algo precisa ser feito – e não acredito que votar em branco seja a solução (e não me pergunte qual é, então, porque ainda não sei a resposta). Pois é. Deu branco em mim...

domingo, 12 de agosto de 2012

Pais. País. Em mim...



Pai. Palavra adormecida. Vitimada pela irresponsabilidade e descaso de alguns. Mas não abandonada.

No meu dicionário é presença. Apoio. Exemplo. Carinho. Amor. Dedicação. Esforço. Responsabilidade.

Palavra viva. Enaltecida pelo meu próprio pai. Acentuada pelo amor gigante ao meu filho. Perpetuada pelo meu esforço em ser um filho grato e amoroso e um pai em iguais termos.

Guardo em mim a imagem de quando criança. Meu herói. Espelho. Meta. E continua assim.

Tenho em mim esse reflexo brilhando em meu filho. Minha cria. Motivação. Esteio. E miro esse perpetuar em mim.

Nessas linhas simples, homenageio o meu pai, José Luiz, e o meu filho, Victor Hugo. E homenageio, enfim, também a mim. Sim. Afinal, somos um. Simples assim...

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Uma Nova Etapa...


"A Grande Ilusão" saiu do forno. Será lançado amanhã (sábado 04) em São Paulo e dia 23 desse mês em Recife. Ganhará o Brasil a partir de setembro. É a largada para uma nova etapa. O trabalho continua!

Nesse processo natural, algumas novidades surgirão - aliás, já estão surgindo e vou noticiando-as quando for pertinente. De momento quero tão somente exibir o novo visual deste blog e publicar o teaser do livro, já divulgado pelas redes sociais (assista abaixo).

Vamos que vamos!!!


sexta-feira, 29 de junho de 2012

O Traço e o Risco



Traço um traço,
Risco e me arrisco
Nesse riscado,
Escrevo
E me atrevo a escrever.


Pena que a pena
Que agora me serve às ideias
É esferográfica...


E a tinta acabou.


(poesia publicada no meu primeiro livro, "O Que Importa é o Caminho", de 2004)

quarta-feira, 23 de maio de 2012

A Ilusão da Mídia (e dos Famosos)


Escândalos. Sensacionalismo. Manipulação. Hipocrisia. Eis alguns dos adjetivos mais certeiros para aquilo que chamamos de mídia. Uma pobreza só...

Um dia, a atriz que nunca aceitou proposta para posar nua, tem fotos pessoais sem roupa vazadas na internet (se tirava fotos nua em casa é porque tinha vontade não?). E, tirando a questão da extorsão e da invasão de privacidade, a popularidade da moça sobe (sabe-se lá o que realmente aconteceu!).

Noutro dia, uma famosa apresentadora faz entrevista exclusiva para falar da vida íntima. Com uma imagem de “inocência” incompatível com a idade, fez carinha boba o tempo todo e revelou ter sofrido abusos sexuais na infância (por que não tocou no assunto do filme em que aparece nua na cama com um garoto de 12 anos?). E, tirando a gravidade do fato passado, a popularidade da moça sobe.

Essa semana um vídeo de uma jornalista baiana se multiplicou na web, a loirinha humilhando o bandido negro acusado de estupro, protagonizando imagens absurdas ao usar do sarcasmo seguidas vezes para ilustrar a ignorância de linguagem do rapaz (bandido também é gente e acusado não é criminoso – até que se prove o contrário). E, tirando o fato das imagens serem de uma matéria “jornalística”, a popularidade da emissora cresce (nesse caso, à base da negatividade – mas mídia é mídia!).

Não bastassem esses exemplos, uma revista de grande circulação tem seu nome envolvido no lodo que permeia a política nacional. O poder como meta, não importa o preço a se pagar. E, tirando a veracidade da denúncia (nessa hora não dá pra saber quem é mais sujo e quem quer aparecer mais), a popularidade da revista sobe (também de forma negativa).

“Fale bem ou mal, mas fale de mim”: artistas, famosos e veículos de comunicação andam de mãos dadas para gerar audiência a qualquer preço. Os objetivos de manipular a opinião pública vão cada vez mais percorrendo caminhos menos nobres e mais mesquinhos. E, tirando a infeliz aculturação geral da massa, continuamos aumentando as suas popularidades.

Escândalos. Sensacionalismo. Manipulação. Hipocrisia. Eis alguns dos adjetivos mais certeiros para aquilo que chamamos de mídia. Uma pobreza só...

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Eu Tive Uma Ideia!



Achei que tinha achado
Algo que perdi
Foi quando me veio a ideia:
Quero achar algo que não perdi!
Tudo isso causou estranheza
Não perdi por que não achei
Ou não achei por que não perdi?

Agora estou eu confuso
Perdido no que não achei
Querendo saber como me perdi...

Mas se perdido estou
No que eu não achei
Recorro à quinta estrofe
Que trará a solução!

Foi-se a rima.
Foram-se as ideias.
Adeus, então...

(Sidney Nicéas e Albanizia Diniz)


quinta-feira, 26 de abril de 2012

De Chico a Januários



O momento musical nosso é pobre. Pouco se faz do novo. Pouco se ousa. Muito se banaliza. O mercado dita as regras da mesmice e os formatos pré-concebidos se perpetuam.

Nesse “mar” sonoro, vez por outra alguém mexe no “caldo”. Chico Science foi um desses. Misturou um monte de coisas e adicionou novo tempero. Deu oxigênio à música nacional lá pelos meados dos anos 90. E, de lá pra cá, têm surgido alguns interessantes projetos inspirados nesse conceito de renovação.

A banda pernambucana Januários faz parte desse time. Na estrada desde o início desse ano para tal fim (pois já existia tocando Rock’n Roll), uniu o peso do Rock ao baião de Luiz Gonzaga e trouxe algo inusitado. “Isso dá rock, velho?”, você pode se perguntar. Para as cerca de 2000 mil pessoas presentes no show de estreia, na concha acústica da UFPE, dá sim. E com a verve irreverente que o velho Lua tinha como marca.

Após seis meses de laboratório e gravações, a banda está divulgando o primeiro CD e agendando shows por onde der pra tocar. E tem dado rock, sim senhor, com a sensibilidade de Luiz Gonzaga soando com voz rouca e guitarra afiada puxando o “fole”. Ponto pros caras.

De Chico a Januários há, claro, uma grande diferença de proporções – aqui não cabe, nem caberia, qualquer tipo de comparação. E talvez você questione o porquê de rock com baião e que esse tipo de mistura não é lá tão novidade. Pode ser. Mas que ouvir Gonzagão ao som de guitarras é pra lá de interessante, isso é. Ponto pros caras.