segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Enquanto Isso


Enquanto a maioria finge bonança extrema nesse final de ano. E o clima superficialmente amenize em nome de um sentimento maior. E que ainda assim isso fique reduzido a apenas alguns míseros dias. E o símbolo maior disso tudo acabe permutado por um punhado de presentes – e camuflado pelos excessos etílicos e por uma mal rotulada ‘diversão’. E as diferenças sócio-econômicas fiquem ainda mais evidenciadas. E a esperança seja confundida com a realização de desejos (na maioria) tão supérfluos. E que o ímpeto festivo absorva totalmente o sentido da celebração fraterna. E que no dia seguinte, o 'novo' permaneça tão 'velho' quanto antes...
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... Enquanto isso estou aqui, inerte, deixando-me absorver por esse quadro humano lastimável (como alguém que segura uma vela esperando que sua chama nunca cesse). Pois é. Tem nada não. O importante é ser ‘feliz’ no Natal e ‘próspero’ no ano novo. Ainda que de forma tão incongruente...

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Mundo Pirata


Pirataria não é crime. Quem me prova o contrário?

Nas esquinas, CDs e DVDs falsificados são vendidos sem o menor pudor. Também nas esquinas – nos bares, cinemas e até nas escolas – o sexo pirata (sem a menor originalidade) é barganhado como sub-mercadoria. Nas rodas sociais, ser pirata é imperativo – a falsidade com seus contornos mais subversivos. Nos templos religiosos, idem – muito se fala e pouco se faz. Na política, então...

Nos semáforos, limpadores de vidros pirateiam o ‘direito autoral’ do crime. Policiais militares entram na mesma ao receber suborno e ao distorcer o sentido da autoridade. Jovens e adolescentes abreviam suas épocas juvenis e falsificam a liberdade. Pais e mães piratearam suas funções – e o resultado são famílias cada vez mais piratas. Maridos e esposas falsificam amor em relações extraconjugais. Em todas as áreas humanas essa prática se tornou quase uma unanimidade.

Ser original saiu de moda. Autenticidade há muito deixou de ser a ordem do dia. A sociedade dos ‘super-homens’ preferiu se tornar na sociedade dos ‘bizarros’ – talvez pela incapacidade de persistir no árduo caminho dos ‘heróis’. E, assim, caminhamos cada vez mais firmes nas trilhas da mediocridade.

Pirataria não é crime. Quem me prova o contrário?

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

O Descaso Continua...

Flagrante dos funcionários do Extrabom, que só têm
as calçadas para o descanso do trabalho
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Esse é só um registro: continua o descaso do Extrabom com seus funcionários (vide post 'Crescimento Insustentável'). E estes continuam almoçando e 'descansando' nas calçadas da rua São Vicente, na Tamarineira. Recentemente o estabelecimento ampliou sua área interna, mas até agora nada fez para tratar com decência seus colaboradores. Estamos de olho, acompanhando esse lastimável 'crescimento insustentável'...

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Consciência (?) Negra


Sexta-feira, 20 de novembro, Dia Nacional da Consciência Negra. Na verdade, um dia negro para fazer despertar a consciência.

Explico.

Dia negro, pois muitos municípios estão decretando feriado ou ponto facultativo, como se não bastassem tantos feriados no ano. Também, pela (ainda) inexplicável 'divisão' racial das pessoas (além de outras inúmeras existentes), justificando a data. Ainda, e já se conectando com a questão da consciência, uma ocasião que seria desnecessária não fosse a ignorância humana.

Consciência. Olho para os lados e não a encontro. A racial, então, ainda engatinha, mesmo com a lei a seu favor. Por isso essa sexta-feira é, sim, negra. O negro que simboliza a nossa raça. Que representa a luta. Enfim, o negro que define a cor da ‘nossa’ ignorância social.

O negro que há em mim se agita. Eis o meu dia...

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

'Estelionato Poético'


Quando Luiz Gonzaga e seus grandes parceiros, Humberto Teixeira e Zé Dantas criaram o forró, não imaginavam que depois de suas mortes essas bandas que hoje se multiplicam pelo Brasil praticassem um estelionato poético ao usarem o nome forró para a música que fazem. O que esses conjuntos musicais praticam não é forró! (...) E se apresentam como bandas de “forró eletrônico”! Na verdade, Elba Ramalho e o próprio Gonzaga já faziam o verdadeiro forró eletrônico, de qualidade, nos anos 80”.
(Anselmo Alves)

O povo gosta de ser lesado. A maioria. Eu não. Uma multidão de gente que não se importa com a qualidade do que ouve. Que não se incomoda com o baixo nível das músicas que abarrotam as esquinas da cidade. Que é conivente com o estupro que o mercado fonográfico praticou contra um dos maiores ícones da nossa cultura: o forró.

Estupro? Sim. Ou talvez, para ser mais polido (mas não menos incisivo), plagiando o termo muito bem alcunhado por Anselmo Alves (autor do trecho reproduzido acima), ‘estelionato poético’. Roubaram a nomenclatura e estupraram o estilo (olha que esse termo cai bem...). Vulgarizaram as letras. Empobreceram o ritmo. Transformaram a originalidade do forró num quase brega de batidas repetitivas, reduzindo a outrora poética riqueza regional num aglomerado de frases apelativas.

Esse mal rotulado ‘forró’ passou a seguir caminho diferente daquele estilo originário marcante. Mulheres seminuas explicitam as letras no palco. O machismo impera nas ‘mensagens’ deflagradas nas músicas. A ‘gréia’ se sobressaiu ao lirismo. E o resultado é esse mar de pobreza, que vem deixando pérolas como “quem vai querer a minha piriquita”, ou “você pede e eu te dou lapada na rachada”, cantadas como um ‘mantra’ pobre e chulo.

Um ritmo como o autêntico forró merecia uma evolução, não esse retrocesso, impulsionado pela ânsia do mercado em ganhar dinheiro e movido pela ignorância cultural da maioria. Existe uma geração de forrozeiros que permanece fiel às origens, contudo, talvez ande faltando mais criatividade (e vontade comercial) para retomar a grandeza de outrora sob nova (e decente) roupagem. Talvez.

Para mostrar que esse tom crítico nada tem de intransigente, reproduzo novamente as palavras de Anselmo Alves, fazendo das palavras dele as minhas:

Da dança da garrafa de Carla Perez até os dias de hoje formou-se uma geração que se acostumou com o lixo musical! Não, meus amigos: não é conservadorismo, nem saudosismo! Mas não é possível o novo sem os alicerces do velho! Que o digam Chico Science e o Cordel do Fogo Encantado que, inspirados nas nossas matrizes musicais, criaram um novo som para o mundo! Não é possível qualidade de vida plena com mediocridade cultural, intolerância, incitamento à violência sexual e ao alcoolismo! (...) Eu quero meu sertão de volta!

E se alguém anda alheio a tudo isso, deixo link para um vídeo que muito bem reforça o que foi aqui abordado. É só clicar e conferir uma ‘pérola’ dessa baixaria musical. Uma lástima...

http://www.youtube.com/watch?v=yr-IQVQQHuA
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terça-feira, 27 de outubro de 2009

[videoblog] Quem Não Pode Trabalhar?

Segue abaixo um vídeo que recebi recentemente do amigo Paulo Carvalho. Assistindo-o, a gente fica se perguntando sobre a relação entre pobreza e oportunidade. Mais ainda, sobre a busca pelo dinheiro fácil à revelia do suor da labuta (inevitável lembrar de boa parte dos pedintes e da classe política). Assistam e comentem...

video

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segunda-feira, 19 de outubro de 2009

O Fim do Futebol Pernambucano

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Não se trata de momento. Não é a atual situação precária de Sport e Náutico no Campeonato Brasileiro, nem do Santa Cruz no cenário nacional. Muito menos qualquer fato adverso dentro das quatro linhas. A questão está nas arquibancadas.

Ontem (domingo 18), na Ilha do Retiro, ocasião do confronto entre Sport e Corinthians, uma faixa estendida nas arquibancadas me levou a uma lastimável constatação: o futebol pernambucano está acabando – não o esporte praticado no Estado, mas o prestígio dos nossos clubes ante seus conterrâneos.

A faixa: “Recifiel”. Segurada por mãos pernambucanas, alusiva ao clube paulista. Uma prova inconteste de que algo não anda bem na organização da modalidade em Pernambuco. Estamos sendo ‘sugados’ pela ‘força’ da mídia do Sul-Sudeste. Perdendo terreno para as parabólicas (especialmente no interior) e nos submetendo aos merchandisings insistentes da mídia ‘nacional’ em toda programação (especialmente a televisiva, que também se diz ‘nacional’). Agora, até o Recife, outrora imune a essa interferência, está cedendo.

