terça-feira, 21 de maio de 2013

O Vazio de Mim - Porque o Nada é Tudo...


Perco-me no vazio de mim. Sim. Esse vazio que me preenche vez em quando e me faz balão. Pleno. Vazio. Flutuante. Repleto. Solitário. D’onde venho? D’onde vem?

Sou partícula miúda do universo. Repleto. Vazio. Tudo. Nada. Espelho. E perco-me num vácuo que teimo incompreender. Temo. Exteriorizo-me. Aí o pleno soa como razo. E todas as cores – vazias e cintilantes – acinzentam aos meus olhos infantis. E todo o glamour material de repente me inviabiliza. Zero em escala menor. Pareço Deus, mas sinto-me mortal.

O nada existe. O vazio pleno é real. Sou como alma invisível em corpo riste. E só o olhar pra dentro me faz enxergar o oco vivo de mim. Com meus olhos de cores vazias e cintilantes. Como escala de cinza viva em carvão sutil. Como balão iluminado num céu de escuridão vívida. Quem sou, afinal?

Sou o mesmo que tu. Vazio. Pleno. Real. Eu sou a metáfora flutuante do eu sou. Eu sou o oco preenchido do universo. Sou o pleno invisível de nós. Eu sou, enfim, apenas o vazio de mim - porque o nada, sim, é tudo...

sábado, 16 de fevereiro de 2013

Carnaval? Que nada...


Há coisas na vida que não têm preço. Momentos ímpares. Situações que só acontecem uma única vez. E é assim que pode ser resumida a sexta edição do Garanhuns Jazz Festival – em todos os seus quatro dias.

Impagável conferir a gaita endiabrada de Jefferson Gonçalves - e sua banda de alto nível - junto com a virtuose de Kiko Loureiro (guitarrista do Angra). Ou todo o carisma do ótimo Atiba Taylor (cujo CD que comprei no local anda me deixando de queixo caído!), que também fez uma participação pra lá de especial na apresentação do “incendiário” Tico Santa Cruz (da Detonautas), que tocou com a Uptow Band.

A excelente Igor Prado Band com a exuberante americana Tia Carrol foi arrasador. Também, o encontro elétrico entre George Israel (do Kid Abelha), Rodrigo Santos (Barão Vermelho) com um time de feras (Kiko Loureiro, Taryn, Kenny Brown, Cláudio Infante e o Projeto Batuque, entre outras feras). Ou ainda o feeling do encontro entre Lancaster, Big Chico, Adriano Grimberg e Nathalie Alvin – de primeira!

Sem falar na grata surpresa em conhecer os talentosos músicos de Garanhuns, como o “mágico” guitarrista Marcos Cabral (que não fica devendo a nenhum mago da guitarra), o samba de Alexandre Revoredo com o fantástico Zezinho da Sanfona (de Arcoverde), o jazz instrumental do Baião de Três, a fusão interessante dos Valvulados e o Projeto Batuque, que detonou com os bateristas Cláudio Infante e Gustavo Las Casas e o baixista Efraim Rocha.

O Batuque, por sinal, roubou a cena. E foi com esse maravilhoso grupo de percussão local que a maravilhosa Taryn e sua banda, juntamente com Kiko Loureiro, protagonizaram o ponto alto de todo o festival. Conferir “Rock’n Roll” e Black Dog”, ambas do Led Zeppelin, numa fusão pra lá de original, foi talvez o momento mais efusivo que este que vos escreve tenha visto. Momento daqueles que não têm preço. Ímpar. Que só acontece uma única vez.

Todo festival que se preza leva o diferente. Foi essa sensação ao conferir o som da Sol Alak (com um tango misturado) e de Sérgio Ferraz (com o seu experimentalismo ousado). Mais ainda com o projeto Jazzpira, que juntou a banda Três de Paus com a ótima Adriana Farias, fundido o mais autêntico jazz com músicas sertanejas de raiz. Diferentes propostas com resultados elogiáveis.

E como se não bastasse tudo isso, o último dia ainda juntou Andreas Kisser (do Sepultura) e Kiko Loureiro (do Angra), dividindo o palco com os ótimos Arthur Menezes, Jonathan Richard, Kleber Dias e Kenny Brown (que em seu show mostrou toda a essência do verdadeiro Blues), com participação de Adriana Farias – detonação total! Registre-se ainda o jazz refinado da ótima banda Delicatessen (do Rio Grande do Sul), cuja delicadeza e virtuose marcaram o público.

Garanhuns, assim, entra definitivamente no hall da música internacional. Ponto pra toda produção (com referência especial a Giovanni Papaléo e o prefeito Isaías Régis, que confirmou o Sepultura no Festival de Inverno em julho próximo).

