quinta-feira, 26 de maio de 2011

Crianças Vêem

Quando tinha uns nove anos de idade, meu pai foi me buscar na escola. Chovia torrencialmente. No caminho, vi uma colega de sala caminhando com certa dificuldade por conta do aguaceiro, sob um delicado guarda-chuva. Passei por ela no conforto do veículo. Ela me viu e acenou. Eu sorri e apontei com certo sarcasmo, meio que zombando da situação.

O carro estava rápido. Meu pai percebeu minha reação e me questionou. Ao saber do que se tratava, repreendeu-me. “Por que não me pediu para dar carona a ela? Nunca mais faça isso. Aprenda a ajudar a quem precisa”. Senti-me culpado, mas nunca mais esqueci a lição.

Adultos são falhos. Seres humanos são falhos. Contudo, não há força maior do que o exemplo. Crianças vêem. Espelham-se. Serão adultas. Que exemplo estamos dando a elas?

O vídeo abaixo é uma produção da Children Friendly, da Austrália. Vale a pena assistir...


video

quinta-feira, 12 de maio de 2011

Uma Crônica Curta

Fim. A morte chega para todos. Não adianta atrasar o relógio, nem reduzir o passo. Adianta, sim, chegar ao fim, como se fosse isso natural – e o é.

Num mundo cada vez mais fast, se morre por falta de food. A desigualdade contrasta em muito com os lucros da deturpada globalização. E ainda que ‘sem fronteiras’, o mundo continua dividido por numerais ordinais.

Fim. Talvez seja essa a morte da coletividade. E nem sequer aprendemos a começar...

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Somos Todos Prostitutos?

“Os mortais comuns permitem que suas almas vivam como egos emaranhados na carne, não como reflexo do Espírito ou verdadeira alma”. (Paramahansa Yogananda)


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prostituição (u-i) prostituir + -ção (s. f.)

Ato ou efeito de prostituir; atividade de quem obtém lucro através da oferta de serviços sexuais; vida desregrada de devassidão = libertinagem; o conjunto das pessoas que se prostituem; Profanação; servilismo degradante. (Dicionário Priberam da Língua Portuguesa)

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Estamos em maio. A Semana Santa passou. O Dia das Mães está aí. E no clima de santidade e de amor materno questiono: somos todos prostitutos?

Num planeta onde a falta de sentido coletivo impera, tirar vantagem tornou-se modo de vida. Ganhar à custa de quem quer que seja. Na política. Na religião. No trânsito. No trabalho. No lar. Não há barreiras.

Exemplo em voga , Osama Bin Laden foi (ou é?) um grande prostituto. Comandando tantos outros movidos por interesses meramente ‘egóicos’. Ficou mundialmente famoso por infligir ousadas e consideráveis baixas aos EUA (que, pela posição de comando no globo, podem ser considerados uma pátria da prostituição) -, irmãos contra irmãos prostituídos pelo equivocado sentido de poder.

Um exemplo dentre outros bilhões que somos. Eu. Você. “Vivendo como egos emaranhados na carne”. Ganhando a qualquer custo – conforto em detrimento da qualidade de vida do planeta, comodidade própria em detrimento do outro, satisfação dos desejos pessoais em detrimento das necessidades do próximo, foco individual em detrimento do coletivo etc.

Entre casamentos reais (e plebeus), corrupção, violência, bebês abandonados e tanto outros absurdos cotidianos - corriqueiros! -, encontro a palavra prostituição como ideal para a nossa vida moderna. Em seu sentido mais amplo. Muito além do meretrício. Sintonizada, também, com essa geração que exercita o sexo como satisfação dos prazeres pessoais, colocando-o acima do amor e do respeito ao semelhante.

É. Estamos em maio. A Semana Santa passou. O Dia das Mães está aí. E no clima de santidade e de amor materno questiono: somos todos prostitutos?