Quando olhei para aqueles pobres torcedores ‘infiéis’ que integravam a torcida adversária, mirei os milhares de rubro-negros que ocupavam a maioria dos espaços na Ilha – esses, sim, fiéis. Lembrei dos alvirrubros que permanecem firmes apoiando seu clube. Também, dos tricolores que não deixam a peteca cair, mesmo diante de tantos revezes. E senti um leve vento da esperança bater em minha face: é possível retomar a força da nossa torcida?
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É. Todavia, enquanto os clubes, a Federação Pernambucana e a imprensa não se unirem efetivamente em torno do fortalecimento do futebol no Estado, a situação somente piorará. Ao invés dos gritos de “paraibacas”, antes constantes em nossos estádios como provocação àqueles irmãos nordestinos sem raiz com a própria terra, ouviremos os gritos de “pernambabacas”, revelando de vez a nossa subserviência cultural. Aí, sim, lamentavelmente, terá sido o fim do futebol pernambucano.
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quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Quem é Normal?

Especial Trânsito - Parte 3
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Tomando o trânsito como uma extensão da vida humana, reflete ele uma insanidade coletiva. A mesma que impele as pessoas a mostrar uma agressividade injustificável, a cometer atos bárbaros impensáveis, a fazer das ruas um ambiente hostil. E a convivência nas vias brasileiras reúne tipos distintos de cidadãos.

Além dos ‘flanelinhas públicos’ (ver Parte 1: Os Donos da Rua) e os agentes de trânsito (ver Parte 2: A Indústria da Multa), há os motoristas comportados e bem intencionados (que, claro, vez por outra cometem infrações); os apressados e estressados, que comumente infringem leis de trânsito em nome dos seus urgentes afazeres; os estúpidos e agressivos, capazes de cometer as maiores barbaridades e, ainda por cima, usar da violência para ‘resolver’ seus embaraços; também, os irresponsáveis e imaturos, que fazem do trânsito extensão dos seus mundinhos vagos.

Também, há os pedestres atentos, os desavisados e os estúpidos. Os motoqueiros iludidos numa sensação de ‘liberdade plena’. Os taxistas que acreditam não precisar de ‘reciclagem’. Os motoristas de ônibus que acreditam estar no ‘topo da cadeia automotiva’. Enfim. Todos eles (incluindo outros tipos não citados) compõem, sem dúvida, um universo caótico que movimenta as nossas vias de trânsito.

As ruas como extensão da vida comum. O caos oriundo do caos. Um circo deplorável, composto por uma ala de loucos em canibalismo pleno, promovendo uma ‘corrida maluca’ no cotidiano das cidades brasileiras e me fazendo questionar: quem realmente é normal?
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PS: dia 22 de setembro último foi ‘celebrado’ o Dia Nacional sem carros. Tirem suas conclusões...
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sexta-feira, 9 de outubro de 2009

A Honestidade do Brasileiro


Dia desses conversava com um colega de futebol. O assunto, a corrupção na política brasileira. Quase todo mundo metendo a mão no dinheiro do povo, desviando verbas, fraudando licitações. Políticos oriundos das mais diversas camadas sociais, distorcidos pelo mal maior da humanidade: a falta de moral.

Em dado momento, meu interlocutor se saiu com essa: “A gente fala, fala... Mas se fosse contigo tu não metia a mão no dinheiro também não?”. Minha resposta: “Não. Se todo mundo fizer isso, quando a situação vai mudar?”. Ele riu. E complementou: “Pois eu tirava o meu sim! Todo mundo faz. E eu não sou trouxa!”.

Ontem, fui num armazém comprar alguns materiais. Na saída, pedi a ajuda de um funcionário para colocar umas telhas no carro. Abri a mala e, ao me virar, percebi que o homem pegou uma bandeirola (que meu filho esquecera no veículo) e só não enrolou e botou no bolso porque me virei abruptamente. Evitei um furto, mas, infelizmente, nada pude fazer quanto ao caráter do rapaz.

Ser indiretamente chamado de trouxa pelo meu colega de futebol em nada me afetou. Perder a bandeirola também não me afetaria. Entretanto, saber que as pessoas insistem em pensar (e agir) dessa forma, sim – embora isso não seja lá grande novidade. Gente trabalhadora, mas que não se sente inibida em roubar (se apossar do que não é seu). Que ignora os verdadeiros valores que formam um cidadão. Que desaprenderam a respeitar o próximo.

Os maus exemplos das figuras públicas se multiplicam. A impunidade afrouxa tudo. O escracho se perpetua. Essas coisas me deixam pensando na honestidade do brasileiro – especialmente, na falta dela. E fico me perguntando: quando isso terá fim?

É... Acho que somente um trouxa como eu para me preocupar isso...
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segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Terra de Ninguém

Não estamos sozinhos no universo.
Não somos donos do mundo.
Aqui apenas estamos...


E eis que a natureza amplifica sua revolta, a lei do retorno implacável: Samoa destruída por um tsunami; Filipinas devastada por um tufão; Indonésia revirada por um terremoto; Califórnia (EUA) chamuscada por incêndios florestais.

E a vida continua tensa: Honduras dividida por um golpe de estado; descarrilamento de trem matando e ferindo dezenas na Tailândia; chuvas castigando a Índia; a violência urbana atormentando o cidadão no Brasil.

E eis que o dia amanheceu, a tarde chegou e a noite vem vindo. O tempo segue. A natureza permanece a ensinar. E o ser humano continua teimando em acreditar que essa é a Terra de ninguém.



Não estamos sozinhos no universo.
Não somos donos do mundo.
Aqui apenas estamos...

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Tempestade

Nuvens na cabeça,
Trovões na mente,
Raios no coração:

Chovi em lágrimas...



Enquanto o mundo se desfaz nas mãos da própria humanidade, desfaço-me numa tempestade que me deixa um tanto inerte, sem saber mais o que fazer. De gota em gota, sigo tentando cumprir o que me cabe – único consolo em dias tão sombrios...

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

A Turva Nuvem do Hoje


Acordei com a vista embaçada. Esfreguei os olhos na ânsia de apenas ver. Em vão. Contudo, não são os meus olhos foco da questão. Basta um olhar pra vida cotidiana do Recife para a turva nuvem do hoje provocar imensa irritação.

A penumbra feminina, cada vez mais presente na criminalidade, especialmente no tráfico de drogas. A poluição do crime organizado, fazendo cidadãos de reféns em suas próprias residências. A escuridão da irresponsabilidade, colocando vidas em perigo, fazendo com que prédios corram risco iminente de desabamento. A conflituosa opção da greve, trazendo um pretume nas relações comerciais e contaminando a vida da população – ainda que compostas por justas reivindicações.

Não bastasse essa escuridão (parte mínima do 'todo' escuro), até o majestoso Rio Capibaribe, já tão enegrecido pelo lixo e dejetos da ‘cidade maurícia’, foi ‘invadido’ por dois jacarés - talvez atraídos por tamanha atividade sombria -, que se embrenharam por dentro de uma área de mangue – algo inusitado em dias tão turvos.

Continuo tentando enxergar. Olho para cima e sinto a força do sol, que voltou a brilhar. E só me resta lamentar que seus fúlgidos raios estejam inibidos pela turva nuvem do hoje. Com os olhos ainda embaçados, permaneço tentando reencontrar a visão...

domingo, 20 de setembro de 2009

Desilusão é Bênção: Alguém Duvida?

"Agradeça quando se sentir desiludido, pois isso significará que você um dia viveu numa grande ilusão". (Mestra Rowena)


A frase da grande mestra Rowena revela algo simples. Traduz uma obviedade ignorada pela humanidade. Impele-nos, pelas vias mais elementares, a compreender a 'realidade' da vida: ilusão.

Sim. A vida é uma grande ilusão. Período passageiro. Oportunidade ímpar de estar num planeta como a belíssima Terra. De exercer uma experiência material. De compreender na prática a oportunidade de ser carne enquanto se é divindade - e de descobrir o ponto de equilíbrio. De absorver de uma vez por todas que a matéria é perecível, mas que a vida superior é perene.

Ontem abri o jornal e só encontrei ilusão: a mulher que foi detida numa penitenciária levando maconha escondida na vagina; o homem assassinado por motivo banal; o enterro de uma criança morta atropelada por um motorista embriagado; a famosa topando posar nua por um punhado de dinheiro... Quanta ilusão...