É... Tem coisas que só acontecem uma vez na vida...

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

O Amor e a Crise Bêbada


Sim. O amor não é essa crise bêbada a que nos habituamos a confundi-lo. Embriagamo-nos em sensações egoístas e fazemo-nos acreditar que isso é amor. Ledo engodo.

Amar, se não for difícil, não provém do amor. Não é amar. É embriaguez. Essa tal crise bêbada (repito) que nos deixa flutuantes, tontos, entorpecidos, encharcados de uma pseudoeuforia. É tortuoso o caminho do amor. Cheio de provações e desafios. E só ama de verdade quem se aventura a testar-se em todas as suas variantes.

Relacionamentos amorosos são a maior prova disso. Dois seres de sexos opostos ou iguais que se unem para toda uma vida – ou não. Quem suporta os defeitos alheios? Quem enxerga suas próprias mazelas? Quem se coloca no lugar do outro? Quem tolera? Quem perdoa? Quem cede? Quem abdica? Quem apoia incondicionalmente? Quem?

Num relacionamento amoroso (ou em qualquer outro tipo de relação - até com aqueles que desconhecemos), amar exige uma condição suprema. Ser mais divino do que humano. Ser mais o outro do que si próprio. Dar mais do que receber. Enxergar e também saber cegar-se. Suportar os momentos atribulados, sabendo que não se está mesmo só. Apenas amar.

Não estamos em tempos de desamor. Não. Esse tempo de agora somos nós que fazemos. E estamos dando a essa era o que somos: egoísmo, acomodação, orgulho, inconsequência. Todavia, esse continua sendo o tempo do amor – como todas as eras são. Mais sobriedade, contudo, é o que nos falta para compreendê-lo. Aí, certamente, faremos do mundo uma grande casa.

Sim. O amor não é essa crise bêbada a que nos habituamos...


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* E para entender melhor tudo isso, indico um dos melhores filmes do ano, em cartaz no Recife: “Amor”, de Michael Haneke. Assistam. Reflitam. E constatem que, amar, não é mesmo uma crise bêbada...

Trailer: http://www.youtube.com/watch?v=XrFIw_Trvyk

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Boas Festas? Pra Quem?


Todo final de ano é assim: festejos, bebedeira, uma pseudo-felicidade que invade as pessoas. Um desejo de “boas festas” que acaba transgredindo a realidade nossa. Não. Não estou sendo negativo.

O cotidiano permanece conturbado. As pessoas se esforçam cada vez mais para perpetuar o individualismo em detrimento do coletivo. As famílias cada vez menos se entendem. Pessoas morrem de fome. De ignorância. De falta de amor. Guerras são absurdamente movidas em nome de Deus e do poderio egocêntrico humano. E todo final de ano essa onda de euforia ignora tudo isso. E as pessoas querem ficar ricas, saudáveis e felizes sem sequer fazerem o devido esforço para tal.

Está bem. Claro que a intenção conta, mas fraternidade e bem-aventurança são cultivos diários – e não contos natalinos. Claro que desejar o bem é bom, mas limitar isso a um breve período do ano é, no mínimo, hipocrisia – e uma forma pueril de viver. Claro que união e energias positivas são bem-vindas no final de ano, mas isso deve ser algo mais rotineiro – e menos sazonal. Claro que ter uma visão positiva das coisas é sempre bom, mas não com essa parcialidade egoísta – e como um “ópio” para atenuar as nossas mazelas.

O mundo gira sem parar – isso mesmo, sem parar. A cada segundo temos a oportunidade de sermos melhores. De fazermos as coisas de uma maneira mais divina. A cada noite dormimos e, pela manhã, renascemos para um novo dia. Isso, sim, é (ou deveria ser) renovação. Rotineira. Verdadeira. E não travestida de uma euforia míope.

Está bem. Desejar um “feliz ano novo” não é nada demais – ainda que a grande maioria das pessoas ignore que esse “novo” se dá diariamente -, mas... Boas festas? Pra quem??? (não. Não estou sendo negativo...)

sábado, 24 de novembro de 2012

Estou Morrendo!


O diagnóstico é preciso: estou morrendo. Tenho alguns dias de vida. Imprecisos, mas o certo é que não estarei por tanto tempo assim nesse mundo.

O relógio apressa o passo. Cada vez mais os ponteiros parecem querer tão somente me contrariar. Contudo, ao invés de lamentar o tempo que me faltará, tentarei enaltecer os dias que me restam. São eles que devem nortear meu prumo. São eles que me fazem ser – ao menos aqui nesse plano.

Recebi esse diagnóstico há 37 anos. Quando cá cheguei. O mundo me tratou com festa, ignorando que o meu chegar tinha prazo de validade. Impuseram-me a pecha de pobre mortal e pecador. Cresci. E descobri que nada disso é verdade – exceto pelo infalível tempo de estada. Hoje, espero a minha sentença: a morte!