Acho que por isso mesmo, hoje acordei com a sensação de desilusão me consumindo. Desilusão por não partilhar dos mesmos 'desejos' da grande maioria - e, também, por ainda partilhar de alguns deles; por acreditar que posso ser muito mais do que sou, quando muitos não acreditam; por saber que percorri longas e árduas estradas - e continuo seguindo -, quando outros sequer conseguem enxergar isso. De ver as pessoas mergulhadas numa triste ilusão coletiva, cegos por esse enganoso véu.

Desilusão, sim, mas com um tom adocicado. Que me consola justamente por me revelar que um dia estive iludido - e que o que me incomoda também é ilusório. Que me aponta um desejo interior de ser hoje melhor do que ontem e me faz compreender minhas próprias limitações. Enfim, que me afirma silenciosamente que a humanidade um dia acordará - e eu também.

Vou passar o dia curtindo isso. À noite, contudo, quero me deitar, fechar os olhos e abrir a janela da alma. Quero amanhã acordar renovado, respirando o ilusório ar terreno, ciente de que dele não dependo para viver a verdadeira vida. Vou querer enxergar a tudo com olhos divinos e buscar a compreensão de que é possível viver sem essa ilusão material que me rodeia. E quero, definitivamente, acreditar que sou um projeto superior, cujo êxito só depende mesmo de mim.

Desilusão é bênção. Alguém duvida? Eu não...

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Mitos Mundanos

(‘mito’ enquanto ‘lenda’; minhas interpretações pessoais do ‘entendimento coletivo’)

“A carne é fraca”.
Não. Não exatamente. É perecível. Símbolo da fragilidade humana. Desculpa maior para os equivocados hábitos dos seres terrenos. Matéria cujas veias da transitoriedade permeiam...
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“O amor é cego”.
Não (a paixão, sim - cega e burra). O amor é imortal. Símbolo da força divina que move cada ser. Motivo maior dos certeiros hábitos humanos. O imperecível que nos faz deuses...

“A justiça é cega”.
Também não. É implacável. A mundana, limitada. A divina, infalível, atemporal, paciente, incisiva. Motivo maior daquilo que chamamos de azar. Também, símbolo da força do desconhecido, que insistimos em denominar de sorte...

“Deus é fiel”.
Não é não. Nem uma figura humana em seu pomposo trono. É a força motriz do universo. O Todo. O Tudo. Aquilo que move toda essa engrenagem infinita. O que ainda é mistério para a nossa pobre raça humana...

“O diabo atenta”.
O demônio não existe! Criação humana para justificar suas próprias sombras. Símbolo do fracasso de uma raça que ainda rasteja rumo à longínqua perfeição...

“O inferno é aqui”.
Não. O inferno não é um lugar. É um estado de espírito. Condição infeliz em qualquer dimensão universal. É o mar de erros e imperfeições ainda não curados pela evolução...
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“O céu é o limite”.
Não é. O céu terreno é quase uma ilusão; o céu divino, o infinito. O céu dos artistas é símbolo. O das religiões, distorção daquilo que chamamos de paraíso. Enfim, céu é o abraço metafórico de Deus...
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“A vida é bela”.
SIM! É oportunidade. Hiato ilusório necessário. Campo para a experiência material de Deus. Fruto do que somos enquanto seres humanos. Bela, sim. Divinamente projetada para o sucesso – eis a exceção...

terça-feira, 1 de setembro de 2009

A Indústria da Multa

ESPECIAL TRÂNSITO - PARTE 2


O trânsito brasileiro é um caos. Barulho, poluição, agitação, excesso de frota, desrespeito às normas vigentes, imprudência, má fé, má sinalização... Esses são apenas alguns dos seus ingredientes, que não por menos têm ‘inflacionado’ a intervenção do poder público na aplicação de multas.

Para tentar colocar ordem nessa balbúrdia, estão os agentes de trânsito. Em Recife, são em sua grande maioria guardas municipais. Com rendimentos na casa dos R$ 1.000,00 - somando-se os benefícios -, ocupam esquinas movimentadas com uma ânsia voraz em aplicar multas. Os mais ousados (e não são poucos), valem-se do ‘poder’ para cobrar propinas descaradamente.

Dizem que existem ‘metas’ a cumprir na aplicação de multas de trânsito – o que justificaria os excessos cometidos por estes. Também, que o ‘baixo’ salário (a ironia deve-se à média salarial nacional do trabalhador) aponta para a cobrança de ‘tocos’ pelos agentes – se isso se justificasse, meu Deus, estaríamos perdidos! A verdade é que, dentre essas divagações, vemos uma área delicada e repleta de problemas. De parte a parte.

Resumindo: de um lado, os ávidos agentes de trânsito. De outro, os mal educados motoristas (maioria). No meio termo, os poucos condutores fiéis seguidores da lei. E o resultado disso é a indústria da multa, outra distorção dentre as inúmeras existentes. Eis uma relação de difíceis parâmetros e em permanente interação, dia após dia nas ruas do país.

Pense num barulho!


(em breve, a terceira e última parte do ‘Especial Trânsito' – Quem é Normal?)

Leia também a parte 1: Os Donos da Rua

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Universo Virtual


Há pouco mais de um ano decidi lançar o meu blog. Denominei-o “De2em2...”, pensando na sugestão do termo e nas possíveis faltas de tempo em atualizá-lo. A idéia central era (e continua sendo) difundir minhas idéias, fomentando a minha condição de escritor, que cada vez mais vem se materializando, e promover interação com amigos e leitores em geral.

Eis que esse mergulho no mundo virtual tem se consolidado. Cada vez mais pessoas têm lido o blog e uma ‘rede’ tem se formado. Algo muito saudável, especialmente pela semeadura de conceitos morais relacionados ao cotidiano humano.

No último final de semana, recebi de Robson Fernando, do Blog Consciência Efervescente (http://conscienciaefervescente.blogspot.com), dois selos de ‘amizades virtuais’ que chegam para consolidar tudo isso. Eles estão exibidos na área direita da página. Vou passando pra frente, indicando outros blogs para receber tal honraria. E os interessados podem acessar esses blogs abaixo, conferindo seus conteúdos variados:

Bruno Tavares: expositor que aborda assuntos diversos à luz da doutrina Espírita, sem pieguismo: http://bruno-tavares.zip.net

Blog do Moreira: jornalista que trata de assuntos diversos (especialmente música) com seu viéis um tanto ácido: http://iurimoreira.blogspot.com/

Liane Azevedo: esotérica que, quando tem tempo, dedica-se a assuntos ligados a esse ramo de conhecimento: http://www.lianeazevedo.zip.net

Amigos para Sempre: Roberta Tavares atualiza o blog do grupo de ciclismo APS, sempre focando em assuntos correlatos: http://aps-amigosparasempre.blogspot.com


Meus agradecimentos a Robson e a todos os amigos e leitores... Vamos em frente!

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

A Regra Que Virou Exceção

“A honestidade é como a chita, há de todo preço, até a de meia pataca”. (Machado de Assis)


Antes se tratasse da Língua Portuguesa. Antes fossem apenas normas gramaticais – ou físicas, ou químicas, ou matemáticas. Mas, não. Infelizmente a questão é mais em baixo. É moral. E a exceção à regra é ser honesto.

O bom sujeito, outrora exemplo, era meta a ser perseguida, conjunto personificado de valores nobres cuja honestidade vinha em primeiro plano; agora é referência máxima de mediocridade, sinônimo de idiotia, desvalorização. Uma inversão de contexto bastante ‘apropriada’ para os tempos ‘modernos’.

Exemplo mais comum é encontrar algo de valor em locais públicos. Vez por outra essas atitudes isoladas ganham destaque na mídia, comprovando essa escassez de honestidade como valor social humano.

Caso recente aconteceu em São José do Rio Preto (SP), quando um trabalhador encontrou uma mala com cerca de 17 mil reais e, mesmo pagando uma casa cujas prestações poderiam ser quitadas com 16 mil, entregou o montante à Polícia. “Preciso de dinheiro, mas não o dos outros. Eu trabalho e vivo com o que ganho”, afirmou o homem que, reconhecido como exemplo pela mídia em geral, foi criticado por muita gente. Idiota? Homem de bem? Será que tais adjetivos são congruentes? De maneira alguma.

Não furtar, ser fiel a(o) companheira(o), dar a preferência a outro veículo no trânsito, ceder o lugar para uma pessoa idosa, respeitar a vida (humana, animal, vegetal, mineral)... Tudo isso, atualmente, é exceção. A regra agora é levar vantagem em tudo, como se isso fosse o mais importante na vida. E não é.
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Enquanto cada indivíduo não se enxergar no outro e não compreender a máxima da fraternidade, continuaremos nesse viés distorcido, vendo as boas regras tornarem-se exceção. Uma lástima.

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Suicídio Terceirizado


O que dizer de uma pessoa que, atolada em problemas, decide findar a própria vida? Trágico e deprimente, sem dúvida. Mas, pior ainda, é alguém tomar tal decisão e contratar seu próprio assassino. Duvida?

Pois eis que em Fortaleza-CE, uma mulher assim o fez. Pagou R$ 500, deu um laptop e alguns pertences pessoais de valor, tomou umas cervejas com o dito cujo e, no carro, autorizou-o a disparar contra sua cabeça, com o revólver que ela mesma entregara a ele momentos antes. Após a perícia, a polícia dá como certa essa versão. Duvida? Eu não.

A atitude da cearense, apesar de atípica, em nada se difere dos procedimentos suicidas. Pouco se diferencia das loucuras diárias que o ser humano tem promovido. Na verdade, soma-se aos desequilíbrios cotidianos de uma sociedade cujos valores morais há muito tempo se deturpou.

O ato covarde de tirar a vida de outrem ou a própria (nesse caso, um infeliz recurso ante o desespero) é reflexo direto de uma geração alheia à realidade. A vida real em nada se parece com esse formato deturpado que predomina em nosso ciclo social: viver ‘de fora pra dentro’. Enquanto a humanidade persistir ignorando o poder divino que possui e não adotar um modelo ‘de dentro pra fora’, continuará se perdendo nessas lamentáveis e distorcidas atitudes.

O caso aqui narrado pode ser definido, de forma irônica (já que só essa veia agora me resta), como suicídio terceirizado. Estranho. O que mais encontraremos pela frente? Ainda precisamos encontrar a ‘luz no fim do túnel’...

sábado, 8 de agosto de 2009

Pai é Pai

Aprendi o que é ser pai quando 'ele' me tornei. Entendo, hoje, os seus acertos e defeitos. E os tenho vivenciados dia a dia no meu cotidiano familiar. O vídeo abaixo, assim (um curta belíssimo), dedico ao meu pai (pela compreensão que tenho hoje do seu valor - imenso!), ao meu filho (para que desde já entenda o que isso significa) e a todos os pais, nessa data simbólica, mas fundamental...

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quinta-feira, 6 de agosto de 2009

A Quinta-Feira em Três Vias


Chuva forte no Recife, nessa manhã de quinta-feira. Um certo caos se instalou nas ruas da cidade, como de costume (infelizmente), conturbando o cotidiano.

Na avenida Norte, os alagamentos nas laterais da movimentada via foram inevitáveis. Os pedestres fazendo das tripas coração para se locomover. E eis que um funcionário do município, dirigindo um caminhão de lixo da EMLURB, se divertia guiando o veículo por dentro das poças d’água, molhando os pedestres desavisados com a água suja. Um ‘belo’ exemplo de leviandade e ignorância.

Na BR-101 Sul, enquanto a chuva persistia em cair, uma viatura da Polícia Militar era conduzida por uma ‘autoridade policial’. Sentindo-se capaz de fazer o que bem entendesse ao volante, o PM motorista guiava o veículo enquanto falava ao celular e cortava outro carro pela direita, utilizando o acostamento. Um ‘belo’ exemplo de imprudência e arrogância.

Já na Rua dos Ramos, no bairro de São José, entre as chuvas da madrugada, os moradores acordaram devido ao choro insistente de um recém-nascido, abandonado na via. Defecado e coberto por formigas, o bebê foi resgatado por um morador. A polícia ainda não sabe quem é a ‘mãe’ da criança, que deu um ‘belo’ exemplo de irresponsabilidade e covardia.

Os fatos foram observados por este que vos escreve, no dia de hoje (exceto o caso do bebê abandonado, que é destaque na imprensa). Sentado à frente do computador, fico aqui somente imaginando qual a (infeliz) conexão entre a chuva, as vias do Recife e as pessoas com baixíssimo senso moral em nossa cidade. Quantas quintas-feiras ainda se repetirão?

quarta-feira, 29 de julho de 2009

[Videoblog] Quem Fez a Falta?

Essa foi o amigo João Cavalcanti que me mandou dia desses. Mais que uma situação hilária e, diria, absurda, num jogo de futebol, a cena mostra a sede violenta do homem que, em situações diversas - como nos esportes - revela seu lado mais agressivo. Ainda bem que tudo ficou no 'deixa disso' - mas que a cena é dantesca, isso é...

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sábado, 18 de julho de 2009

VOCÊ É COVARDE!


Esqueça o papo ‘politicamente correto’. Esqueça também muitas das ‘verdades’ que lhe ensinaram. Ignore o tradicionalismo estéril, assim como todo esse merchandising em torno da ‘modernidade’. Esqueça. Pois, sim, VOCÊ É COVARDE!

É! Você mesmo! Que todos os dias ‘alimenta’ uma cadeia produtiva movida pelo extermínio de seres inocentes. Que financia a matança cruel de outros irmãos terráqueos. Que ‘engorda’ os cofres daqueles que promovem o ‘cultivo’ de seres para consumos variados, sem sequer se importar com os métodos cruéis e desumanos por eles empregados.

Você, que não sabe compartilhar o gratuito dom da vida recebido e insiste em ignorar o brutal assassinato em massa de animais para fins diversos. Você! Você! Você!

Sim! Você que come carne de cadáveres exterminados – como se não tivesse procedida de um ser vivo –, diariamente, e finge nada saber. Que pensa que, por ser ‘humano’ e dotado de ‘discernimento’, é superior aos outros seres sencientes. Que, por vaidades múltiplas, comodidade e crenças ultrapassadas, acha que tudo isso é ‘legal’ – e não se incomoda em ‘digerir’ toda essa cultura mórbida.

VOCÊ É COVARDE! E enquanto eu o acuso com meu dedo indicador, percebo que os outros quatro voltam-se contra mim. Ao menos, há algum tempo venho mudando meus hábitos e me desapegando, cada vez mais, dessa cultura de extermínio da sociedade humana.

E você, se quiser deixar de ser parte dessa ‘cadeia mórbida’ que só acelera a destruição do planeta, pode ao menos dedicar cerca de uma hora e meia do seu tempo para assistir, talvez, o mais impactante documentário sobre a relação do homem com o planeta e, especialmente, com os animais.

TERRÁQUEOS (com narração de Joaquim Phoenix).

Clique, assista e ‘contamine-se’ com a idéia de um planeta mais ‘humano’...

http://vista-se.com.br/terraqueos/

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Espetáculo Macabro


Em vida, talento nato que se perdeu com a fama. Garoto negro promissor, que rapidamente ganhou a mídia, mudou de status, de conta bancária e até de cor. Revolucionou a música POP. Misturou o homem com o artista. Confundiu fantasia com realidade – vice-versa – e morreu sem saber ao certo o que é o viver.

Após a morte, homem que virou mito. Ainda que não tenha sido um ser humano extraordinário e que não tenha deixado nenhuma realização imprescindível para a humanidade, foi sepultado como um deus. E chegou ao ‘outro lado’ sem saber ao certo quem realmente era.

O ontem achincalhado pela imprensa, agora é mitificado. De possível pedófilo passou a ‘criança’ iludida. A família já iniciou a briga pela fortuna. A mídia não cansa em explorar a sua morte e as consequências da mesma. O funeral foi um espetáculo macabro, assim como a própria vida do artista – fãs exibindo seus ingressos para um ‘show’ fúnebre, assim como ele exibia na face a própria perdição.

Michael Jackson... Rei?

sexta-feira, 3 de julho de 2009

[Videoblog] Somos como Animais?

O amor é mágico. É Deus. E todos O tem em si. Até mesmo o mais 'desprezível' dos homens.
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Assistindo ao vídeo abaixo, pensei na humanidade aturdida e percebi o quanto muitos de nós somos como os animais. A natureza é a nossa maior mestra... Fantástico! Assista até o fim e comente!



video

quarta-feira, 24 de junho de 2009

[Videoblog] Ignorâncias na Tradição

24 de junho. São João. Feriado. Cujo mote é um santo católico. João. Que teve importante missão histórica. Que teve o nascimento anunciado com uma fogueira. Luz que não se apagou até hoje em nome de uma tradição. Tradição essa que “justifica” uma poluição danada – e outra sonora, que pegou carona. E que fez essa data virar festa. E que misturou da pior forma cultura com tradição...

Da religião, festejo. Do festejo, cultura. Da cultura, tradição. Nesse caminho, muita coisa se misturou, confundindo raízes com teimosia. Afinal, cultura que não evolui se torna mera tradição – como soltar fogos (e os hospitais viram centro de socorro como se fosse época de guerra) e acender fogueira (e os hospitais, idem, e o meio ambiente que se vire) –, fazendo essa bela festa ganhar contornos ultrapassados.