Eis a nossa sentença. Perdemo-nos nas nossas próprias hipocrisias. Tropeçamos nas nossas autolimitações. Tememos a morte. Preocupamo-nos tanto com ela que esquecemos como devemos realmente viver.

O mais engraçado nisso tudo é que essa tal morte faz parte da vida. Estou vivo. E após partir estarei... Vivo! Não sou pecador. Nem um pobre mortal. Apenas sou. “Vivo” ou “morto”, apenas sou. E estou mesmo morrendo... Graças a Deus!

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Sábado, 01/12, 18h, performance e Noite de Autógrafos de "A Grande Ilusão" na Saraiva do Riomar Shopping!

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Rio




Rio...
Águas que me fazem
Expor os dentes.
Rio dos córregos
Que me margeiam.
Rio do riso cristalino.
Rio do rio
Que em mim percorre.
Rio de mim,
Rio de ti,
Rio de nós...


(poesia minha que abre o meu novo romance, "A Grande Ilusão")
Compre o seu aqui!
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domingo, 7 de outubro de 2012

Deu Branco em Mim


Há anos venho me traindo. Sim. Eu que tanto prezo pela coerência. Que tanto cobro por mudança (começando por mim mesmo). Que tanto me desafio para ser alguém melhor. Venho, sim, me traindo. Mas hoje tomei uma decisão para acabar com isso. E me traí novamente para acabar com as minhas autotraições. Explico.

Ainda votante em Olinda (PE), não consegui encontrar um candidato que merecesse o meu voto. Tentei fazer o que vinha fazendo antes. Votando no “menos ruim em potencial”. Deu não. Eu vinha, sim, me traindo a cada pleito eleitoral, excluindo os péssimos e votando nos “menos ruins”, sem a menor convicção. Traição.

Hoje, todavia, acordei e decidi fazer diferente. Não escolhi ninguém. Ninguém mereceu o meu voto. Assim, evitei a autotraição já referida. Mas a traição perdurou. Meu voto em branco não foi um protesto, mas uma incapacidade de valorizar capazes. E nessa atitude traí-me também por me excluir do processo de gestão da cidade nos próximos quatro anos.

Arrependido? Sim. E não. Decepcionado? Com certeza. Enquanto os projetos políticos tiverem como base a ocupação do poder – e não o interesse da maioria – permanecerei me traindo, quer votando nos “menos ruins”, quer passando em branco.

O voto é fundamental para o processo democrático, mas não se deve perpetuar a lamentável situação política do país. Algo precisa ser feito – e não acredito que votar em branco seja a solução (e não me pergunte qual é, então, porque ainda não sei a resposta). Pois é. Deu branco em mim...

domingo, 12 de agosto de 2012

Pais. País. Em mim...



Pai. Palavra adormecida. Vitimada pela irresponsabilidade e descaso de alguns. Mas não abandonada.

No meu dicionário é presença. Apoio. Exemplo. Carinho. Amor. Dedicação. Esforço. Responsabilidade.

Palavra viva. Enaltecida pelo meu próprio pai. Acentuada pelo amor gigante ao meu filho. Perpetuada pelo meu esforço em ser um filho grato e amoroso e um pai em iguais termos.

Guardo em mim a imagem de quando criança. Meu herói. Espelho. Meta. E continua assim.

Tenho em mim esse reflexo brilhando em meu filho. Minha cria. Motivação. Esteio. E miro esse perpetuar em mim.

Nessas linhas simples, homenageio o meu pai, José Luiz, e o meu filho, Victor Hugo. E homenageio, enfim, também a mim. Sim. Afinal, somos um. Simples assim...

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Uma Nova Etapa...


"A Grande Ilusão" saiu do forno. Será lançado amanhã (sábado 04) em São Paulo e dia 23 desse mês em Recife. Ganhará o Brasil a partir de setembro. É a largada para uma nova etapa. O trabalho continua!

Nesse processo natural, algumas novidades surgirão - aliás, já estão surgindo e vou noticiando-as quando for pertinente. De momento quero tão somente exibir o novo visual deste blog e publicar o teaser do livro, já divulgado pelas redes sociais (assista abaixo).

Vamos que vamos!!!


sexta-feira, 29 de junho de 2012

O Traço e o Risco



Traço um traço,
Risco e me arrisco
Nesse riscado,
Escrevo
E me atrevo a escrever.


Pena que a pena
Que agora me serve às ideias
É esferográfica...


E a tinta acabou.


(poesia publicada no meu primeiro livro, "O Que Importa é o Caminho", de 2004)