A cultura é viva. A tradição, idem – desde que evolua com os conceitos do que é saudável ou não. Senão, cenas como essa (ver vídeo abaixo) se repetirão sem a menor necessidade, privilegiando o 'belo' (ou o 'divertido') em detrimento do saudável; ignorâncias na tradição...

video

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Ah! Se Eu Fosse 'Dunga'...


Em nome do “profissionalismo” e do “marketing” o futebol virou “negócio”. A Seleção Brasileira que o diga. A principal. Fonte de inúmeras negociatas envolvendo clubes, empresários e a própria CBF, num ciclo de cifras abundantes.

Ciclo esse que alimenta outro, menor, interno, voltado para o eixo Sul-Sudeste. Onde jogadores que lá atuam são sempre foco para a ‘canarinha’. São convocados e vão para o exterior. Ou vice-versa. E nesse ‘vai-e-vem’ o futebol de ‘lá’ vai ficando cada vez mais forte. E o de ‘cá’ – leia-se resto do país – fica a mercê.

Dia desses o técnico Dunga foi questionado. Perguntaram quando o Nordeste terá um jogador novamente na Seleção. Vou além: quando um jogador atuando num clube do Norte-Nordeste vai para a Seleção?

A saída do ‘professor’ foi insinuar culpa aos clubes, que “devem trabalhar melhor para revelar bons jogadores”. Brilhante. Clubes com orçamentos muito inferiores aos do citado eixo. Que não são beneficiados pelo referido ‘ciclo’. Que veem seus potenciais craques partir para as bandas de ‘lá’, sonhando com voos mais altos.

Por essas e outras, a Seleção Brasileira - a principal - perdeu o glamour. Não consigo torcer para esses ‘produtos’ que vestem o amarelo da nossa bandeira (por melhores jogadores que sejam). Não consigo mais compactuar com esse cartel escuso, que mantém um esquema no qual a maior parte do país é excluída. Posso parecer o ‘Zangado’ nessa história, mas, garanto, se eu fosse o ‘Dunga’...

Contudo, enquanto minhas palavras se perdem na imensidão da ignorância da maioria, vejo que as seleções secundárias cumprem com louvor sua função. Sub-15, Sub-17, Sub-20. Contando com talentos de outras regiões do país. Essas, sim, verdadeiras seleções brasileiras.
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Ah! Se eu fosse ‘Dunga’...

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Che, Gandhi e o Mundo


Em épocas diferentes, mas ainda tocantes, dois símbolos promoveram revoluções. Um no Ocidente. Outro, no Oriente. Um pegando em armas. Outro pregando a não-violência. O que mudou no mundo desde então?

O argentino Ernesto Rafael Guevara, o Che (1928-1967), tocou-se com a miséria na América Latina. Médico, mente privilegiada, aliou-se a outros ‘companheiros’ e iniciou uma das mais marcantes revoluções do nosso tempo: o movimento 26 de julho, que acabou por tomar o poder em Cuba. Ajudou a formar uma milícia que, pouco depois, tornar-se-ia um exército e iniciaria o governo comunista mais ousado da história.

Mais que armas, Che pregava a independência contra o ‘imperialismo’ das grandes nações – em especial dos Estados Unidos. Ensinou diversas pessoas a ler e escrever. Atendeu ao povo pobre de Cuba usando seus dotes de médico. Mostrou que, às vezes, é preciso sair da inércia e enfrentar as dificuldades. E não hesitou em usar da violência para tal fim. Assassinado em 1967, na Bolívia, viu sua utopia igualmente sepultada: a de espalhar a revolução por toda a América e promover, aos seus olhos, a justiça social.

Décadas antes, nascia em 1869, na Índia, Mohandas Karamchand Gandhi, o 'Mahatma'. Cresceu atento às leis injustas de sua terra e, não por menos, formou-se em Direito, em Londres. Atuou na África do Sul e na própria Índia, iniciando um movimento pacifista em prol dos direitos dos Hindus e da independência do seu país. Diferentemente de Che, Gandhi enxergava na não-violência a solução para promover mudanças. Abdicou de todos os seus bens materiais e mergulhou nas crenças religiosas e na força do seu conhecimento das leis.

Iniciou, assim, a maior revolução pacífica da humanidade. Enfrentou os poderosos ingleses e as divergências do seu povo. Ao invés de infligir sofrimento, assumiu-os: fez várias greves de fome, que sensibilizaram o povo e amenizaram os inevitáveis confrontos que teimavam em acontecer. Assassinado em 1948, viu sua utopia igualmente sepultada: a de ver a justiça social em evidência e a violência banida do coração dos homens.

Os olhos justiceiros de Che contrastam com a força iluminada de Gandhi. E ambos são exemplos de uma luta pelo bem comum – um, equivocado pelo uso da força bruta; outro, um tanto esquecido justamente por mostrar que a verdadeira força para a mudança é o amor.

E eis que os anos passaram. Com armas ou não, o mundo permanece avesso à justiça de Che – então reduzido a um ícone revolucionário – e à paz de Gandhi – figura divina então reduzida ao símbolo de um mundo utópico. Até quando?

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Os Donos da Rua

ESPECIAL TRÂNSITO - PARTE 1


Pedir, que há muito virou ofício, vem cada vez mais ganhando contornos ‘legais’. Agora, esmola sob intimidação é o trunfo. O direito de ‘ir’ e ‘vir’ quase que cerceado. E as ruas vão ganhando ‘proprietários’, que ocupam território livre e impõem suas condições.

Guardadores de carros. Flanelinhas. Donos da rua.

D’onde surgiram tão numerosos? Frota excessiva, escassez de vagas para estacionamento, desemprego... As livres vias de outrora, públicas, caíram nas mãos do ‘excluídos’ – uns, desempregados, honestos, buscando ocupação e renda através de uma espontânea ‘prestação de serviços’; outros, quase meliantes, exercendo um poder de cobrança inexistente e ‘privatizando’ à força o direito alheio.

Nesse entremeio está o cidadão comum, pagando esses ‘impostos informais’ em cada via em que se precise deixar o carro nesse vasto país, como se fosse isso normal. E o ‘novo ofício’ vai ganhando cada vez mais adeptos, trabalhadores informais com renda muitas vezes maior que a da maioria da população.

Como quase tudo no Brasil, a questão tem seu ‘ponto G’ mais embaixo e envolve uma série de componentes: sociais, econômicos, políticos, culturais... Ainda assim, ficam as perguntas: Quem tem real direito sobre as vias públicas? Quais os limites entre o direito individual e coletivo? Quem são os verdadeiros donos da rua?

Enquanto o problema se acentua e as autoridades continuam empurrando a situação com a barriga, vou logo guardando uns ‘real’ para os donos da rua. E nesse ir e vir pelas cidades brazucas, vou pagando pra ver...

segunda-feira, 1 de junho de 2009

URGENTE: Nova Vida Para Salvar...


Aline tem 18 anos e apenas 10% de chances de sobreviver, caso não seja feito URGENTE transplante de medula óssea. Essa recifense, que ganhou destaque na mídia por conta da sua grave situação, tem essa semana como limite para o transplante, pois, a partir de então, iniciará um processo quimioterápico mais intensivo - que os médicos estimam reduzir em 10% as suas chances de sobrevivência.
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Aluna do NAP, Aline já enfrentou 10 meses de quimioterapias e está no ponto crítico da sua doença. Cabe a cada um, então, se engajar nessa luta e ajudar essa recifense a manter esse sorriso tão alegre exibido na foto acima.
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Assista ao vídeo da campanha postado no You Tube e, mais abaixo, saiba como ajudar Aline e outras pessoas pelo Brasil...
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Como Ajudar? (retirado do Portal do Meira)
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A) Divulgue estas informações aos seus amigos e a quem puder;
B) Faça um exame de compatibilidade e incentive outras pessoas a fazer.
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COMO FUNCIONA O EXAME DE COMPATIBILIDADE?
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Toda e qualquer pessoa do Brasil pode fazer o exame. Ao chegar no local autorizado pelo Banco Nacional dos Doadores de Médula Óssea um cadastro simples é preenchido e você tem um amostra de sangue (apenas de 5 a 10 ml!!!) retirada para que sejam feitos os exames de compatibilidade.
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Esclareço que a amostra de sangue vai para um cadastro nacional e que uma vez verificada a compatibilidade com alguém que necessite do transplante de médula óssea, você é comunicado e questionado se está disposto a realizá-lo. Caso surja algum doador compatível com a Aline, acreditamos que a moça será salva.
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ONDE FAZER O EXAME DE COMPATIBILIDADE?
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Simples, basta comparecer em um dos Hemocentros do Brasil (Clique Aqui). Atenção!!! A sua cidade pode não constar na lista deste link do Instituto Nacional do Câncer, o que não significa que você não possa se tornar um doador voluntário de médula óssea, isso porque, via de regra, os bancos de doadores de sangue são postos autorizados pelo Instituto Nacional de Câncer a fazer o cadastro e enviar amostras de sangue para as instituições mais aparelhadas.
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OUTRAS INFORMAÇÕES IMPORTANTES (segundo INCA):
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• Qualquer pessoa entre 18 e 55 anos com boa saúde poderá doar medula óssea. Esta é retirada do interior de ossos da bacia, por meio de punções, e se recompõe em apenas 15 dias.
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• Os doadores preenchem um formulário com dados pessoais e é coletada uma amostra de sangue com 5 a 10ml para testes. Estes testes determinam as características genéticas que são necessárias para a compatibilidade entre o doador e o paciente.
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• Os dados pessoais e os resultados dos testes são armazenados em um sistema informatizado que realiza o cruzamento com dados dos pacientes que estão necessitando de um transplante.
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• Em caso de compatibilidade com um paciente, o doador é então chamado para exames complementares e para realizar a doação.
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• Tudo seria muito simples e fácil, se não fosse o problema da compatibilidade entre as células do doador e do receptor. A chance de encontrar uma medula compatível é, em média, de UMA EM CEM MIL!
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• Por isso, são organizados Registros de Doadores Voluntários de Medula Óssea, cuja função é cadastrar pessoas dispostas a doar. Quando um paciente necessita de transplante e não possui um doador na família, esse cadastro é consultado. Se for encontrado um doador compatível, ele será convidado a fazer a doação.
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• Para o doador, a doação será apenas um incômodo passageiro. Para o doente, será a diferença entre a vida e a morte.
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• A doação de medula óssea é um gesto de solidariedade e de amor ao próximo.
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• É muito importante que sejam mantidos atualizados os dados cadastrais para facilitar e agilizar a chamada do doador no momento exato. Para atualizar o cadastro, basta que o doador ligue para (21) 3970-4100 ou envie um e-mail para redome@inca.gov.br.

segunda-feira, 25 de maio de 2009

O Assassinato de Sidney Nicéas


O tempo correra quase sem se perceber. Aí, ele já passava dos 30 anos de idade. Incomodado, percebeu que muito do que acreditava ser não passava de ilusão. Foi quando, de uma vez por todas, decidiu agir.

Disposto a tudo para conseguir destruir o que de ilusório havia em si, bateu de frente com sua própria persona. Lutas intermináveis o consumiram por anos a fio. Embates desgastantes que resultaram num prenunciado assassinato.

- Sidney Nicéas está morto!

A notícia se espalhou dentro do ser agora largado ao léu. Novas diretrizes foram inevitáveis: modificar hábitos, mudar a freqüência dos pensamentos, equilibrar o próprio interior, enfim, realizar a mais difícil alquimia, que é transformar o “eu quero ser” no “eu sou”.

Sidney Nicéas se foi. Descartado em suas faces mais sombrias. Ainda que não seja hoje totalmente o que deseja, assassinou o ser de outrora e iniciou os necessários passos para mudar a própria condição. Assassínio ou suicídio? Muitos se questionam, mas até hoje ninguém sabe ao certo. Todavia, um novo homem tem renascido dessas cinzas.

"Seja bem-vinda, dona Morte"! Essa é a expressão do momento. E quem não a deseja, assim, nesses termos?

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Mãe é Mãe. Ou não?


Deus fez a luz.
Minha mãe me deu a luz.
Presumo, então,
Que minha mãe é Deus
E que a luz sou eu.
Ou não?

Minha sogra é mãe.
Da minha mulher.
Presumo, então,
Que minha mãe também é sogra
E que eu tenho duas mães.
Ou não?

Minha mulher é mãe.
É também filha e esposa.
Presumo, então,
Que ela também é sogra
E eu dela irmão.
Ou não?

Bom... Sandices à parte,
Na verdade, arretado é ser mãe.
Presumo, então,
Que por isso mulher vira mãe,
Mãe vira sogra e sogra vira o cão.
Ou não?

domingo, 10 de maio de 2009

Um Sonho Quase Impossível


Jovens. A maioria de baixa renda. Grávidas. Cheias de esperança. Esse é o perfil de muitas candidatas à mãe, viventes na periferia recifense. Parte delas – 36 atualmente, todas residentes na capital pernambucana – integrantes do projeto Colméia, mantido pela Associação Espírita Casa dos Humildes.

A dura realidade cotidiana se mistura com a alegria e a esperança vivida com a gravidez, longe do (cada vez mais freqüente) desejo abortivo. A certeza da bênção que é gerar uma vida no próprio ventre. O conforto de contar com a ajuda de gente abnegada, que semanalmente se reúne no referido centro espírita com o único propósito de servir.

Estimuladas a escrever uma carta para o filho que ainda vai nascer, elas demonstraram um elevado senso de percepção da realidade. “Sabe filho (...) Na verdade, eu não esperava por você. Você veio no momento mais complicado da minha vida. Fiquei desesperada porque não sabia como aceitar você”, palavras de Dulciléa Lopes, 32 anos. “Com a ajuda dos meus amigos pude entender que você é especial (...) Me desculpe pelas tristezas e choros e dizer que eu não sou feliz. Mas é que a vida não é como queremos (...) Por isso, filho querido, seja bem vindo ao nosso lar, porque estamos à sua espera (...) Mamãe te ama, meu amor. Eu vou cuidar de você com muito carinho”.

As dificuldades financeiras, ainda que se mostrem obstáculos difíceis, não desanimam essas futuras mamães, como Karine Rodrigues, 22 anos. “Eu e seu pai estamos muito alegres e te amamos muito, mesmo antes de você nascer (...) No momento não temos condições de comprar todas as coisas que um bebê precisa, mas eu estou na ‘Colméia’ e seu pai está fazendo uns bicos pra comprar um berço, guarda-roupas e algumas coisas. Seus avós também ajudam. Mesmo com todas as dificuldades não vamos deixar nada faltar para você (...) Estamos muito ansiosos pela sua chegada”, escreveu.

Outras integrantes do projeto mostraram sensibilidade para ilustrar essa realidade. “Quando fiquei sabendo da sua chegada, não pude conter a minha alegria de saber que havia um ser em meu ventre (...) Jamais imaginei que sentiria essa alegria, pois, devido a problemas de saúde, achava que jamais poderia ser mãe”, expressou Andressa Ruscele, 16 anos. “Agora eu vejo que para Deus nada é impossível (...) Quando você nascer te levarei, meu filho, à casa do Pai, pois eu prometi isto a mim mesma. Quero te colocar entre minhas mãos e te levantar próximo a Ele. Quando isso acontecer, direi a Ele: ‘Pai, este filho é mais teu do que meu. Toma conta dele quando eu não estiver mais aqui”.

As cartas dessas mulheres (e de mais outras 23 gestantes) integraram um concurso literário, vencido por Karine Rodrigues (cujo trecho da carta está reproduzido acima) e promovido pela equipe que comanda o projeto, no qual este que vos escreve participou como jurado. Mais que letras dispostas num papel, permeadas por erros de português, mas inspiradas pela vida, os depoimentos revelaram que ser mãe no Brasil é uma realidade complexa – e para muitas mulheres, sem dúvida, um sonho quase impossível.

COLMÉIA- A Colméia Fraterna Yvone Pereira funciona há 14 anos na Associação Espírita Casa dos Humildes. De natureza filantrópica, o trabalho tem o comando de Zildete Pimentel, dona de casa que dedica grande parte do seu tempo ao projeto. E ela divide essa responsabilidade com outros 24 voluntários, dentre psicólogos, médicos, donas de casa e outros profissionais, que são carinhosamente apelidados de ‘abelhinhas’.

Os trabalhos compreendem atividades lúdicas, educativas e de lazer, além de oficinas. Tudo visando os enxovais, que são doados às próprias participantes. Lá, as gestantes ganham pontos nas tarefas desenvolvidas, bem como nos procedimentos pré-natais. “Ultrassom, consultas médicas regulares e cartão de vacina também contam pontos. Todas as alunas recebem peças para o enxoval, mas as que mais pontos somam ganham presentes outros, como banheiras e cestas básicas”, revela Zildete.

Mais que presentes e doações, as gestantes têm acesso a informações educativas, atividades manuais (como pintura e bordado) e orientação moral. “Aqui não importa a religião. Elas participam cientes de que estão colaborando com os enxovais umas das outras e mostram muita garra para aprender e participar”, explica Zildete, que define o objetivo maior à frente da Colméia: “Procuramos olhar o ser que estar para nascer e a gestante enquanto mulher, mãe, companheira, filha. Buscamos valorizar a pessoa. Queremos que ela saia daqui levando uma nova imagem de si e da própria vida”, concluiu.

SERVIÇO:
Colméia Fraterna Yvone Pereira – Associação Espírita Casa dos Humildes
Rua Henrique Machado, 110 – Casa Forte – Recife-PE
Informações: 3268.3954

sexta-feira, 8 de maio de 2009

O Botão do Pânico nas Américas


A gripe era suína.
Agora não. (é Influenza A)
As equipes mexicanas eram ilustres convidadas da Copa Libertadores.
Agora não. (estão fulas da vida...)
O jogo entre São Paulo e Chivas seria no México.
Agora não. (o medo da gripe é grande)
Nacional e San Luis se enfrentariam também no México.
Agora não. (idem)
A Colômbia e o Chile sediariam esses jogos.
Agora não. (e tome indefinição)

Tudo por conta do pânico generalizado que tomou conta do mundo, devido ao risco de epidemia da referida gripe. E não bastasse esse enorme obstáculo planetário, eis que a Conmebol continua a saga...

O jogo entre Sport e Palmeiras era na terça-feira.
Agora não. (a TV quer mandar de novo)
A Rádio Ilha podia exercer seu papel de rádio de arena nos jogos do Sport.
Agora não. (a do Palmeiras pode...)
Em abril, Recife era seguro para o Palmeiras jogar contra o Sport.
Agora não. (e ninguém fala nada...)
A Conmebol parecia uma entidade bastante organizada.
Agora não. (nunca vi tanta polêmica em tão pouco tempo)

Quem apertou o botão do pânico???

quarta-feira, 6 de maio de 2009

VENCEDORES DA PROMOÇÃO

Pois é. Decidimos premiar dois leitores dentre os participantes do Concurso de 01 ano do Blog De2em2... Confira os nomes abaixo, assim como a resposta que bolaram para a pergunta: O QUE É ESTAR VIVO, AFINAL?

1) Liane Pires (resposta mais interessante): “É ser feliz; sermos verdadeiros conosco mesmos, procurando encontrar sempre a nossa verdade pessoal; é viver de acordo com a nossa consciência, ou seja, ser livre dos preconceitos gerados pela sociedade que tanto nos oprime; é conseguir ter o discernimento de saber sempre até onde vai o nosso direito, não invadir o espaço do outro e também não ser invadido. Precisamos ser fortes e conscientes de nós mesmos. A ilusão seria viver situações que não condizem com a nossa verdade em prol da necessidade do outro, viver superficialmente, achando que está convencendo ao mundo de uma realidade que não é a nossa, isto é, infelicidade. A grande maioria das pessoas perde a própria referencia de si, daí tanta doença, depressão, pânico etc. A doença é gerada pela falta de harmonia entre a nossa essência (espírito, alma) e a nossa mente física, nossas atitudes contrárias ao que vem do nosso interior. Precisamos buscar o melhor caminho para chegarmos a nós mesmos e, quanto mais nos aprofundarmos neste caminho, melhor estaremos fisicamente e emocionalmente. Isso, sim, seria a felicidade. Viver é, sem dúvida, a melhor aventura”.

Pela longa, mas profunda resposta, Liane leva 01 par de convites para assistir a qualquer filme no Cine Rosa e Silva + 01 exemplar do livro “O Que Importa é o Caminho”, de Sidney Nicéas;


2) João Cavalcanti (resposta mais criativa): “Estar vivo é ter que ver os e-mails dos colegas e responder os interessantes pra ganhar prêmios...”.

Pelo bom humor e criatividade, João leva 01 par de convites para assistir a qualquer filme no Cine Rosa e Silva.


Agradecemos a participação de todos. E aguardem porque, em breve, teremos mais promoções no Blog De2em2...

Para não perder o embalo, deixo no post abaixo a minha resposta para a pergunta que motivou a promoção outrora encerrada. Quem quiser pode estender a ‘brincadeira’, deixando um comentário...

O Que é Estar Vivo, Afinal? (a minha versão)


Mais que descerrar as pálpebras,
Que tragar pelas narinas o ar,
Mais que pensar efusivamente,
Falar, comer, ou andar,
Estar vivo é simplesmente SER:
Essa intrigante essência crua,
Criador e Criatura
Num corpo de carne ambulante,
Pois mais que ‘estar vivo’,
É preciso SER vivo...
E isso eu tento ser a todo instante...

domingo, 3 de maio de 2009

Fique São


Ruas desertas em pleno expediente semanal. Pessoas mascaradas (aonde ainda há aglomeração humana). Autoridades decretando estado de emergência. Nações tementes, à beira de uma pandemia. Não... Isso não é mais uma história de ficção.

O futuro chegou! O futuro... Caos tão apregoado no passado como algo distante, quase impossível de acontecer. O presente, talvez, sem futuro. O presente da comunicação sem fronteiras, do Blue-Ray, do sexo virtual, dos casamentos apartados, do permanente monitoramento do cidadão, das epidemias...

A gripe suína é mais um fato outrora anunciado, fruto de um sistema onde o capital fala mais alto que a saúde e o bem-estar da população. Onde as doenças surgem oriundas de culturas agressivas ao meio ambiente e se espalham com voracidade. Que colocam o nosso sistema em cheque e que, mesmo assim, são colocadas como algo que simplesmente ‘aconteceu’. Onde estão os responsáveis por algo tão perigoso?

Foram tantos os prenúncios: bebês voando pela janela, como que nos indagando: “o que estamos fazendo com o nosso próprio futuro?”; Tsunamis invadindo cidades, como que avisando: “cuidado com o que estão fazendo com o planeta”; aí chega a gripe suína, insinuando: “onde vocês estão querendo chegar?”.

Essa é a questão. E nesse presente que futuro um dia foi – o momento da conquista do espaço, dos relacionamentos virtuais e da violência incontrolada –, vemo-nos diminutos, insensíveis, incapazes. Será a Era que já era? Quem tem a resposta?

Não duvideis: o futuro chegou, trazendo consigo a incerteza do amanhã. E nessa Era de ficção, fique são... Se puder...

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Não Diga???!!!


Estamos nos repetindo! Perpetuando uma mediocridade sem fim...

Presidente da República (dessa vez no Paraguai) acusado de sacanagem? Bispo no passado (também no Paraguai) engravidando mulheres? Esculhambação no Congresso Nacional brasileiro? MST e fazendeiros disputando uma terra sem lei no Norte do Brasil? Não diga???!!!

Advogado querendo inocentar pai e madrasta assassinos? Outro causídico querendo inocentar banqueiro corrupto? Político anunciando doença e aproveitando o marketing pessoal? Não diga???!!!

Sport Recife e Internacional (RS) campeões novamente em seus estados? Ronaldo fenômeno jogando bola de novo? A Globo empurrando futebol paulista e carioca goela abaixo? Não diga???!!!

Nova gripe preocupando o mundo? Chuvas impiedosas no Brasil? Dia da empregada doméstica e ninguém lembra? Mais demissões em massa em multinacionais? Bolsas de Valores em queda? Não diga???!!!

Estamos nos repetindo! Perpetuando uma mediocridade sem fim...
(e eu falando em mediocridade de novo? Não diga???!!!)

quinta-feira, 23 de abril de 2009

A Porta Aberta Para o Abismo da Ilusão


Notícia atual: o vice-prefeito da cidade de Itapetinga, na Bahia, ofereceu seu próprio salário de R$ 6.500,00 para que um médico aceitasse trabalhar no sistema municipal de saúde. Ninguém se candidatou. A cidade só conta com três médicos, dos quatorze aprovados em Concurso. E, por questão de salário, ninguém quer assumir o posto.

Salário... R$ 6.500,00... Uma mixaria... O povo que se dane...

E eu fico aqui me lembrando do grande Bezerra de Menezes (1831-1900), médico abnegado que, certa vez, definiu o exercício de sua profissão: “Um médico não tem direito de terminar uma refeição, nem de escolher hora, nem de perguntar se é longe ou perto, quando um aflito lhe bate a porta. O que não acode por estar com visitas, por ter trabalhado muito e achar-se fatigado, ou por ser alta noite, mau o caminho ou o tempo, ficar longe ou no morro ou que, sobretudo, pede um carro a quem não tem com que pagar a receita, ou diz a quem chora à porta que procure outro, esse não é médico, é negociante de medicina, que trabalha para recolher capital e juros dos gastos da formatura. Esse é um infeliz, que manda para outro o anjo da caridade que lhe veio fazer uma visita e lhe trazia a única espórtula que podia saciar a sede de riqueza do seu Espírito, a única que jamais se perderá nos vais-e-vens da vida".

Apesar da sabedoria desconcertante de Bezerra de Menezes, os exemplos do foco no poder material não se resumem à medicina, muito menos ao caso de Itapetinga. Não é preciso muito para notar os esforços desmedidos dos mais afortunados, em TODOS os segmentos da vida humana (profissional, religioso, social etc) para fazer valer a “lei do mais forte”. A maioria embarca nessa onda. A mídia permanece criando seus “astros inigualáveis”, modelos infalíveis da nossa própria mediocridade. A sociedade teima em se basear nesse sistema. E a humanidade, de tão “rica”, vai ficando cada vez mais empobrecida.

Esse poder em voga não tem valor. Poder monetário, onde o considerado “forte” tem mais “valor” por possuir mais “valores”. É dinheiro. Papel. Pseudo-status. Sem dúvidas, a porta aberta para o abismo da ilusão. Será que viveremos para sempre nesse buraco?

terça-feira, 21 de abril de 2009

Uma Prece Contemporânea


Pai! Perdoai aos jovens de ontem pela incapacidade de fazer um hoje melhor!

E aos jovens de hoje pela incapacidade de nos fazer acreditar num futuro melhor!

Perdoai aos publicitários do passado, que empurravam à sociedade uma imagem saudável e viril do cigarro!

Perdoai também, oh! Pai! Aos bem-humorados profissionais desse ramo que continuam associando as bebidas alcoólicas à alegria e a um estilo de vida saudável e feliz!

E àqueles criativos trabalhadores das agências de publicidade, que apresentam ‘cadáveres’ de frango para o consumo humano utilizando desenhos animados de aves alegres!

E mais, oh! Pai! Perdoai aos marqueteiros que maquiam políticos corruptos transformando-os, aos olhos do povo, em homens honestos!

E aos governantes desonestos que criam cada vez mais refinados mecanismos para fraudar o erário público!

E aos empresários gananciosos, que constroem impérios às custas da exploração do funcionário humilde!

E também aos covardes marginais que atacam idosos e mulheres grávidas, destruindo a noção de respeito que um dia norteou a humanidade!

E aos infelizes que utilizam a internet para usurpar, enganar ou prejudicar os navegantes da web!

E ainda aos pobres de espírito que comandam os meios de comunicação, manipulando informações e alimentando a ignorância do povo!

E as autoridades esquivas, que fingem nada ver e que nada fazem, favorecendo minorias e interesses escusos!

Perdoai por fim, oh! Pai! A nós, cidadãos que vivem a esmo, corroborando com toda essa mediocridade, assim como àqueles que compõem os segmentos aqui citados nessa prece, mas que, honestos e bem intencionados, acham que pouco podem fazer para mudar esse quadro!

Dai-nos a luz para sairmos da escuridão... E a Tua misericórdia para atenuar a nossa incapacidade de enxergar além dessa ilusão chamada vida terrena...

Que seja feita a Vossa vontade...

Amém...

segunda-feira, 13 de abril de 2009

O Que é Estar Vivo, Afinal?


Nascer... Morrer. E nesse hiato vivente - indeterminado e sob circunstâncias das mais diversas - estamos nós, seres humanos, confinados nesse corpo morrente. O que estamos fazendo aqui? O que é real e o que é ilusão nesse contexto? Sob que “verdades” vivemos? O que é estar vivo, afinal?


PROMOÇÃO
Essa é a primeira promoção do Blog De 2 em 2, que está completando 01 ano de vida, e que vai ofertar como prêmios 01 par de convites para assistir a qualquer filme no Cine Rosa e Silva + 01 exemplar do livro “O Que Importa é o Caminho”, de Sidney Nicéas, com dedicatória do autor.

Para participar, bastar responder ao questionamento proposto acima ("O Que é Estar Vivo, Afinal?") e enviar por e-mail para: snoliii@gmail.com (não valerão os comentários postados aqui). A resposta mais interessante levará o prêmio. A promoção tem validade até 30 de abril de 2009.

O objetivo da promoção é comemorar o aniversário de 01 ano do Blog, estimular a reflexão a respeito do tema e, principalmente, promover uma maior interação com o público leitor desse espaço.

Vamos lá! Já que o Blog tem recebido tantos e-mails e comentários interessantíssimos... Não custa nada participar, né? E ainda concorrer aos prêmios... Mãos a obra!

terça-feira, 7 de abril de 2009

O Lado B(om)



Fulano perdeu o vôo. Cinco minutos o separaram da aeronave que o levaria a uma importante reunião de negócios. Sem o avião (e a conseqüente viagem), as possibilidades de insucesso para a empresa em que trabalhava eram inevitáveis – e as conseqüências para si, idem. Nervoso, brigou, discutiu, foi até contido por seguranças no aeroporto. E a sua ira só foi atenuada minutos depois, com a confirmação da queda da aeronave pouco após a decolagem...
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Cicrano não sentiu lágrima nos olhos. Somente o peito apertado, coração atônito, descompassado. A rudeza daquele homem que agora estava sendo enterrado – seu pai – ia ruindo sob a terra fria; a austeridade de um homem bom que em sua vida não mais estava. O sepultamento, assim, não alterou os hiatos existentes naquela relação, mas, ao menos, trouxe à tona a lembrança do amor que, por tortuosas linhas, permeou a convivência entre pai e filho. E eis que uma única e abundante lágrima rolou dos seus olhos...
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Beltrano caminhava pela rua portando uma arma na cintura. Mirando as poucas pessoas que por lá transitavam, tentava ‘encontrar’ a ‘vítima perfeita’. Concentrado, percebeu a velha senhora que atravessava a via. Presa fácil. Alvo ideal para a ação pretendida. Decidido, colocou a mão sob a camisa e agarrou o cabo do revólver. Antes de tomar a iniciativa, viu a senhora se aproximar e fitá-lo com um imenso sorriso no rosto. Surpreendentemente intimidado, pensou: ‘Meu Deus! Parece com a minha falecida avó!”. E vacilou. E sentou no meio fio. E, chorando, sentiu-se o mais vil dos homens...
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Nada é certo. Nada é errado. TUDO na vida tem um lado B. TODOS nessa vida têm um lado bom. Alguém duvida disso?

segunda-feira, 23 de março de 2009

Arabela


Chagas. Eis a alcunha do ex-noivo tatuada na mão direita. Tiras de tinta que não se tira – nem da pele, nem do coração. E lá se foi o laser invadindo a tez como se fosse isso lazer.

Pele queimada, Chagas se foi. E deixou nela uma última chaga: cicatriz na mão direita, dor no coração que não se endireita mais.

A beleza de Arabela acinzentou. Cinzas descamadas sobre a cama. O sorriso refletiu a ironia de um pensamento: “Só rindo mesmo”... Pó em grão. Sol e não. Solidão.

Onde está o teu amor agora, Arabela? Na mão? Ou no coração?
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(Da Série "Os Dedos Por Trás da Língua", de Sidney Nicéas)

quinta-feira, 19 de março de 2009

Venhamos e Convenhamos!


Aborto. Excomunhão. Máquina de lavar. Preservativo. Essas foram as palavras mais pronunciadas pelo mundo católico nas últimas semanas. E me fizeram lembrar do papel da religião na vida humana (não somente da católica, mas de todas elas espalhadas pelo globo terrestre) – qual é mesmo?

Enquanto as religiões apregoam suas ‘filosofias’, os ‘fiéis’ agem na contramão. Afinal, num planeta onde a maioria dos bilhões de habitantes afirma ser seguidora de alguma seita, por que vivemos mergulhados na inferioridade moral? Condena-se o aborto e o número deles só cresce; rejeita-se o preservativo e o seu uso é cada vez maior – ainda bem, embora por trás disso muito se estimule a promiscuidade; repudia-se a violência e ela impera nos quatro cantos do mundo. Qual o sentido disso tudo?

Ao invés da fé raciocinada vemos manipulações. Interesses institucionais sobrepõem-se aos espirituais e morais. Homens falíveis apresentam-se como santidades. Filosofias são forjadas para captar dinheiro. O poder corrói as intenções. E o verdadeiro sentido do ‘religare’ se perde nessas vãs filosofias.

Jesus. Buda. Krishna. Gandhi. Madre Teresa. Yogananda. Irmã Dulce. Chico Xavier. Dom Hélder Câmara... Homens extraordinários. Pregadores do amor como verdadeira religião, sem rótulos nem bandeiras segregadoras. Seres de diferentes regiões, conectados não pelo propósito institucional, mas sim pela essência divina do homem, tão ignorada por todos.

Venhamos e convenhamos! Qual o papel das religiões em nosso mundo, afinal? Vale a pena a reflexão...